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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Sucesso do Quarteto Dos "Beatles"

Ao lado de dois pequenos anúncios para tratamento de psoríase e hemorróidas, a legenda da foto da agência de notícias UPI relata o tumulto que "os quatro rapazes de Merseyside" (isso mesmo, nada de Liverpool) causaram ao desembarcar no aeroporto de Londres após uma excursão a Estocolmo. O texto fala ainda do rastro de histeria que uma "verdadeira multidão de jovens" deixou na perseguição aos rapazes em emissoras de TV da capital inglesa, dias após o retorno da viagem à Suécia.

A data era 11 de novembro de 1963. Pela primeira vez, o jornal carioca O Globo fazia referência ao grupo formado por "Paul Macartney, Ringo Stars, John Lennon e George Harrison", segundo a grafia impressa na página 26 da edição desse dia. Daí pra frente é história.

A página e a edição histórica que pela primeira vez fala da maior banda de todos os tempos está disponível desde o último final de semana no site do jornal, que pôs na internet todo o seu acervo de quase um século de imprensa. Para quem gosta de viajar no tempo passado em busca de registros de grandes momentos, ou de momentos particularmente interessantes, o acervo digitalizado de O Globo é um banquete irresistível, capaz de puxar a pessoa horas a fio para a frente do computador.

Fica a dica.
 

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nem Freud explica

Notável a exposição de fatos elencada pelo ombudsman da Folha de S. Paulo no artigo abaixo, que trata da injustificável (embora até explicável) puxação de saco editorial e pública em favor do Ronaldo Fenômeno. Se por um lado mostra uma face oba-oba de quinta categoria da imprensa que tanto se vangloria de empunhar o bastião da imparcialidade na busca pela clareza da informação, duela a quien duela, o texto do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva deixa uma questão em aberto: a postura "chupa-mas-não-baba" da Folha tem alcance apenas no campo de jogo ou vai além das quatro linhas, fazendo com que a atuação do Gordo na agitada noite paulistana passe ao largo dos olhos sempre tão atentos da redação dos Frias?

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Nem Freud explica

Carlos Eduardo Lins da Silva

A obsessão deste jornal com o jogador Ronaldo desafia qualquer psiquiatra. Já faz mais de sete meses que ele está no Corinthians e a Folha continua a tratar esse acontecimento como se fosse algo comparável à descoberta da cura do câncer ou a chegada do homem à Lua.

No domingo, além da manchete da página D3 para declará-lo “altruísta” por dar passes para colegas fazerem gols, ainda há uma retranca para informar que à tarde ele jogaria pela primeira vez contra o goleiro Marcos. Não bastaram todas as primeiras vezes (jogo, jogo em São Paulo, gol, jogo no Maracanã, jogo em Minas, jogo contra o Cruzeiro, pênalti). É uma coisa realmente de louco.

Na segunda, lá está ele de novo na capa do jornal. A grande notícia é que ele machucou a mão. Pode-se antever o carnaval que agora será feito com a mão esquerda de Ronaldo.

À compulsão por Ronaldo soma-se a mania que o jornal tem de valorizar demais séries e coincidências históricas e estatísticas. Não faz nenhum sentido o título “Estádio do primeiro gol agora pune Fenômeno”, na página D2. Como “estádio pune?”. Foi por causa do estádio que Ronaldo machucou a mão? E que relação pode haver entre o primeiro gol e a suspeita de fratura na mão?

E a coisa não se limita a Ronaldo. A manchete da página é “Obina decreta o pior revés rival em clássico com Mano” diz ela na edição nacional. Na edição SP a construção é menos tortuosa e um pouco mais compreensível, mas a intenção é a mesma: enfatizar que este foi o pior resultado de Mano Menezes como técnico do Corinthians em clássicos.

Mas que importância tem isso? Se o resultado tivesse sido 2 a 0, qual teria sido a diferença? O lide do texto da manchete destaca outra singularidade que não tem a menor importância objetiva: “A cidade que viu o primeiro gol de Ronaldo com a camisa do Corinthians testemunhou ontem a consagração de Obina.” E daí que foi em Prudente que Ronaldo fez seu primeiro gol e Obina fez três?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Imprensa que eu gamo

Jornalismo, na prática, é igual a andar de moto: por melhor que você seja, por melhor que você faça, uma hora você erra e cai. Não tem jeito, é assim.

A experiência de redação mostra, para os que já passaram por alguma delas, que checar o nome de um entrevistado, muitas vezes, é tão fundamental quanto ter a inspiração necessária na hora de escrever um texto.

A situação é particularmente desagradável: você produz uma matéria linda e enorme, puxada por um baita furo de reportagem, gráficos, números, aspas contundentes... e só depois de publicada é que você nota que o nome do cara é José e não João, ou que o nome da empresa é Mavena e não Vanema.

Babou, já era.

Foi-se por água abaixo, por um detalhezinho sórdido – mas que nessas horas faz toda a diferença – a senha rumo ao Prêmio Esso. E aí, como diz o nosso presidente, "ô meu, sifu...".

Sensação diametralmente oposta se dá quando você está tranquilão em casa num domingo qualquer, lendo o seu jornal, e se depara com uma barriga (erro, no jargão jornalístico) à la Ronaldo Fenômeno. A não ser que seja obra de um amigo seu, o constrangimento geralmente dá lugar ao escracho total.

Afinal, se errar é humano e se o ser humano é o único aninal que ri, logo rir do erro alheio é a coisa mais humana do mundo.

Prova disso é uma área da Folha Online que descobri sem querer no Google, intitulada "Círculo Folha". Uma espécie de toturial do jornal e do site, o local tem uma parte sensacional, e deliciosamente sarcástica, chamada Antologia do Erramos. Trata-se dos erros mais esdrúxulos, inacreditáveis, colossais, boçais, engraçados, impossíveis e humanos publicados na Folha de S. Paulo.

Tem coisas ali absolutamente maravilhosas, cuja maior função, além de nos fazer chorar de rir, é provar por a mais b que a arte de fazer um jornal diário passa pela ofício de limar as falhas nossas de cada dia.

Como canta Roberto Carlos, "somos seres humanos, não somos perfeitos... ainda".

Abaixo, um apanhado das 14 seções da área Antologia do Erramos:

Pérolas datilográficas

"No artigo 'A nova guerra civil', publicado à pág. 5-7 (Mais!) de 1°/10, onde se lê 'uma menina sexualmente retardada...', leia-se 'uma menina mentalmente retardada...';" (8.dez.95)

Heresias

"Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos', à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento." (7.dez.94)

Gaiata ciência

"O quadro da edição de 9/1 de 'Ciência', referente à reportagem 'Viagra para mulher', à pág. 25 do caderno Mais!, indica erroneamente a vagina no local do ânus. No mesmo quadro, o testículo está incorretamente indicado no local do escroto." (14.mar.00)

Impropriedades literárias

"Diferentemente do publicado na pág. Especial 2 (Acontece) do último domingo (29/11), Arnaldo Jabor, e não Nelson Rodrigues, é o autor de 'Eu Sei Que Vou Te Amar'. Além disso, Rodrigues escreveu 'Vestido de Noiva' (e não 'Vestido de Noite'), e Ariano (e não Adriano) Suassuna escreveu 'A História do Amor de Romeu e Julieta'. " (1.dez.98)

A informação como ela não é

"Diferentemente do que foi publicada à pág. 1-5 (Brasil) de 6/6, o nome do prefeito de Araxá não é Geová Pereira da Costa, mas Jeová Moreira da Costa. Seu partido não é o PFL, mas o PL. O nome da secretária municipal de Educação é Romalia Porfírio, não Porfíria. O instrutor-chefe do Tiro de Guerra na cidade é o primeiro-sargento José Roberto Montandon, não tenente Montanom. O nome correto da escola municipal de Araxá é Escola Municipal Dona Gabriela. Os cerca de cem atiradores que reforçaram a segurança do presidente Fernando Henrique Cardoso na cidade não são de elite." (16.jun.95)

Proezas em língua pátria

" A peste pneumônica é transmitida por gotículas de saliva, diferentemente do que informou o texto publicado na pág. 2-10, no dia 24/09." (28.set.94)
Obs: O texto afirmava que a doença era transmitida por filhotes de perdiz. Quem editou o texto procurou um sinônimo para perdigoto, que pode significar tanto salpico de saliva como filhote de perdiz.

Proezas em língua estrangeira

"Diferentemente do que foi publicado à página 2-9 de 29 de maio, na reportagem 'Estrutura política do Brasil é um desastre', a região da Califórnia, nos Estados Unidos, onde se concentram as indústrias de computadores é conhecida como Vale do Silício." (18.jun.94)
Obs: Em inglês, Silicon Valley. Saiu publicado "Vale do Silicone".

Terminologia jurídica

"No título do alto da página 3-5 (São Paulo) de 7/7. 'Patroa é acusada de roubar empregada', a palavra 'roubar' (mediante violência) foi empregada incorretamente. O certo é 'furtar' (sem violência)." (11.jul.95)
Obs: Esse tipo de erro mereceu seis correções entre 1991 e 1996.

O que está por trás dos nomes

"O músico Carlos Santana é guatemalteco, e não mexicano, como informou reportagem à pág. 4-3 (Ilustrada) de ontem." (12.mar.96).
"Diferentemente do que informou ontem esta seção, o músico Carlos Santana é mexicano." (13.mar.96)

A dimensão das coisas

"A reunião do ministro Eliseu Resende com sua equipe durou quatro horas horas e não quatro anos, como foi publicado no caderno Brasil de 28/03." (30.mar.93)

Desserviço ao leitor

"O escritor Mario Vargas Llosa é um dos latino-americanos que participarão no dia 17 do seminário 'Europa e América 1492-1992, o Confronto de Duas Civilizações', em Turim (Itália), e não Federico García Lorca, como foi citado na edição de ontem da Ilustrada, pág. 5-2. Lorca era espanhol e morreu em 1936." (9.mai.91)

Quando um nome passa a ser um problema

"Diferentemente do que foi publicado na edição de ontem (São Paulo), a rodovia que passa pela cidade de Praia Grande chama-se Pedro Taques, e não Pedro Táxi." (20.nov.99)

Confusões histórico-geográficas

"Diferentemente do que foi publicado à pág. 1-14 (Brasil) da edição de 19/3, a Segunda Guerra Mundial começou em 1939, os EUA entraram na guerra em 1941, a Guerra dos Seis Dias foi em 1967, o presidente Richard Nixon (EUA) renunciou em 1974, Margaret Thatcher assumiu o poder no Reino Unido em 1979, o Muro de Berlim caiu em 1989, e o Iraque invadiu o Kuait em 1990." (27.set.95)

Vale mais que mil palavras

"A foto acima, publicada na seção 'Álbum d' viagem' da Revista d' de 8 de março, foi simulada por Fábio Cardoso de Almeida Filho. Ele nunca esteve no deserto de Neguev, em Israel, e a foto foi feita na praia de Santiago, no litoral norte, a 180 Km de São Paulo. A Folha errou também ao chamá-lo de artista plástico." (14.mar.92)

Divirta-se você mesmo em http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/antologia_erramos.htm.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Atchimmm... na minha casa ou na sua?

Da série "Notícias bizarras e suas manchetes maravilhosas":

BBC Brasil: Espirro pode ser sinal de excitação sexual, diz estudo

Só queria saber o que diabos um médico ganha tentando constatar esse tipo de coisa – além de ódio de quem está gripado, claro.

O próximo passo desta importante escalada da ciência moderna deve ser a comprovação de que coçar o olho esquerdo às segundas-feiras significa tendência ao adultério.

O que vai ter de neguinho com conjuntivite apanhando em casa...