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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Ricardo Boechat (1952-2019)


A palavra “âncora”, no universo do jornalismo, significa a função do apresentador com LIBERDADE e CAPACIDADE de analisar criticamente um determinado fato noticioso, além de apenas reportá-lo ao público.

Ricardo Boechat era um ÂNCORA com letras maiúsculas.

Além da liberdade e da capacidade de análise, ele tinha a CORAGEM para dizer aquilo que muitos pensam, mas não dizem num microfone de rádio ou pra uma câmera de televisão.

Esse fará muita falta.

Descanse em paz.

🙏🏼❤️🙌🏼

#RipRicardoBoechat

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Sucesso do Quarteto Dos "Beatles"

Ao lado de dois pequenos anúncios para tratamento de psoríase e hemorróidas, a legenda da foto da agência de notícias UPI relata o tumulto que "os quatro rapazes de Merseyside" (isso mesmo, nada de Liverpool) causaram ao desembarcar no aeroporto de Londres após uma excursão a Estocolmo. O texto fala ainda do rastro de histeria que uma "verdadeira multidão de jovens" deixou na perseguição aos rapazes em emissoras de TV da capital inglesa, dias após o retorno da viagem à Suécia.

A data era 11 de novembro de 1963. Pela primeira vez, o jornal carioca O Globo fazia referência ao grupo formado por "Paul Macartney, Ringo Stars, John Lennon e George Harrison", segundo a grafia impressa na página 26 da edição desse dia. Daí pra frente é história.

A página e a edição histórica que pela primeira vez fala da maior banda de todos os tempos está disponível desde o último final de semana no site do jornal, que pôs na internet todo o seu acervo de quase um século de imprensa. Para quem gosta de viajar no tempo passado em busca de registros de grandes momentos, ou de momentos particularmente interessantes, o acervo digitalizado de O Globo é um banquete irresistível, capaz de puxar a pessoa horas a fio para a frente do computador.

Fica a dica.
 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A graça do jornalismo

Durante o programa CBN Rio de hoje, uma repórter noticiava o assassinato de um jovem por marginais que tentaram roubar, pela manhã, o carro que ele dirigia na cidade de Nova Iguaçu.
 
A repórter, lendo um breve texto, informou que um dos assaltantes havia deixado a carteira de documentos cair durante a ação criminosa, e que isso possivelmente facilitaria o trabalho da Polícia nas investigações.
 
Após o relato da repórter, o âncora do programa, Octávio Guedes, fez questão de confirmar com ela se o ladrão havia mesmo deixado a carteira de identidade cair no assalto, para logo depois soltar uma sonora gargalhada e dizer algo do tipo: "esse aí merece ser preso duas vezes, uma por ser criminoso e outra por ser burro! Hahahahahaha!!!". A outra apresentadora do programa, Lílian Ribeiro, gargalhava junto com Octávio.
 
Aí vieram os comerciais, e as vidas do Octávio, da Lílian e a minha seguiram em frente. Mas aquele momento sublime e sincero de intensa alegria não saiu da minha cabeça durante o dia.
 
Talvez porque as gargalhadas efusivas dos apresentadores do CBN Rio durante o programa, levando para a galhofa escancarada a história de quem morreu "atrapalhando o trânsito", traduzam a mais perfeita e fiel trilha sonora para a falência de princípios e de valores que atingiu em cheio essa minha profissão.
 
Vergonha é pouco para o que eu senti naquele momento por ser jornalista.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A preguiça jornalística me irrita, mesmo num sábado de carnaval

Hoje é dia 13 de fevereiro, sábado de carnaval. Já é noite, eu estou levemente alcoolizado, mas, ainda assim, estou agora intrigado com algo que não me diz respeito. Isso não faz o menor sentido, pois era hora de eu estar em alguma rua ou avenida tratando de permanecer em níveis alcoólicos ainda maiores. Mas dane-se o álcool, eu quero mesmo é expor minha indignação inútil a quem quer que passe por aqui, seja agora ou na quarta-feira de cinzas.

Indignado estou com a preguiça e a indolência que se apossam das pessoas que defendem o jornalismo nos dias de hoje. Ainda que um jornalista não tenha obrigação de ser especialista em tudo, ele tem o deve moral de se resguardar no momento em que faz determinadas assertivas. O resguardo, neste caso, se traduz em apuração. Em disposição em checar dados, números, valores, ordens de grandeza. Note que não estou falando em confrontar opiniões, em pesar a opinião de um contra a de outro. O que falo aqui é de algo absolutamente objetivo.

Se você entrevista um cantor e ele lhe diz, com todos os dentes que tem na boca, que seu último álbum alcançou a vendagem de 50 milhões de cópias numa única semana apenas no Brasil, o jornalista tem o dever, assim que chegar à redação, de levantar se o dado tem o algum fundamento. Caso tenha esse trabalho, será fácil identificar que a informação do cantor não passa de pura cascata, pois o maior vendedor de discos da história da música brasileira (Roberto Carlos) vendeu, em 50 anos de carreira, algo próximo a 100 milhões de cópias. Como alguém pode apresentar metade desse desempenho em apenas uma semana, com um único trabalho?

Digo isso porque, passando o olho nesta noite de folia pelo noticiário de carnaval da internet, vi uma reportagem do portal jornalístico de maior audiência do país dando conta que o bloco Galo da Madrugada, o principal do carnaval do Recife, atraiu neste sábado um contingente de 1,5 milhão de pessoas. Não há, na matéria, qualquer referência quanto à fonte que baseia esse cálculo, nem mesmo se foi uma conta feita no olhômetro de algum responsável pela segurança do evento. Nada. Há apenas a afirmação curta e grossa: "cerca de 1,5 milhão de pessoas". Tudo bem.

Tudo bem coisíssima nenhuma! Caso a criatura que passou a nota para a redação (repórter), ou a que transcreveu a notícia (redator), ou mesmo a que aprovou o texto antes de publicá-lo (editor), tivesse o trabalho "hercúleo" de ir ao site do IBGE, veria que a população da capital pernambucana tem, segundo estimativas populacionais aferidas em 2008, pouco mais de um milhão e meio de habitantes. Cacete, como é possível isso? Se a informação do portal, por um assombro da natureza, estiver correta, significa dizer que TODOS OS SERES HUMANOS (literalmente) que habitam a cidade do Recife se deslocaram para três ou quatro quarteirões da cidade a fim de acompanhar um único bloco de carnaval.

Ou seja, se uma mulher, naquele momento, estivesse prestes a dar a luz, teria que esperar um obstetra da cidade voltar da farra do Galo, onde todas as outras pessoas localizadas na mesma cidade (obstetras ou não) também estariam. Isso se a própria mulher prenha não estivesse também saltitando no frevo recifense. Pode? Não, é claro. E não adianta vir com a tese de que o carnaval do Recife atrai seus milhares de turistas nesta época do ano, porque nem mesmo uma leva de 500 mil forasteiros (num chute otimista) seria suficiente para bancar uma informação como a que circula hoje em inúmeros sites do país. Supondo que Recife tenha abarcado realmente meio milhão de turistas ao mesmo tempo no seu carnaval e que todos eles tenham se deslocado para o Galo da Madrugada, seria preciso que 2/3 da população local - incluindo idosos, crianças, deficientes e inválidos - também tenham optado por dançar o frevo atrás do famoso bloco. Isto, sob quaisquer circunstâncias ou pontos de vista, é absolutamente impossível.

Por que é tão difícil para jornalistas checar informações que parecem tão estranhas à primeira vista? Será mesmo só preguiça, vacilo profissional? Ou haveria algum interesse por trás de números inflados, projeções irreais, estimativas inchadas? Será que é impossível para um jornalista se dar conta que não há chance de todos os habitantes de uma cidade, seja ela uma metrópole ou um vilarejo, se aglomerarem num único espaço, por um mesmo motivo? Estariam eles levemente alcoolizados como eu?

domingo, 4 de outubro de 2009

Tá na cara, tá na capa: o Rio já é 2016!

Pois é, conseguimos. Com a carga negativa de uns, com o azedume pseudo-crítico de outros, o Rio de Janeiro, o Brasil e o povo brasileiro conseguimos aquilo que, há uns oito anos atrás, era um sonho, uma viagem distante: sermos sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Isso apenas dois anos após sediarmos uma Copa do Mundo de Futebol. Os dois maiores eventos do mundo aqui, um atrás do outro.

É evidente que isso significa, na prática, a transferência de responsabilidade para nós. Teremos prazos, metas e desafios numa escala jamais vista para cumprir. Temos condições? Todas. Podemos fazer tudo aquilo que nos cabe com responsabilidade na gestão dos recursos? Também temos, mas aí cabe uma fiscalização direta da população e dos órgãos competentes. Mas temos, sim, condições - disso não tenho dúvida. Condições de fazer, de fato e na prática, as Olimpíadas mais belas da história. O cartão postal está aí, só esperando.

De cara, o Rio já pode contabilizar o primeiro dos benefícios com a decisão do COI na última sexta-feira. O nome da cidade, e me arrisco a dizer que do próprio país, jamais teve a repercussão que teve neste sábado em todo o planeta. Não só pelo ineditismo de os Jogos chegarem à primeira vez ao Brasil e à América do Sul, mas também pela nova imagem que o país tem aos olhos do mundo. Parafraseando a insinuação feita pelo presidente Lula, o velho complexo de vira-latas realmente ficou para trás.

Abaixo, um apanhado de algumas capas de jornais nacionais e estrangeiros deste sábado, destacando com imagens a festa em Copacabana, após a confirmação do Rio de Janeiro Olímpico. Do Rio de 2016, no centro do mundo.




















quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Um dia estranhamente tranquilo


Hoje acordei num dia estranhamente tranquilo, bonito, azulado. Um dia que em nada lembra o cenário de terror de ontem, no qual jornalistas, policiais e transeuntes eram alvejados em linhas de tiros por traficantes entocados em algumas favelas da cidade.

Imagens exibidas ontem pela Globonews mostraram repórteres, PMs e motoristas se protegendo de rajadas ininterruptas, sendo que alguns não conseguiram a tempo e acabaram feridos pelos estilhaços dos projéteis. Isso em Vicente de Carvalho. No Engenho de Dentro, outro subúrbio, dois seguranças do presidente da Cedae foram assassinados em uma emboscada de possíveis assaltantes, que não roubaram o carro que servia ao executivo. Outras cenas de violência explícita aconteceram na cidade, incluindo um sequestro de ônibus.

A pessoa que lê essas mal traçadas linhas neste momento deve se perguntar: "Qual a estranheza disso tudo, se afinal você está falando de violência e Rio de Janeiro, dois termos quase que sinônimos?". O que me intriga nisso tudo é a forma absolutamente solene como o jornal O Globo ignorou os fatos citados na sua edição de hoje. Na verdade, pequenas reportagens no meio do caderno Rio abordaram en passant os ocorridos, como se se tratassem de uma batida qualquer que atrapalhou o trânsito na Lagoa ou de uma obra inconveniente da prefeitura na Tijuca. Fatos quaisquer.

O Globo, é bom lembrar, criou há alguns anos uma série permanente para as tragédias da violência pública carioca, intitulada "A Guerra do Rio". "A Guerra do Rio" serve para designar assaltos seguidos de morte, guerras entre policiais e traficantes, guerras entre traficantes e traficantes, ações de criminosos nas ruas, mortes com balas perdidas e tudo mais que cabe no espectro da criminalidade urbana de uma cidade como o Rio de Janeiro.

Ontem, depois de assistir estarrecido às cenas pela TV, pensei: "Amanhã o jornal vai manchetar isso tudo, tenho certeza!". Enganei-me redondamente. Nada, rigorosamente nada, na primeira página de O Globo remete a esta quarta-feira de cão. Nem o destaque do caderno de cidade é dedicado à série de sinistros.

O lapso editorial – chamemos assim – do único jornal de alcance nacional sediado na cidade lembra a postura desatenta que sempre marcou a cobertura dos casos de violência na periferia de São Paulo pelos dois grandes jornais paulistas (Folha e Estadão). Estes sempre me pareceram muito mais ligados nas trocas de tiros do Complexo do Alemão do que nas chacinas do Capão Redondo. Talvez por uma questão meramente editorial, talvez por motivações político-empresariais, a imprensa sempre entrou muito mais pesado na roleta-russa da violência urbana do Rio do que na de São Paulo.

Não sei o que pode ter realmente motivado essa súbita e inesperada tirada de pé na cobertura de mais um capítulo do caos social que nos aflige, do Leblon ao Engenhão. Uma pista pode estar nas próprias páginas do jornal da família Marinho – do qual sou assinante já faz mais de década: o destaque dado ao apoio do presidente americano Barack Obama à candidatura de Chicago para as Olimpíadas de 2016 foi bem maior que qualquer caso de violência ocorrido ontem. E o Rio está nessa disputa (com reais chances de ganhar), todos nós sabemos.

Seria esse um caso em que o jornalismo opta pela omissão na abordagem dos fatos na sua real dimensão em prol da busca por algo redentor para o coletivo?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O diploma e o buço

No dia da mentira, uma... uma... ehhh... bem, uma constatação travestida de notícia que parece sacanagem, ou piada, mas não é.

O Fuxico: Priscila faz o buço usando um alicate

A propósito, o Supremo Tribunal Federal deve julgar em breve se mantém ou não a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Gostaria que os nobres ministros tivessem acesso ao "conteúdo" acima para fundamentar melhor suas decisões. Sim, porque me parece que até uma chinchila com defasagem mental seria capaz de produzir e editar esse tipo de "fato jornalístico".

Pensando bem, acho que uma chinchila com defasagem mental saberia que notícia mesmo não é ver a Priscila fazendo o buço, mas sim a buça.

Desculpe, foi mais forte do que eu.