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quinta-feira, 31 de julho de 2014
Hermes e Renato e o gênio Fausto Fanti
A geração laudatória dos stand ups feitos pela coxice conservadora para a classe-média-sapatênis talvez jamais entenda o ponto ótimo da genialidade mambembe num humor como o de Hermes e Renato.
A linha tosca do escracho canalha é a mesma dos primeiros anos de Os Trapalhões – coisa que muitos tentaram, mas pouquíssimos conseguiram captar. HeR emulou esse espírito para fazer algo novo para a época (final dos '90 e boa parte dos '00), com maior grau de anarquia e liberdade.
Despretensiosamente, fizeram história no humor brasileiro, de verdade, influenciando inclusive muitos dos que surfam por aí sem apresentar a metade do talento dos caras.
A patrulha politicamente correta e hipócrita do Facebook talvez não consiga sacar a dose cavalar de ironia e deboche contida nas paródias hiperbólicas e nos personagens mal acabados de HeR.
Um dos muitos registros geniais da trupe no YouTube (veja aqui) mostra o sarcasmo com as estrelas da stand up comedy – cuja maioria pensa o humor e o mundo de forma tão ou mais quadrada que qualquer velha-guarda da Praça É Nossa. Para HeR era um prato cheio ver péla-sacos dando sopa para piadas.
Mas fica a dúvida: quem vai se lembrar do monstro criativo que foi Fausto Fanti, falecido neste infeliz 30 de julho de 2014, daqui a 10 ou a 15 anos? "Foda-se, o Renato era foda!", diria Hermes, trabalhando o seu vocabulário refinado. E era foda mesmo.
Neste mundo blasé e cheio de falsas verdades, esse maluco aí fazer uma falta absurda.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
OLTN

Depois que o Bussunda morreu, e lá se vão quatro anos, nunca mais vi o "Casseta e Planeta" como antes. Parece meio bobo, mas fato é que eu não consigo me acostumar quando um(a) cara jovem morre das chamadas "causas naturais", que nada têm a ver com acidentes, desastres naturais ou violência.
O mais carismático dos cassetas estava apenas batendo uma bola, jogando uma inocente pelada de fim de tarde, nos arredores do hotel onde estava hospedado na Alemanha, durante a cobertura da Copa do Mundo. Não resistiu. Parou de jogar, voltou pro hotel, entrou no quarto e pimba!, caiu duro. Uma coisa escrota, como convém a uma morte absolutamente inesperada e sem sentido. Morte não tem que ter sentido, eu sei, mas algumas não dá nem pra tentar entender.
Nesses dias de TPC (Tensão Pré-Copa) e do recente lançamento da sua biografia, escrita com muita competência pelo Guilherme Fiuza, tenho lembrado constantemente do Bussunda. Da sua cara de gente do bem, das suas impagáveis imitações femininas, da sua paixão avassaladora pelo Flamengo, de como seria a sua presença na África do Sul (quem ele imitaria na seleção, o Kaká?)... Aliás, se tem alguém que faz falta na legião twitteira, esse alguém é o Bussunda. Faz falta o seu humor com categoria, sem baixar o nível pra fazer polêmica. O lance dele era fazer rir, apenas.
Tenho uma história muito boa com o Bussunda. Numa edição de décadas atrás da Bienal do Livro do Rio, estava acompanhando um debate no Café Literário sobre "o humor nos dias de hoje", ou algo do tipo, no qual estavam presentes ele, Hélio de La Peña, Marcelo Madureira, Luiz Fernando Novaes e uma escritora de cujo nome não me recordo. Eu estava sentado próximo ao palco. Em determinado momento do debate, aproveitei um instante de distração dele e dei um livro de piadas do Casseta, que tinha acabado de comprar, para os três integrantes do grupo autografarem ali mesmo. O problema surgiu quando eles sinalizaram com a cabeça perguntando o meu nome...
Como eu não podia responder em voz alta, pois o debate ainda estava transcorrendo, comecei a fazer o movimento labial devagar, mas sem o som da voz, numa tentativa de dizer Oldon – um nome, convenhamos, pra lá de exótico. O-L-D-O-N, fiz com a boca, recheando cada letra. Nada dele decifrar. O Hélio entrou no jogo de adivinhação e, do palco, listava alguns nomes pra mim, movimentando a boca mas sem emitir som:
- "O que, como é o teu nome? Ofon? Olom? Omar? Paulo?" – perguntava de La Peña.
Depois de alguns minutos em que eu tentava inutilmente algum sucesso numa mímica labial amadora em meio a centenas de pessoas (que a essa altura já tinham notado o inusitado da situação), Bussunda chutou o balde. Abriu o livro que estava em sua posse, sacou uma caneta e mandou a seguinte dedicatória a este sujeito de nome incompreensível que ora vos escreve:
"Valeu, OLTN (Obrigações e Letras do Tesouro Nacional). Seu nome é melhor que qualquer piada deste livro. Abraços do Bussunda".
Nunca ri tanto ao ser sacaneado por alguém. Até porque ter sido sacaneado pelo Bussunda, pra mim, foi uma honra.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Quero morrer pretis se eu tiver mentindis!
"Casa, comida, roupa lavada, três milhão por mês fora o bafo no cangote. Vai ou fiquis?".
Sambista, tocador de reco-reco, agitador de pagode e um dos mais engraçados personagens da comédia brasileira, Mussum, o eterno Mumu da Mangueiris, é uma daquelas figuras que transcendem ao tempo. Meu sobrinho de seis anos, ao ver pela primeira vez suas pirulitadas no DVD dos Trapalhões que comprei recentemente, falava dele no dia seguinte como se fosse uma criança no início dos anos 80, quando estar diante da televisão aos domingos a partir das sete da noite era programa obrigatório pra todo mundo.
O humor do Mussum é de uma linhagem nobre, assinada embaixo por outros gênios como Oscarito e Grande Otelo. Caricato nos trejeitos e no gingado, representa aquele canastrão desastrado que procura um jeito de sair das enrascadas em que ele mesmo se coloca. A graça que deriva dessas situações não morre nunca. Qualquer um que viveu aquela época e que assiste hoje os esquetes dos bons tempos dos Trapalhões fica com uma sensação imediata de "eu era feliz e sabia!".
Ao lado do cearense talhado que sempre procura se dar bem, do mineirinho come-quieto infantil e do paulista que se ferra quando tenta armar pra cima dos outros, o carioca do morro metido a malandro, mas cheio de suingue, fez uma geração inteira de seguidores durante quase 20 anos de horário nobre, o que ajudava também a alavancar as grandes bilheterias do cinema nacional pré-crise. O tema de abertura da orquestra de Zé Menezes, combinada com a vinheta animada, era a senha para algo que as crianças regadas ao Nicks e Cartoons de hoje jamais verão nas TVs a cabo. Talvez aí resida a explicação para a audiência histórica, constante e elevada das infindáveis reprises da dupla Chaves e Chapolin no SBT.
No dia dedicado ao grande Mussum, um dos patronos deste humilde repositório virtual de idéias rasas, proponho um brinde à boa nostalgia, que nos dá orgulho de ter vivido coisas que o tempo jamais apagará da lembrança.
Sambista, tocador de reco-reco, agitador de pagode e um dos mais engraçados personagens da comédia brasileira, Mussum, o eterno Mumu da Mangueiris, é uma daquelas figuras que transcendem ao tempo. Meu sobrinho de seis anos, ao ver pela primeira vez suas pirulitadas no DVD dos Trapalhões que comprei recentemente, falava dele no dia seguinte como se fosse uma criança no início dos anos 80, quando estar diante da televisão aos domingos a partir das sete da noite era programa obrigatório pra todo mundo.
O humor do Mussum é de uma linhagem nobre, assinada embaixo por outros gênios como Oscarito e Grande Otelo. Caricato nos trejeitos e no gingado, representa aquele canastrão desastrado que procura um jeito de sair das enrascadas em que ele mesmo se coloca. A graça que deriva dessas situações não morre nunca. Qualquer um que viveu aquela época e que assiste hoje os esquetes dos bons tempos dos Trapalhões fica com uma sensação imediata de "eu era feliz e sabia!".
Ao lado do cearense talhado que sempre procura se dar bem, do mineirinho come-quieto infantil e do paulista que se ferra quando tenta armar pra cima dos outros, o carioca do morro metido a malandro, mas cheio de suingue, fez uma geração inteira de seguidores durante quase 20 anos de horário nobre, o que ajudava também a alavancar as grandes bilheterias do cinema nacional pré-crise. O tema de abertura da orquestra de Zé Menezes, combinada com a vinheta animada, era a senha para algo que as crianças regadas ao Nicks e Cartoons de hoje jamais verão nas TVs a cabo. Talvez aí resida a explicação para a audiência histórica, constante e elevada das infindáveis reprises da dupla Chaves e Chapolin no SBT.
No dia dedicado ao grande Mussum, um dos patronos deste humilde repositório virtual de idéias rasas, proponho um brinde à boa nostalgia, que nos dá orgulho de ter vivido coisas que o tempo jamais apagará da lembrança.
Bota esse mé no copo e vamo bebê, cacildis!
quarta-feira, 1 de abril de 2009
O diploma e o buço
No dia da mentira, uma... uma... ehhh... bem, uma constatação travestida de notícia que parece sacanagem, ou piada, mas não é.
O Fuxico: Priscila faz o buço usando um alicate
A propósito, o Supremo Tribunal Federal deve julgar em breve se mantém ou não a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Gostaria que os nobres ministros tivessem acesso ao "conteúdo" acima para fundamentar melhor suas decisões. Sim, porque me parece que até uma chinchila com defasagem mental seria capaz de produzir e editar esse tipo de "fato jornalístico".
Pensando bem, acho que uma chinchila com defasagem mental saberia que notícia mesmo não é ver a Priscila fazendo o buço, mas sim a buça.
Desculpe, foi mais forte do que eu.
O Fuxico: Priscila faz o buço usando um alicate
A propósito, o Supremo Tribunal Federal deve julgar em breve se mantém ou não a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Gostaria que os nobres ministros tivessem acesso ao "conteúdo" acima para fundamentar melhor suas decisões. Sim, porque me parece que até uma chinchila com defasagem mental seria capaz de produzir e editar esse tipo de "fato jornalístico".
Pensando bem, acho que uma chinchila com defasagem mental saberia que notícia mesmo não é ver a Priscila fazendo o buço, mas sim a buça.
Desculpe, foi mais forte do que eu.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Galvão Bueno italiano solta a franga
É sensacional, só vendo (e ouvindo) pra ter ideia da histeria do narrador com o gol do Júlio Baptista:
Haaaaaja vibração, amigo!
Haaaaaja vibração, amigo!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Imprensa que eu gamo
Jornalismo, na prática, é igual a andar de moto: por melhor que você seja, por melhor que você faça, uma hora você erra e cai. Não tem jeito, é assim.
A experiência de redação mostra, para os que já passaram por alguma delas, que checar o nome de um entrevistado, muitas vezes, é tão fundamental quanto ter a inspiração necessária na hora de escrever um texto.
A situação é particularmente desagradável: você produz uma matéria linda e enorme, puxada por um baita furo de reportagem, gráficos, números, aspas contundentes... e só depois de publicada é que você nota que o nome do cara é José e não João, ou que o nome da empresa é Mavena e não Vanema.
Babou, já era.
Foi-se por água abaixo, por um detalhezinho sórdido – mas que nessas horas faz toda a diferença – a senha rumo ao Prêmio Esso. E aí, como diz o nosso presidente, "ô meu, sifu...".
Sensação diametralmente oposta se dá quando você está tranquilão em casa num domingo qualquer, lendo o seu jornal, e se depara com uma barriga (erro, no jargão jornalístico) à la Ronaldo Fenômeno. A não ser que seja obra de um amigo seu, o constrangimento geralmente dá lugar ao escracho total.
Afinal, se errar é humano e se o ser humano é o único aninal que ri, logo rir do erro alheio é a coisa mais humana do mundo.
Prova disso é uma área da Folha Online que descobri sem querer no Google, intitulada "Círculo Folha". Uma espécie de toturial do jornal e do site, o local tem uma parte sensacional, e deliciosamente sarcástica, chamada Antologia do Erramos. Trata-se dos erros mais esdrúxulos, inacreditáveis, colossais, boçais, engraçados, impossíveis e humanos publicados na Folha de S. Paulo.
Tem coisas ali absolutamente maravilhosas, cuja maior função, além de nos fazer chorar de rir, é provar por a mais b que a arte de fazer um jornal diário passa pela ofício de limar as falhas nossas de cada dia.
Como canta Roberto Carlos, "somos seres humanos, não somos perfeitos... ainda".
Abaixo, um apanhado das 14 seções da área Antologia do Erramos:
Pérolas datilográficas
"No artigo 'A nova guerra civil', publicado à pág. 5-7 (Mais!) de 1°/10, onde se lê 'uma menina sexualmente retardada...', leia-se 'uma menina mentalmente retardada...';" (8.dez.95)
Heresias
"Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos', à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento." (7.dez.94)
Gaiata ciência
"O quadro da edição de 9/1 de 'Ciência', referente à reportagem 'Viagra para mulher', à pág. 25 do caderno Mais!, indica erroneamente a vagina no local do ânus. No mesmo quadro, o testículo está incorretamente indicado no local do escroto." (14.mar.00)
Impropriedades literárias
"Diferentemente do publicado na pág. Especial 2 (Acontece) do último domingo (29/11), Arnaldo Jabor, e não Nelson Rodrigues, é o autor de 'Eu Sei Que Vou Te Amar'. Além disso, Rodrigues escreveu 'Vestido de Noiva' (e não 'Vestido de Noite'), e Ariano (e não Adriano) Suassuna escreveu 'A História do Amor de Romeu e Julieta'. " (1.dez.98)
A informação como ela não é
"Diferentemente do que foi publicada à pág. 1-5 (Brasil) de 6/6, o nome do prefeito de Araxá não é Geová Pereira da Costa, mas Jeová Moreira da Costa. Seu partido não é o PFL, mas o PL. O nome da secretária municipal de Educação é Romalia Porfírio, não Porfíria. O instrutor-chefe do Tiro de Guerra na cidade é o primeiro-sargento José Roberto Montandon, não tenente Montanom. O nome correto da escola municipal de Araxá é Escola Municipal Dona Gabriela. Os cerca de cem atiradores que reforçaram a segurança do presidente Fernando Henrique Cardoso na cidade não são de elite." (16.jun.95)
Proezas em língua pátria
" A peste pneumônica é transmitida por gotículas de saliva, diferentemente do que informou o texto publicado na pág. 2-10, no dia 24/09." (28.set.94)
Obs: O texto afirmava que a doença era transmitida por filhotes de perdiz. Quem editou o texto procurou um sinônimo para perdigoto, que pode significar tanto salpico de saliva como filhote de perdiz.
Proezas em língua estrangeira
"Diferentemente do que foi publicado à página 2-9 de 29 de maio, na reportagem 'Estrutura política do Brasil é um desastre', a região da Califórnia, nos Estados Unidos, onde se concentram as indústrias de computadores é conhecida como Vale do Silício." (18.jun.94)
Obs: Em inglês, Silicon Valley. Saiu publicado "Vale do Silicone".
Terminologia jurídica
"No título do alto da página 3-5 (São Paulo) de 7/7. 'Patroa é acusada de roubar empregada', a palavra 'roubar' (mediante violência) foi empregada incorretamente. O certo é 'furtar' (sem violência)." (11.jul.95)
Obs: Esse tipo de erro mereceu seis correções entre 1991 e 1996.
O que está por trás dos nomes
"O músico Carlos Santana é guatemalteco, e não mexicano, como informou reportagem à pág. 4-3 (Ilustrada) de ontem." (12.mar.96).
"Diferentemente do que informou ontem esta seção, o músico Carlos Santana é mexicano." (13.mar.96)
A dimensão das coisas
"A reunião do ministro Eliseu Resende com sua equipe durou quatro horas horas e não quatro anos, como foi publicado no caderno Brasil de 28/03." (30.mar.93)
Desserviço ao leitor
"O escritor Mario Vargas Llosa é um dos latino-americanos que participarão no dia 17 do seminário 'Europa e América 1492-1992, o Confronto de Duas Civilizações', em Turim (Itália), e não Federico García Lorca, como foi citado na edição de ontem da Ilustrada, pág. 5-2. Lorca era espanhol e morreu em 1936." (9.mai.91)
Quando um nome passa a ser um problema
"Diferentemente do que foi publicado na edição de ontem (São Paulo), a rodovia que passa pela cidade de Praia Grande chama-se Pedro Taques, e não Pedro Táxi." (20.nov.99)
Confusões histórico-geográficas
"Diferentemente do que foi publicado à pág. 1-14 (Brasil) da edição de 19/3, a Segunda Guerra Mundial começou em 1939, os EUA entraram na guerra em 1941, a Guerra dos Seis Dias foi em 1967, o presidente Richard Nixon (EUA) renunciou em 1974, Margaret Thatcher assumiu o poder no Reino Unido em 1979, o Muro de Berlim caiu em 1989, e o Iraque invadiu o Kuait em 1990." (27.set.95)
Vale mais que mil palavras
"A foto acima, publicada na seção 'Álbum d' viagem' da Revista d' de 8 de março, foi simulada por Fábio Cardoso de Almeida Filho. Ele nunca esteve no deserto de Neguev, em Israel, e a foto foi feita na praia de Santiago, no litoral norte, a 180 Km de São Paulo. A Folha errou também ao chamá-lo de artista plástico." (14.mar.92)
Divirta-se você mesmo em http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/antologia_erramos.htm.
A experiência de redação mostra, para os que já passaram por alguma delas, que checar o nome de um entrevistado, muitas vezes, é tão fundamental quanto ter a inspiração necessária na hora de escrever um texto.
A situação é particularmente desagradável: você produz uma matéria linda e enorme, puxada por um baita furo de reportagem, gráficos, números, aspas contundentes... e só depois de publicada é que você nota que o nome do cara é José e não João, ou que o nome da empresa é Mavena e não Vanema.
Babou, já era.
Foi-se por água abaixo, por um detalhezinho sórdido – mas que nessas horas faz toda a diferença – a senha rumo ao Prêmio Esso. E aí, como diz o nosso presidente, "ô meu, sifu...".
Sensação diametralmente oposta se dá quando você está tranquilão em casa num domingo qualquer, lendo o seu jornal, e se depara com uma barriga (erro, no jargão jornalístico) à la Ronaldo Fenômeno. A não ser que seja obra de um amigo seu, o constrangimento geralmente dá lugar ao escracho total.
Afinal, se errar é humano e se o ser humano é o único aninal que ri, logo rir do erro alheio é a coisa mais humana do mundo.
Prova disso é uma área da Folha Online que descobri sem querer no Google, intitulada "Círculo Folha". Uma espécie de toturial do jornal e do site, o local tem uma parte sensacional, e deliciosamente sarcástica, chamada Antologia do Erramos. Trata-se dos erros mais esdrúxulos, inacreditáveis, colossais, boçais, engraçados, impossíveis e humanos publicados na Folha de S. Paulo.
Tem coisas ali absolutamente maravilhosas, cuja maior função, além de nos fazer chorar de rir, é provar por a mais b que a arte de fazer um jornal diário passa pela ofício de limar as falhas nossas de cada dia.
Como canta Roberto Carlos, "somos seres humanos, não somos perfeitos... ainda".
Abaixo, um apanhado das 14 seções da área Antologia do Erramos:
Pérolas datilográficas
"No artigo 'A nova guerra civil', publicado à pág. 5-7 (Mais!) de 1°/10, onde se lê 'uma menina sexualmente retardada...', leia-se 'uma menina mentalmente retardada...';" (8.dez.95)
Heresias
"Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos', à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento." (7.dez.94)
Gaiata ciência
"O quadro da edição de 9/1 de 'Ciência', referente à reportagem 'Viagra para mulher', à pág. 25 do caderno Mais!, indica erroneamente a vagina no local do ânus. No mesmo quadro, o testículo está incorretamente indicado no local do escroto." (14.mar.00)
Impropriedades literárias
"Diferentemente do publicado na pág. Especial 2 (Acontece) do último domingo (29/11), Arnaldo Jabor, e não Nelson Rodrigues, é o autor de 'Eu Sei Que Vou Te Amar'. Além disso, Rodrigues escreveu 'Vestido de Noiva' (e não 'Vestido de Noite'), e Ariano (e não Adriano) Suassuna escreveu 'A História do Amor de Romeu e Julieta'. " (1.dez.98)
A informação como ela não é
"Diferentemente do que foi publicada à pág. 1-5 (Brasil) de 6/6, o nome do prefeito de Araxá não é Geová Pereira da Costa, mas Jeová Moreira da Costa. Seu partido não é o PFL, mas o PL. O nome da secretária municipal de Educação é Romalia Porfírio, não Porfíria. O instrutor-chefe do Tiro de Guerra na cidade é o primeiro-sargento José Roberto Montandon, não tenente Montanom. O nome correto da escola municipal de Araxá é Escola Municipal Dona Gabriela. Os cerca de cem atiradores que reforçaram a segurança do presidente Fernando Henrique Cardoso na cidade não são de elite." (16.jun.95)
Proezas em língua pátria
" A peste pneumônica é transmitida por gotículas de saliva, diferentemente do que informou o texto publicado na pág. 2-10, no dia 24/09." (28.set.94)
Obs: O texto afirmava que a doença era transmitida por filhotes de perdiz. Quem editou o texto procurou um sinônimo para perdigoto, que pode significar tanto salpico de saliva como filhote de perdiz.
Proezas em língua estrangeira
"Diferentemente do que foi publicado à página 2-9 de 29 de maio, na reportagem 'Estrutura política do Brasil é um desastre', a região da Califórnia, nos Estados Unidos, onde se concentram as indústrias de computadores é conhecida como Vale do Silício." (18.jun.94)
Obs: Em inglês, Silicon Valley. Saiu publicado "Vale do Silicone".
Terminologia jurídica
"No título do alto da página 3-5 (São Paulo) de 7/7. 'Patroa é acusada de roubar empregada', a palavra 'roubar' (mediante violência) foi empregada incorretamente. O certo é 'furtar' (sem violência)." (11.jul.95)
Obs: Esse tipo de erro mereceu seis correções entre 1991 e 1996.
O que está por trás dos nomes
"O músico Carlos Santana é guatemalteco, e não mexicano, como informou reportagem à pág. 4-3 (Ilustrada) de ontem." (12.mar.96).
"Diferentemente do que informou ontem esta seção, o músico Carlos Santana é mexicano." (13.mar.96)
A dimensão das coisas
"A reunião do ministro Eliseu Resende com sua equipe durou quatro horas horas e não quatro anos, como foi publicado no caderno Brasil de 28/03." (30.mar.93)
Desserviço ao leitor
"O escritor Mario Vargas Llosa é um dos latino-americanos que participarão no dia 17 do seminário 'Europa e América 1492-1992, o Confronto de Duas Civilizações', em Turim (Itália), e não Federico García Lorca, como foi citado na edição de ontem da Ilustrada, pág. 5-2. Lorca era espanhol e morreu em 1936." (9.mai.91)
Quando um nome passa a ser um problema
"Diferentemente do que foi publicado na edição de ontem (São Paulo), a rodovia que passa pela cidade de Praia Grande chama-se Pedro Taques, e não Pedro Táxi." (20.nov.99)
Confusões histórico-geográficas
"Diferentemente do que foi publicado à pág. 1-14 (Brasil) da edição de 19/3, a Segunda Guerra Mundial começou em 1939, os EUA entraram na guerra em 1941, a Guerra dos Seis Dias foi em 1967, o presidente Richard Nixon (EUA) renunciou em 1974, Margaret Thatcher assumiu o poder no Reino Unido em 1979, o Muro de Berlim caiu em 1989, e o Iraque invadiu o Kuait em 1990." (27.set.95)
Vale mais que mil palavras
"A foto acima, publicada na seção 'Álbum d' viagem' da Revista d' de 8 de março, foi simulada por Fábio Cardoso de Almeida Filho. Ele nunca esteve no deserto de Neguev, em Israel, e a foto foi feita na praia de Santiago, no litoral norte, a 180 Km de São Paulo. A Folha errou também ao chamá-lo de artista plástico." (14.mar.92)
Divirta-se você mesmo em http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/antologia_erramos.htm.
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