quarta-feira, 29 de julho de 2009

Quero morrer pretis se eu tiver mentindis!

"Casa, comida, roupa lavada, três milhão por mês fora o bafo no cangote. Vai ou fiquis?".

Sambista, tocador de reco-reco, agitador de pagode e um dos mais engraçados personagens da comédia brasileira, Mussum, o eterno Mumu da Mangueiris, é uma daquelas figuras que transcendem ao tempo. Meu sobrinho de seis anos, ao ver pela primeira vez suas pirulitadas no DVD dos Trapalhões que comprei recentemente, falava dele no dia seguinte como se fosse uma criança no início dos anos 80, quando estar diante da televisão aos domingos a partir das sete da noite era programa obrigatório pra todo mundo.

O humor do Mussum é de uma linhagem nobre, assinada embaixo por outros gênios como Oscarito e Grande Otelo. Caricato nos trejeitos e no gingado, representa aquele canastrão desastrado que procura um jeito de sair das enrascadas em que ele mesmo se coloca. A graça que deriva dessas situações não morre nunca. Qualquer um que viveu aquela época e que assiste hoje os esquetes dos bons tempos dos Trapalhões fica com uma sensação imediata de "eu era feliz e sabia!".

Ao lado do cearense talhado que sempre procura se dar bem, do mineirinho come-quieto infantil e do paulista que se ferra quando tenta armar pra cima dos outros, o carioca do morro metido a malandro, mas cheio de suingue, fez uma geração inteira de seguidores durante quase 20 anos de horário nobre, o que ajudava também a alavancar as grandes bilheterias do cinema nacional pré-crise. O tema de abertura da orquestra de Zé Menezes, combinada com a vinheta animada, era a senha para algo que as crianças regadas ao Nicks e Cartoons de hoje jamais verão nas TVs a cabo. Talvez aí resida a explicação para a audiência histórica, constante e elevada das infindáveis reprises da dupla Chaves e Chapolin no SBT.

No dia dedicado ao grande Mussum, um dos patronos deste humilde repositório virtual de idéias rasas, proponho um brinde à boa nostalgia, que nos dá orgulho de ter vivido coisas que o tempo jamais apagará da lembrança.

Bota esse mé no copo e vamo bebê, cacildis!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nem Freud explica

Notável a exposição de fatos elencada pelo ombudsman da Folha de S. Paulo no artigo abaixo, que trata da injustificável (embora até explicável) puxação de saco editorial e pública em favor do Ronaldo Fenômeno. Se por um lado mostra uma face oba-oba de quinta categoria da imprensa que tanto se vangloria de empunhar o bastião da imparcialidade na busca pela clareza da informação, duela a quien duela, o texto do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva deixa uma questão em aberto: a postura "chupa-mas-não-baba" da Folha tem alcance apenas no campo de jogo ou vai além das quatro linhas, fazendo com que a atuação do Gordo na agitada noite paulistana passe ao largo dos olhos sempre tão atentos da redação dos Frias?

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Nem Freud explica

Carlos Eduardo Lins da Silva

A obsessão deste jornal com o jogador Ronaldo desafia qualquer psiquiatra. Já faz mais de sete meses que ele está no Corinthians e a Folha continua a tratar esse acontecimento como se fosse algo comparável à descoberta da cura do câncer ou a chegada do homem à Lua.

No domingo, além da manchete da página D3 para declará-lo “altruísta” por dar passes para colegas fazerem gols, ainda há uma retranca para informar que à tarde ele jogaria pela primeira vez contra o goleiro Marcos. Não bastaram todas as primeiras vezes (jogo, jogo em São Paulo, gol, jogo no Maracanã, jogo em Minas, jogo contra o Cruzeiro, pênalti). É uma coisa realmente de louco.

Na segunda, lá está ele de novo na capa do jornal. A grande notícia é que ele machucou a mão. Pode-se antever o carnaval que agora será feito com a mão esquerda de Ronaldo.

À compulsão por Ronaldo soma-se a mania que o jornal tem de valorizar demais séries e coincidências históricas e estatísticas. Não faz nenhum sentido o título “Estádio do primeiro gol agora pune Fenômeno”, na página D2. Como “estádio pune?”. Foi por causa do estádio que Ronaldo machucou a mão? E que relação pode haver entre o primeiro gol e a suspeita de fratura na mão?

E a coisa não se limita a Ronaldo. A manchete da página é “Obina decreta o pior revés rival em clássico com Mano” diz ela na edição nacional. Na edição SP a construção é menos tortuosa e um pouco mais compreensível, mas a intenção é a mesma: enfatizar que este foi o pior resultado de Mano Menezes como técnico do Corinthians em clássicos.

Mas que importância tem isso? Se o resultado tivesse sido 2 a 0, qual teria sido a diferença? O lide do texto da manchete destaca outra singularidade que não tem a menor importância objetiva: “A cidade que viu o primeiro gol de Ronaldo com a camisa do Corinthians testemunhou ontem a consagração de Obina.” E daí que foi em Prudente que Ronaldo fez seu primeiro gol e Obina fez três?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Meu mundo caiu

Não há palavras que consigam sintetizar o impacto de determinados fatos para os povos e suas culturas. Por mais complexa e difusa que seja a teia intercomunicante entre as sociedades heterodoxas mundo afora, a chegada de certas notícias implode a possibilidade de uma absorção comum e corriqueira por parte dos meios, de tal modo que um espectro até então desconhecido transfigura-se de imediato numa catarse coletiva, que se faz presente a todos os seres, nos cantos e recantos mais ermos do planeta.

Se me refiro à perda do Rei do Pop, Michael Jackson? Não, é algo anos-luz mais profundo. Preparem-se, porque...

Terra - Após 10 anos de parceria, dupla Serginho e Lacraia chega ao fim

Meus comprimidos, onde estão meus comprimidos!

sábado, 27 de junho de 2009

Momento Michael: um maravilhoso lado B perdido

A partir de agora, e sem qualquer compromisso com periodicidade ou coerência, publicarei aqui algumas coisas menos óbvias do ídolo-mór Michael Jackson. Se servir para alguém se animar a correr atrás da obra maravilhosa que ele deixou pra gente, já terá valido a pena.

Para começar, uma pérola disco-funk típica do final dos anos 70 (mas antes do lançamento de Off the Wall), gravada por ele juntamente com seus irmãos nos Jacksons, já pela Epic. O som é simplesmente delicioso, e a seleção de performances, muito feliz.

Divirtam-se!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Michael Jackson, The King of Pop

O que falar de Michael Jackson, um dos patronos deste blog, no dia de sua morte? O que escrever?

O óbvio incontestável: era, e sempre será, um artista absolutamente único, inigualável e insuperável em se tratando dos seus recordes. Talvez por isso este seja um dia que jamais imaginei que presenciaria.

Ele não era apenas o Rei do Pop, ele INVENTOU o pop, tal como conceito, som, dança, cultura e movimento popular amplamente arraigado na sociedade conteporânea mundo a fora. Sua magnitude não se resume apenas a um momento da carreira, nem a uma fase específica da sua vida. Ele já era genial aos 8 anos, quando Barry Gordy, dono da Motown, se deparou com um talento que, segundo ele próprio cunhou, "só nasce de mil em mil anos".

O crescimento, diferentemente do que muitos supunham, não matou o talento genuinamente infantil, bruto. Pelo contrário, alavancou uma carreira superlativa em todos os sentidos, que teve na vendagem insuperável de Thriller (mais de 60 milhões de cópias) apenas um dos seus marcos. Mas reduzir o seu talento icônico somente aos grandes números é, paradoxalmente, fazer uma análise pequena. Michael compunha, cantava, tocava vários instrumentos, coreografava, dançava, representava, produzia. Tinha domínio absoluto sobre a sua trilha profissional, em tempos de vacas gordas e magras.

É impossível analisar, pensar ou vibrar com Michael Jackson pura e simplesmente com a sua música. Como dissociar uma canção espetacular como "Billie Jean" do moonwalk, o gesto que fez homens e garotos, negros e brancos, nos quatro cantos do planeta, sonharem em ser Michael Jackson por alguns passos? Como escutar "Thriller", a canção, e não lembrar imediatamente do videoclipe que reinventou esta forma de ouvir, ver e consumir música? Dá para ouvir "Black or White" e não se lembrar da série de efeitos visuais inéditos do vídeo, onde as faces de várias pessoas diferentes se fundiam como num passe de mágica?

Não dá sequer para tentar sintetizar em palavras, reportagens, posts ou estudos o tamanho de Michael Jackson para a cultura popular mundial do século XX. O tamanho da sua influência para todas as gerações desde então. Vá ao You Tube e busque por uma música, qualquer que seja. Ela vai falar muito melhor e com muito mais fidelidade do que tudo.

Ele será eterno, não tenho nenhuma dúvida disso.

Fecho com uma consideração pessoal: Michael Jackson foi o maior ídolo que tive em minha vida. Acompanhei, ainda pequeno, as estreias dos seus clipes no Fantástico, e viajava a cada passo, a cada falsete, a cada música. Era como se a tela de TV forjasse diante dos meus olhos um herói irreal, de outro mundo. Lembro da minha estupefação ao vê-lo pessoalmente, ainda que com distância considerável, nas arquibancadas do Morumbi, em 1993. "Cara, eu tô no mesmo lugar que o Michael também está! Não é possível!!!". Coisas de fã...

Espero, sinceramente, que as atuais e futuras gerações que não tiveram a oportunidade e a sorte de conhecê-lo como artista procurem por sua obra. Ouvindo todos os hits produzidos, investigando as coisas mais raras dos seus discos, se surpreendendo com o artista maravilhoso que ele era. Foi assim, ao longo desses anos, que o gênio absoluto de Mr. Michael Joseph Jackson reinou para mim como o maior artísta que já passou por esse mundo. Mundo esse que agora ouve as suas músicas de forma mais triste, menos dançante, um pouco sem voz.

Ladies and gentlemen, with you, he, the only, the King of Pop... Michael Jackson!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

24 horas com Ivete

- Oldinho, acorda amor, tá na hora de trabalhar!
- Pô, Ivetinha, deixa eu dormir mais um pouquinho...
- Nãããão, dorminhoco. Tá na hora, vamos!
- Então me dá um beijinho de bom dia, vai...

Minha relação íntima com Ivete Sangalo começou nesses dias, não sei bem quando. Salvo engano, foi no domingo passado, quando ela me surgiu da lente do Fantástico, em pleno ócio dominical no sofá de casa, mostrando a sua nada humilde residência àquela formosura que atende pelo nome de Patrícia Poeta. Não, minto: antes disso, ela já havia me abduzido à tarde, quando passei o olho no Faustão e a vi falando de flatulência crônica em mulheres grávidas. Mas foi algo muito rápido, nem deu para nós nos aproximarmos direito. Depois, no Fantástico, sempre convidativa, Ivetinha me guiava entre os vários corredores da sua mansão, entrando e saindo de salas, quartos, banheiros e closets, sempre com aquele ar coloquial de quem se acostumou a falar para todo mundo como se estivesse conversando com aquela amiguinha confidente. Ivetinha é assim, íntima e entrona como ela só.

A nossa relação foi evoluindo ao passar das horas e ao correr dos dias. Ela sempre invasiva, sem cerimônias, crescendo e me aparecendo quando eu menos esperava. Se eu ligo no Jô Soares para ver se dá sono, lá está ela, toda pimpona com sua bela barriga prenha. Se vou para o Pânico, tentando achar alguma graça numa noite de domingo – como se fosse possível – ela reaparece, receptiva aos convidados de uma festa a fantasia. Pausa: a imagem de David Brazil travestido de Morticia Adams (ou coisa que o valha), além de não ter graça nenhuma, me deixou numa zona conflituosa entre o medo e a raiva.

Já na cama, preparando-me psicologicamente para a segunda-feira, o que me aparece assim de cara, sem pedir licença, em pleno especial de Roberto Carlos? Sim, ela, a diva-mor onipresente, onipotente e onisciente da música brasileira: Ivete Sangalo! Deu até uma piscadela pra mim, essa safadinha. Cantando como sempre muito bem, ela meio que rege o show, aparecendo no início para dar às boas-vindas à plateia, perto do fim para fazer as considerações finais – Ivetinha foi a única que cantou duas músicas, pois quem pode, pode – e no enceramento, puxando os duetos de Roberto com as outras cantoras. Uau, sem nem perceber eu já me tornei íntimo da maior estrela do Brasil. A gente já está se vendo praticamente todos os dias! Realmente eu tô podendo.

Na segunda-feira, a tragédia. Acordo com uma ligação da minha mãe me relatando as primeiras informações do desaparecimento do voo da Air France. Ainda em choque, meio atônito com mais uma desgraça aérea envolvendo o Brasil, tomo um banho rápido e ligo a TV em busca de notícias. Band, CNN, Record, Globonews, zapeio sem parar. Eis que, quando chego ao canal 19 da Net, vejo em close Ana Maria Braga e seu papagaio conversando animadamente com alguém que não aparece na tela. Ambos, Ana e o papagaio, rasgam elogios à beleza da entrevistada, ao seu carisma e querem saber mais sobre a gravidez.

Num átimo de segundo, cheguei a duvidar que fosse ela de novo. "Não é possível", penso eu, nu em pelo. Sim, era possível. Menos de 12 horas depois de eu ter desligado a TV com aquela fisionomia baiana e faceira na minha fuça, ela, Ivetinha Sangalo, o ACM de saias, retorna do nada a minha residência, mais uma vez pererecando na sua mansão, mais uma vez alegre, mais uma vez falando de seu novo DVD, mais uma vez Iveteando para o Brasil todo ver.

- Oi Ivete, você por aqui de novo. Por que será que eu não tô surpreso?
- Oi Oldon, bom dia, querido!
- Pô Ivete, agora não. Eu tô triste com esse acidente. Outra tragédia com avião...
- Fica assim não, fofo. Faz o seguinte: compra o meu DVD, joga essa mão pra cima e tira o pé do chão!
- Depois, depois...

Não sei quando nem por onde ela vai voltar, mas tenho a mais absoluta certeza que ela vai voltar. Talvez sentada no meu sofá, como na primeira vez. Talvez deitada na minha cama, como na última. Não importa o grau de comoção perante as tragédias internacionais, nem as especulações sobre o andamento da crise econômica mundial, muito menos a discussão sobre a sinistra ameaça atômica da Coreia do Norte. Ela sempre vai estar entre nós. Linda, lépida e fagueira, envolta num vestido colorido e munida de comentários sobre toda sorte de escatologias humanas. Ela, Ivete Sangalo, devidamente acompanhada de seu novo DVD.

Agora imagina quando o(a) herdeiro(a) vier ao mundo:

- Oldon, acorda, meu filho nasceu!
- Porra Ivete, são três e meia da manhã!!!
- Eu sei, mas quem mandou dormir com a televisão ligada!
- Putz...
- Tá, vai dormir, vai. Mas daqui a pouco a gente se vê na Ana Maria Braga e naqueles programas de fofoca matinais. Vou te acordar, hein! Beijos.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O Galeão e a “volta” dos que não foram


Muitos dos que criticaram o retorno das rotas domésticas para o Santos Dumont argumentaram que a medida prejudicaria o Galeão, que perderia não só os trechos nacionais para o Centro da cidade, mas também as ligações diretas para outros países. Por este raciocínio, a manutenção da exclusividade dos trajetos domésticos no Tom Jobim seria fator preponderante para o aeroporto recuperar a condição de hub (centro de distribuição de voos) internacional. Mas o que se viu nos recentes anos em que a proibição esteve em vigor foi algo distante disso.

Um dos motivos que levou o Galeão a sofrer com a forte redução do movimento internacional a partir da segunda metade dos anos 90, além dos problemas cariocas, foi a perda gradual da Varig. Durante décadas a empresa gaúcha manteve a base de operações e o hub internacional no principal aeroporto da cidade, alimentando-o com sua vastíssima malha de voos. Nessa época o Rio era conectado diretamente com todos os grandes centros mundiais, além de locais hoje impensáveis como Copenhagen, Bangcoc, Lagos, Barcelona, Montreal, Genebra e Cidade do Cabo.

Desde 2005, quando houve a transferência de linhas do Santos Dumont para a Ilha do Governador, o Rio retomou voos diretos para Londres, Nova York, Madri e Paris, considerados destinos tradicionais da aviação comercial em qualquer lugar do mundo. A questão é que essa retomada não se traduziu na chegada de novas empresas aéreas para o Galeão. As ligações para Londres, Madri e Paris são feitas respectivamente pela British Airways, Iberia e Air France – companhias que nunca deixaram de estar aqui; apenas mantinham escalas em Guarulhos (a exceção da última). De novo mesmo apenas a volta do voo para Nova York pela TAM, que também vai do Rio para Paris, Miami e Buenos Aires.

Por outro lado, a lista de grandes cidades e companhias aéreas que permanecem sem ter voos para o Rio, diretos ou com escalas em São Paulo, é bem mais extensa. Estão entre elas Frankfurt (Lufthansa), Milão e Roma (Alitalia), Zurique (Swiss Air), Amsterdã (KLM), Toronto (Air Canada), Johannesburg (SAA), Los Angeles e Tóquio (JAL) e Bogotá (Avianca). Todas têm ligação com Guarulhos, mas nenhuma com o Galeão – que até quinze anos atrás recebia voos de todas essas companhias, provenientes de todas essas cidades. Em quanto isso, Guarulhos vê o seu leque internacional crescer fortemente, com rotas para Seul (Korean), Chicago (United), Dubai (Emirates), Cidade do México (Aeroméxico e Mexicana), Tel Aviv (El Al) e Istambul (Turkish Airlines).

O que fica claro é que, mesmo com toda a elevação de movimento de passageiros no Galeão nos últimos anos, não houve acréscimo substancial de novas rotas e companhias para o Rio, ao contrário do que vem ocorrendo regularmente com Guarulhos. Por quê?

Porque simplesmente o Brasil não tem demanda suficiente para ter dois aeroportos próximos entre si como hubs internacionais. E já tendo em Guarulhos um hub estabelecido, com enorme fluxo de passageiros, por que as diversas companhias estrangeiras que lá operam haveriam de migrar para cá? Pela simples manutenção de dois ou três pares de voos para Salvador, Porto Alegre ou Goiânia? Será que as centenas de pousos e decolagens internacionais registrados diariamente em Guarulhos se sustentam em função das linhas domésticas do aeroporto, para cidades muito menores que São Paulo.

O fato é que um hub não surge do dia para noite. O que faz de um aeroporto o centro aglutinador de rotas internacionais de um país ou de uma região é a potencialidade do mercado onde ele está instalado, seja no âmbito econômico, demográfico, político ou cultural. A ocorrência de um fator novo, como a realização das Olimpíadas de 2016 no Rio, pode ser um motivador real a atração de uma massa de novos passageiros, rotas e companhias aéreas, mudando o cenário a favor do Galeão. Caso contrário, o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro muito dificilmente voltará a ser aquilo que durante anos já foi.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um pênalti, o pentatri...

Maracanã, Rio de Janeiro, 3 de maio de 2009:

... e o Brasil foi dormir mais feliz neste domingo.

Rio de Janeiro (RJ):


São Paulo (SP):


Brasília (DF):


Vitória (ES):


Cuiabá (MT):


João Pessoa (PB):


Manaus (AM):


Porto Velho (RO):


Belo Horizonte (MG):


Curitiba (PR):


Niterói (RJ):


Anagé (BA):


Três Corações (MG):


Cachoeiro do Itapemirim (ES):


Ponta Grossa (PR):


Itaperuna (RJ):


São Vicente (SP):


Castelo (ES):


Barra Mansa (RJ):


Uma casa, uma família:

quinta-feira, 30 de abril de 2009

4 notas sobre futebol

1 – Na sua primeira passagem pelo Flamengo, em 2005, o ciclo de Cuca como técnico do time chegou ao fim numa disputa de oitavas de final da Copa do Brasil contra um time cearense (Ceará). Será que a história se repetirá novamente quatro anos depois, contra outro cearense (Fortaleza), também numa oitavas da Copa BR?

2 – Pelo terceiro ano consecutivo, o Flamengo pode sagrar-se campeão estadual e ser eliminado de uma competição paralela mais importante três dias depois. Em 2007 e 2008 o rubro-negro se escafedeu da Libertadores nas oitavas de final contra Defensor e America, ainda na ressaca das comemorações pelas conquistas do título estadual. Será que a história se repetirá novamente em 2009, também numa oitavas de final, só que pela Copa BR?

3 – Caso não desmonte o time na malfadada janela de transferência europeia ou resolva distribuir um salto alto tipo Luis XV a cada jogador, o Internacional vai nadar de braçada em 2009 em tudo o que disputar. Pra mim, tem chances reais até de bater o recorde do Cruzeiro de 2003 e ganhar, ao invés de três, quatro títulos: Estadual, Copa BR, Brasileiro e Sulamericana. A conferir.

4 – À reboque do Fenômeno, o Corinthians anunciou nesta quinta-feira mais um patrocínio, desta vez com o Grupo Silvio Santos. O conglomerado de Senor Abravanel estampará algumas de suas empresas nos calções e na parte de superior direita da camisa. Juntar-se-ão, pois, às marcas Batavo e Bozzano, que já anunciam na frente, nas costas e nas mangas da camisa. Não satisfeito, o presidente do alvinegro, Andrés Sanches, afirma que está em vias de fechar mais um acordo com uma nova empresa, desta vez para estampar marcas "no omoplata" (sic) dos jogadores. Cabe a pergunta: será que esse modelo Times Square de exposição visual, além de valorizar as empresas, valoriza também a marca quase centenária do time?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

MPB do B

Lendo a coluna Gente Boa do Globo nesta segunda, que relaciona opções de alguns "notáveis" para os clássicos menos óbvios da MPB - essa entidade etérea, insípida, inodora e hermeticamente fechada - percebi que apenas quatro das 15 personalidades citaram uma canção da dupla Roberto & Erasmo, a Lennon & McCartney da Tijuca. Fiquei pensando sobre os porquês disso. Será que se fosse solicitada a relação das mais óbvias haveria uma reverência maior ao rei e ao seu fiel parceiro musical de toda vida? Custo a crer. Então por que será que o senso comum da população é sempre tão diferente do senso restrito da intelligentsia?

Tenho certeza que se essa enquete for feita a cem pessoas no Largo da Carioca, na Central do Brasil, no Mercadão de Madureira ou no Calçadão de Bangu, pelo menos oitenta citarão Roberto & Erasmo, ou só Roberto, em detrimento aos queridinhos do universo Leblon-Leme. Das 15 listas do Globo, o Chico Buarque, aquele gênio com a voz de ganso, foi citado em nove, mais que o dobro de citações do Roberto. Aposto meu compacto de "Porque Brigamos" autografado pela Diana que a voz do povo é bem diferente.

A propósito, elenco abaixo a minha relação da MPB do B, aquela que é e sempre foi, embora alguns finjam desconhecer. Como nos moldes do que foi proposto pelo Globo, são 10 músicas e os seus maiores (ou únicos) intérpretes:

1 - Eu Não Sou Cachorro, Não - Waldick Soriano
2 - Cabecinha no Ombro - Ângela Maria
3 - Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás - Raul Seixas
4 - Amada Amante - Roberto Carlos
5 - Luar do Sertão - Vicente Celestino
6 - É o Amor - Zezé di Camargo e Luciano
7 - Cadeira de Rodas - Fernando Mendes
8 - Deixa a Vida Me Levar - Zeca Pagodinho
9 - Chove Chuva - Jorge Ben
10 - Eu Vou Tirar Você Desse Lugar - Odair José

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O diploma e o buço

No dia da mentira, uma... uma... ehhh... bem, uma constatação travestida de notícia que parece sacanagem, ou piada, mas não é.

O Fuxico: Priscila faz o buço usando um alicate

A propósito, o Supremo Tribunal Federal deve julgar em breve se mantém ou não a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Gostaria que os nobres ministros tivessem acesso ao "conteúdo" acima para fundamentar melhor suas decisões. Sim, porque me parece que até uma chinchila com defasagem mental seria capaz de produzir e editar esse tipo de "fato jornalístico".

Pensando bem, acho que uma chinchila com defasagem mental saberia que notícia mesmo não é ver a Priscila fazendo o buço, mas sim a buça.

Desculpe, foi mais forte do que eu.

terça-feira, 3 de março de 2009

Mi Buenos Aires querido!

Após passar quatros aprazíveis e hermosos dias em Buenos Aires, sob o desfrute de um Sol de lascar o sertão do Piauí, pude constatar que, sim, nossos hermanos tinham motivos para se acharem tão europeus quanto qualquer habitante do Velho Continente. A capital argentina guarda em seus inúmeros parques, monumentos, palácios e até mesmo cemitérios todos os quesitos que a faz um roteiro de alto gabarito cultural, a um custo bem mais em conta que um retiro em Paris, Roma, Londres e adjacências.

Dá para constatar os efeitos patentes e empobrecedores da infindável crise dos últimos 20 anos, principalmente no desleixo do Centro da cidade – que em muito lembra a Av. Rio Branco após um dia útil – e na proliferação da miserabilidade – nada perto da favelácia em que se transformou o Rio. Mas, embora afetados por uma economia frágil e inerte, os mendigos de lá continuam pedindo esmola de terno e gravata, com gel no cabelo e sapatos lustrados. Hay que sobrevivir en la crisis, pero sin perder el estilo!

Como carioca, senti pequenas pontas de inveja. Ao me deparar, por exemplo, com toda a estrutura que envolve o Boca Juniors, cuja junção de um ótimo marketing e de um mínimo de gestão profissional consegue vender a marca do time de forma eficiente e proveitosa. Tudo que o Flamengo podia ser um dia, mas nunca deixaram que fosse. A segunda sensação de "viu, como pode dar certo!" é ver como Puerto Madero, de região portuária degradada e decadente, se reinventou em área de lazer, complexo gastronômico, região hoteleira de alto luxo e nova fronteira habitacional. Tudo que o Cais do Porto poderá ser um dia, se de fato quiserem que seja.

Buenos Aires é um grande passeio de alguns dias para qualquer pessoa – melhor: para qualquer casal – e um bom exemplo de como um legado cultural e histórico, mesmo abalado, é capaz de resistir às mais criativas catástrofes econômicas de anos de (des)governo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Galvão Bueno italiano solta a franga

É sensacional, só vendo (e ouvindo) pra ter ideia da histeria do narrador com o gol do Júlio Baptista:



Haaaaaja vibração, amigo!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Imprensa que eu gamo

Jornalismo, na prática, é igual a andar de moto: por melhor que você seja, por melhor que você faça, uma hora você erra e cai. Não tem jeito, é assim.

A experiência de redação mostra, para os que já passaram por alguma delas, que checar o nome de um entrevistado, muitas vezes, é tão fundamental quanto ter a inspiração necessária na hora de escrever um texto.

A situação é particularmente desagradável: você produz uma matéria linda e enorme, puxada por um baita furo de reportagem, gráficos, números, aspas contundentes... e só depois de publicada é que você nota que o nome do cara é José e não João, ou que o nome da empresa é Mavena e não Vanema.

Babou, já era.

Foi-se por água abaixo, por um detalhezinho sórdido – mas que nessas horas faz toda a diferença – a senha rumo ao Prêmio Esso. E aí, como diz o nosso presidente, "ô meu, sifu...".

Sensação diametralmente oposta se dá quando você está tranquilão em casa num domingo qualquer, lendo o seu jornal, e se depara com uma barriga (erro, no jargão jornalístico) à la Ronaldo Fenômeno. A não ser que seja obra de um amigo seu, o constrangimento geralmente dá lugar ao escracho total.

Afinal, se errar é humano e se o ser humano é o único aninal que ri, logo rir do erro alheio é a coisa mais humana do mundo.

Prova disso é uma área da Folha Online que descobri sem querer no Google, intitulada "Círculo Folha". Uma espécie de toturial do jornal e do site, o local tem uma parte sensacional, e deliciosamente sarcástica, chamada Antologia do Erramos. Trata-se dos erros mais esdrúxulos, inacreditáveis, colossais, boçais, engraçados, impossíveis e humanos publicados na Folha de S. Paulo.

Tem coisas ali absolutamente maravilhosas, cuja maior função, além de nos fazer chorar de rir, é provar por a mais b que a arte de fazer um jornal diário passa pela ofício de limar as falhas nossas de cada dia.

Como canta Roberto Carlos, "somos seres humanos, não somos perfeitos... ainda".

Abaixo, um apanhado das 14 seções da área Antologia do Erramos:

Pérolas datilográficas

"No artigo 'A nova guerra civil', publicado à pág. 5-7 (Mais!) de 1°/10, onde se lê 'uma menina sexualmente retardada...', leia-se 'uma menina mentalmente retardada...';" (8.dez.95)

Heresias

"Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos', à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento." (7.dez.94)

Gaiata ciência

"O quadro da edição de 9/1 de 'Ciência', referente à reportagem 'Viagra para mulher', à pág. 25 do caderno Mais!, indica erroneamente a vagina no local do ânus. No mesmo quadro, o testículo está incorretamente indicado no local do escroto." (14.mar.00)

Impropriedades literárias

"Diferentemente do publicado na pág. Especial 2 (Acontece) do último domingo (29/11), Arnaldo Jabor, e não Nelson Rodrigues, é o autor de 'Eu Sei Que Vou Te Amar'. Além disso, Rodrigues escreveu 'Vestido de Noiva' (e não 'Vestido de Noite'), e Ariano (e não Adriano) Suassuna escreveu 'A História do Amor de Romeu e Julieta'. " (1.dez.98)

A informação como ela não é

"Diferentemente do que foi publicada à pág. 1-5 (Brasil) de 6/6, o nome do prefeito de Araxá não é Geová Pereira da Costa, mas Jeová Moreira da Costa. Seu partido não é o PFL, mas o PL. O nome da secretária municipal de Educação é Romalia Porfírio, não Porfíria. O instrutor-chefe do Tiro de Guerra na cidade é o primeiro-sargento José Roberto Montandon, não tenente Montanom. O nome correto da escola municipal de Araxá é Escola Municipal Dona Gabriela. Os cerca de cem atiradores que reforçaram a segurança do presidente Fernando Henrique Cardoso na cidade não são de elite." (16.jun.95)

Proezas em língua pátria

" A peste pneumônica é transmitida por gotículas de saliva, diferentemente do que informou o texto publicado na pág. 2-10, no dia 24/09." (28.set.94)
Obs: O texto afirmava que a doença era transmitida por filhotes de perdiz. Quem editou o texto procurou um sinônimo para perdigoto, que pode significar tanto salpico de saliva como filhote de perdiz.

Proezas em língua estrangeira

"Diferentemente do que foi publicado à página 2-9 de 29 de maio, na reportagem 'Estrutura política do Brasil é um desastre', a região da Califórnia, nos Estados Unidos, onde se concentram as indústrias de computadores é conhecida como Vale do Silício." (18.jun.94)
Obs: Em inglês, Silicon Valley. Saiu publicado "Vale do Silicone".

Terminologia jurídica

"No título do alto da página 3-5 (São Paulo) de 7/7. 'Patroa é acusada de roubar empregada', a palavra 'roubar' (mediante violência) foi empregada incorretamente. O certo é 'furtar' (sem violência)." (11.jul.95)
Obs: Esse tipo de erro mereceu seis correções entre 1991 e 1996.

O que está por trás dos nomes

"O músico Carlos Santana é guatemalteco, e não mexicano, como informou reportagem à pág. 4-3 (Ilustrada) de ontem." (12.mar.96).
"Diferentemente do que informou ontem esta seção, o músico Carlos Santana é mexicano." (13.mar.96)

A dimensão das coisas

"A reunião do ministro Eliseu Resende com sua equipe durou quatro horas horas e não quatro anos, como foi publicado no caderno Brasil de 28/03." (30.mar.93)

Desserviço ao leitor

"O escritor Mario Vargas Llosa é um dos latino-americanos que participarão no dia 17 do seminário 'Europa e América 1492-1992, o Confronto de Duas Civilizações', em Turim (Itália), e não Federico García Lorca, como foi citado na edição de ontem da Ilustrada, pág. 5-2. Lorca era espanhol e morreu em 1936." (9.mai.91)

Quando um nome passa a ser um problema

"Diferentemente do que foi publicado na edição de ontem (São Paulo), a rodovia que passa pela cidade de Praia Grande chama-se Pedro Taques, e não Pedro Táxi." (20.nov.99)

Confusões histórico-geográficas

"Diferentemente do que foi publicado à pág. 1-14 (Brasil) da edição de 19/3, a Segunda Guerra Mundial começou em 1939, os EUA entraram na guerra em 1941, a Guerra dos Seis Dias foi em 1967, o presidente Richard Nixon (EUA) renunciou em 1974, Margaret Thatcher assumiu o poder no Reino Unido em 1979, o Muro de Berlim caiu em 1989, e o Iraque invadiu o Kuait em 1990." (27.set.95)

Vale mais que mil palavras

"A foto acima, publicada na seção 'Álbum d' viagem' da Revista d' de 8 de março, foi simulada por Fábio Cardoso de Almeida Filho. Ele nunca esteve no deserto de Neguev, em Israel, e a foto foi feita na praia de Santiago, no litoral norte, a 180 Km de São Paulo. A Folha errou também ao chamá-lo de artista plástico." (14.mar.92)

Divirta-se você mesmo em http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/antologia_erramos.htm.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Eu já sabia!

Extra Online: Gilmar Mendes concede liberdade a Marcos Valério

Próximos episódios da série "Premonições":

- Ana Maria Braga vai recauchutar a plástica em 2009;
- Suzana Vieira vai "conhecer uma pessoa" 30 anos mais jovem e três vezes mais baixo nível no carnaval de 2009;
- Apesar das tentativas, a cocaína não conseguirá escapar do nariz de Amy Winehouse em 2009;
- Alguma nova ex-BBB vai posar nua em 2009 (eu já tenho minha preferência);
- Os juros no Brasil continuarão os mais altos do mundo em 2009;
- Gilmar Mendes, o guardião da alforria, continuará no STF em 2009;
- E muitos, muitos habeas corpus ainda serão concedidos em 2009...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Uma frase...

... do grande mestre Chico Anysio, em entrevista à Rádio Roquette Pinto hoje:

"O HUMORISTA, ASSIM COMO O JORNALISTA, NÃO TEM A OBRIGAÇÃO DE RESOLVER NADA, MAS TEM O DIREITO DE DENUNCIAR TUDO".

Tá falado.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

10 pedidos fúteis (ou não) para 2009:

1) Um Playstation 3 com a última versão do Fifa Soccer.
2) Alguém com paciência para me ensinar os truques da última versão do Fifa Soccer.
3) Pasteizinhos (dezenas deles) de queijo brie com geléia de damasco servidos como aperitivo no Rio Brasa.
4) Um (ou dois) meia(s)-armador(es) decente(s) para o Flamengo.
5) Um (ou vários) show(s) do Paul McCartney no Brasil. De preferência no Maracanã, claro.
6) A volta de "Carga Pesada" as sextas à noite. Pedro e Bino mandam!
7) Moderação aos economistas de plantão na hora de preverem quando o mundo vai acabar por causa da crise.
8) Eisenbahn Weizenbier. Em muitas, muitas garrafas.
9) Portela campeã.
10) Mengão campeão – seja na terra, seja no mar...

Entre os pedidos úteis, os de sempre: saúde para todos, paz e união na família e um pouco mais de bom-senso aos seres humanos no convívio social.

No mais, que seja um grande ano para todos nós!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Atchimmm... na minha casa ou na sua?

Da série "Notícias bizarras e suas manchetes maravilhosas":

BBC Brasil: Espirro pode ser sinal de excitação sexual, diz estudo

Só queria saber o que diabos um médico ganha tentando constatar esse tipo de coisa – além de ódio de quem está gripado, claro.

O próximo passo desta importante escalada da ciência moderna deve ser a comprovação de que coçar o olho esquerdo às segundas-feiras significa tendência ao adultério.

O que vai ter de neguinho com conjuntivite apanhando em casa...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A ingratidão de um pilantra

Prometi pra mim mesmo que não gastaria uma linha deste humilde espaço virtual pra falar da cafajestagem protagonizada esta semana pelo comedor de travecos. Mas não resisti.

Confesso que fiquei tentado quando vi que a revolta da Nação Rubro-Negra tinha ecoado no Velho Continente, a ponto de o Marca, principal jornal esportivo da Espanha, ter se inspirado na safadeza do Judas de Bento Ribeiro para criar uma lista com as vinte maiores traições da história do futebol.

Pois o pilantra da Praça do Ó, pra mim, é no mínimo top five da relação abaixo.

1) Figo - do Barcelona pro Real Madrid
2) Roberto Baggio - da Fiorentina pra Juventus
3) Ruggeri - do Boca Juniors pro River Plate
4) Sol Campbell - do Tottenham pro Arsenal
5) Batistuta - do River Plate pro Boca Juniors
6) Romário - do Flamengo pro Fluminense, antes passou pelo Vasco da Gama
7) Cruyff - do Ajax pro Feyenoord
8) Caniggia - do River Plate pro Boca Juniors
9) Hugo Sánchez - do Atlético de Madrid pro Real Madrid
10) Mo Johnston - do Celtic pro Glasgow Rangers, antes passou pelo Nantes
11) Tardelli - da Juventus pra Internazionale
12) Luis Enrique - do Real Madrid pro Barcelona
13) Krancjar - do Dinamo Zagreb pro Hajduk Split
14) Paul Ince - do West Ham pro Manchester United
15) Laudrup - do Barcelona pro Real Madrid
16) Aldo Serena - do Torino pra Juventus
17) Cáceres - do River Plate pro Boca Juniors
18) Denis Law - do Manchester United pro Manchester City
19) Schuster - do Barcelona pro Real Madrid
20) Gatti - do River Plate pro Boca Juniors
Fonte: http://www.marca.com/edicion/marca/futbol/internacional/es/desarrollo/1191246.html

Deixa estar, o que é dele está guardado.

Termino esse assunto (espero não mais voltar a ele) com um pensamento do meu nobre xará do Cosme Velho, um dos patronos do Blog do Oldon:

"A ingratidão é um direito do qual não se deve fazer uso"
Machado de Assis