Mostrando postagens com marcador Flamengo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Flamengo. Mostrar todas as postagens
domingo, 24 de novembro de 2019
quinta-feira, 19 de abril de 2018
A gestão off-futebol
Todos nós flamenguistas, de uma forma ou de outra, em algum momento ao longo dos cinco anos e pouco dessa gestão, nos iludimos com as perspetivas encantadoras trazidas por frases de efeito como “o ano mágico que vai chegar”, “a potência que está surgindo”, “os outros vão comer poeira atrás da gente”, “endinheirado e estruturado, ninguém vai segurar o Mengão” e por aí vai.
Muito desse discurso, registre-se, insuflado por membros da diretoria ao longo desses cinco anos e pouco.
Acontece que a realidade trouxe um cenário diferente de tudo isso, refletindo-se em derrotas inesperadas, fracassos que não combinavam com o quadro pintado a ouro e decepções sucessivas, fora do esquadro que fez muitos torcedores ignorarem que futebol se ganha dentro de campo, com qualidades que muitas vezes nem todo dinheiro do mundo pode comprar.
Dos mais crentes aos mais céticos, muitos de nós acabamos nos deixando levar por um ar de arrogância que jamais combinou com a história de suor de povo do manto rubro-negro.
Trabalhar com mais uma possibilidade real de novo baque – a humilhação monstra de uma quarta eliminação seguida na suposta prioridade do calendário – só vai expor ao famigerado arco-íris (das torcidas adversárias à imprensa anti) mais um dos inúmeros erros na condução do carro-chefe do Flamengo, justamente em um momento importantíssimo de reconstrução em diversas outras áreas do clube.
Uma ironia cruel para o torcedor que se permitiu sonhar acordado antevendo um domínio que nunca, jamais chegou perto de existir na realidade. Desilusão é o nome disso.
A gestão Bandeira de Mello, com todos os seus inegáveis méritos administrativos, também será cobrada no curso da história pelos seus deméritos quando o assunto for campo e bola – afinal, como diz o apolinho Washington Rodrigues, o Flamengo nada mais é do que um gigante que se alimenta de vitórias.
Que elas possam voltar, no campo e na bola, com pouco ou muito dinheiro, mas sempre com a mítica alma rubro-negra, a partir do ano que vem.
SRN
Muito desse discurso, registre-se, insuflado por membros da diretoria ao longo desses cinco anos e pouco.
Acontece que a realidade trouxe um cenário diferente de tudo isso, refletindo-se em derrotas inesperadas, fracassos que não combinavam com o quadro pintado a ouro e decepções sucessivas, fora do esquadro que fez muitos torcedores ignorarem que futebol se ganha dentro de campo, com qualidades que muitas vezes nem todo dinheiro do mundo pode comprar.
Dos mais crentes aos mais céticos, muitos de nós acabamos nos deixando levar por um ar de arrogância que jamais combinou com a história de suor de povo do manto rubro-negro.
Trabalhar com mais uma possibilidade real de novo baque – a humilhação monstra de uma quarta eliminação seguida na suposta prioridade do calendário – só vai expor ao famigerado arco-íris (das torcidas adversárias à imprensa anti) mais um dos inúmeros erros na condução do carro-chefe do Flamengo, justamente em um momento importantíssimo de reconstrução em diversas outras áreas do clube.
Uma ironia cruel para o torcedor que se permitiu sonhar acordado antevendo um domínio que nunca, jamais chegou perto de existir na realidade. Desilusão é o nome disso.
A gestão Bandeira de Mello, com todos os seus inegáveis méritos administrativos, também será cobrada no curso da história pelos seus deméritos quando o assunto for campo e bola – afinal, como diz o apolinho Washington Rodrigues, o Flamengo nada mais é do que um gigante que se alimenta de vitórias.
Que elas possam voltar, no campo e na bola, com pouco ou muito dinheiro, mas sempre com a mítica alma rubro-negra, a partir do ano que vem.
SRN
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Um erro perigoso
Da parte visitante, a impressão que ficou é que praticamente ninguém parecia estar se importando muito com o Botafogo x Flamengo do Engenhão, valendo pelo returno do Brasileirão. Da direção do Clube aos jogadores, passando pela Comissão Técnica e pelos formadores de opinião / influenciadores, pouco se ouviu e se falou até pouco antes da partida.
Uma pena e um erro, que só expõe a forma torta como se enxerga e se trabalha o principal produto do futebol nacional. Fazer do Campeonato Brasileiro um apêndice de outras "prioridades" (Libertadores, Copa do Brasil, Sul-americana) é jogar fora, às vezes muito cedo, o ganha-pão dos clubes durante a maior parte do calendário. Repito: uma pena e um erro.
O reflexo disso, meio óbvio até, é que a própria torcida passa também a não se importar com a competição. Aí não é só um erro: é um perigo. Ontem, em um clássico local disputado no Rio de Janeiro e valendo posição importante na tabela, tivemos a vergonhosa marca de 238 flamenguistas apoiando o time no estádio. DUZENTAS E TRINTA E OITO PESSOAS.
Jogo oficial. Clássico. Campeonato Brasileiro. Rio. Tempo bom. Time no G6.
Qual a desculpa? Preço do ingresso? Crise? Violência?
Para mim, nada justifica um público desse.
Talvez tenhamos tido ontem, neste triste Botafogo 2 x 0 Flamengo, um histórico recorde negativo de público rubro-negro em estádio em se tratando de um clássico local, disputado dentro da cidade e valendo pontos.
Uma vergonha completa.
terça-feira, 15 de agosto de 2017
Há 20 anos, um acachapante Flamengo 3 x 0 Real Madrid
Há exatos 20 anos, em 15 de agosto de 1997, o Flamengo MORALIZAVA o poderoso Real Madrid – então campeão espanhol – pelo Torneiro Palma de Mallorca, na Espanha. Sapecou nada menos que um 3 x 0 sem dó, com gols de Maurinho (é seleção!), Lúcio Bala e Sávio – este, aliás, acabaria se transferindo para a equipe merengue logo após a bela atuação pelo rubro-negro.
Hoje, além de raros, os confrontos entre brasileiros e europeus infelizmente expõem, quando ocorrem, o abismo colossal entre os dois mercados, algo que duas décadas atrás não existia nessa proporção gigantesca.
Em tempo: esta foi a última vez em que as duas equipes se enfrentaram, com mais dois jogos tendo sido realizados em 1978. O Flamengo tem duas vitórias e o Real Madrid, uma.
Partida: Flamengo 3 x 0 Real Madrid
Data: 15/08/1997
Local: Estádio Carlos Belmonte, Mallorca (ESP)
Competição: Torneio Palma de Mallorca (torneio amistoso internacional)
Flamengo: Clemer; Fábio Baiano (Leandro Neto), Júnior Baiano (Juan), Luís Alberto e Gilberto; Jamir (Bruno Quadros), Jorginho, Maurinho e Sávio (Iranildo); Renato Gaúcho (Rodrigo Mendes) e Lúcio. Téc.: Paulo Autuori.
Real Madrid: Cañizares; Secretário, Sanches (Vitor), Panucci (Chendo) e Karanka; Jaime, Seedorf (Gutti), Amavisca (Zé Roberto) e Mijatovic; Raul e Suker. Téc.: Jupp Heynckes.
Hoje, além de raros, os confrontos entre brasileiros e europeus infelizmente expõem, quando ocorrem, o abismo colossal entre os dois mercados, algo que duas décadas atrás não existia nessa proporção gigantesca.
Em tempo: esta foi a última vez em que as duas equipes se enfrentaram, com mais dois jogos tendo sido realizados em 1978. O Flamengo tem duas vitórias e o Real Madrid, uma.
Partida: Flamengo 3 x 0 Real Madrid
Data: 15/08/1997
Local: Estádio Carlos Belmonte, Mallorca (ESP)
Competição: Torneio Palma de Mallorca (torneio amistoso internacional)
Flamengo: Clemer; Fábio Baiano (Leandro Neto), Júnior Baiano (Juan), Luís Alberto e Gilberto; Jamir (Bruno Quadros), Jorginho, Maurinho e Sávio (Iranildo); Renato Gaúcho (Rodrigo Mendes) e Lúcio. Téc.: Paulo Autuori.
Real Madrid: Cañizares; Secretário, Sanches (Vitor), Panucci (Chendo) e Karanka; Jaime, Seedorf (Gutti), Amavisca (Zé Roberto) e Mijatovic; Raul e Suker. Téc.: Jupp Heynckes.
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Reflexões sobre um Flamengo à procura de rumo
Quinta-feira, 3 de agosto de 2017. Dia com o sabor amargo da ressaca moral. Com a dureza do choque de realidade. Com a frieza da ducha de água gelada de um mundo como ele é, e não como deveria ser. Vale para o Brasil, vale para o Flamengo. Falarei rapidamente sobre este segundo, cujo futuro pelo menos ainda me traz algum tipo de esperança, embora o presente exija reflexões.
O Flamengo reestruturado institucionalmente, recuperado financeiramente e incensado administrativamente passa, sim, por uma crise de identidade. Dentro e fora dos campos. Talvez uma crise menos grave que a de tempos atrás, quando as perspectivas eram desanimadoras em quase todos os níveis e áreas, mas não menos importante de ser discutida, avaliada e devidamente tratada.
Fora das quatro linhas, o problema principal passa pela transição da Era Maracanã para a Era do Estádio Próprio – neste primeiro momento representada pela casa provisória na Ilha do Governador. Como ajustar a demanda cada vez maior de um público diverso e gigantesco, como é a massa rubro-negra, às necessidades de caixa do clube? Como garantir as maiores receitas financeiras possíveis com a realização de jogos sem alijar parte do povo flamengo do seu time de coração? Essas e outras questões estão em aberto, e se colocam a cada partida jogada numa Ilha do Urubu de parcos 20 mil assentos, quase sempre não preenchidos na sua totalidade em virtude de preços praticados acima da média.
Mas a questão que mais aflige o torcedor, hoje, está situada dentro de campo, curiosamente a área na qual menos se depositava preocupação à medida em que o belo elenco que temos atualmente vinha sendo construído – ok, construído no meio da temporada, mas mesmo assim a tempo suficiente de entregar resultados. Eliminado precocemente da Libertadores e claudicando no Brasileirão, o Flamengo vive uma realidade distante das suas pretensões iniciais. Futebol débil, time em constante mutação e sem padrão tático algum, desempenho técnico sofrível dos principais nomes, insistência na escalação de nomes menos cotados, atuações regularmente fracas do conjunto, técnico demonstrando cada vez menos repertório. O lugar no G6 tem cara e jeito de meio de tabela. O viés, inegavelmente, é de baixa.
Além de discutir as pessoas – que podem e devem ser cobradas no dia a dia, especialmente quando têm todas as condições estruturais de trabalho à disposição –, talvez seja o caso de também se discutir as filosofias, no plural.
Discutir a filosofia do comando do futebol, que parece se apegar a uma profecia irrefutável a ser confirmada a qualquer custo, mesmo quando os fatos esfregam na cara de todos um quadro totalmente oposto. Arrogância típica de quem se vê como um doutrinador de teses no cargo de gestor, justamente quando a gestão mais carece de ideias arejadas. Discutir a filosofia da torcida, que viu no poderio financeiro uma porta de acesso direto às conquistas de tudo – os tais "entreguem as taças" e "Brasileiro é obrigação". Arrogância típica de novo rico premiado na Mega-Sena, que na euforia tem a certeza de que o dinheiro tudo pode comprar, sem enxergar que valores imateriais são inegociáveis em papel moeda.
Os conflitos que circundam o Flamengo nos dias de hoje tem um quê de existenciais, de foro íntimo-institucional, e refletem, ao meu ver, um clube em mutação, saído de (muitos) anos amadorísticos e vislumbrando uma fase duradoura de liderança. A ansiedade pelos resultados crescerá à proporção em que as finanças polpudas resultarem em cifras de investimentos cada vez maiores, em um aparato infraestrutural cada vez melhor e em contratações cada vez mais midiáticas.
Lidar com a pressão é natural para quem vive diariamente o Flamengo, da arquibancada aos gabinetes, mas lidar com a obrigação do protagonismo é algo ainda a ser melhor ajustado na cabeça de dirigentes, dos membros da comissão técnica, dos jogadores e da torcida – seja o mais abastardo que pode ir a todos os jogos, seja o menos favorecido que vê e sofre de longe.
Se o virtual campeão brasileiro de 2017 se autointitula realisticamente como "o time que sabe sofrer", o Flamengo rico, teimoso, trôpego e perdido de 2017 poderia se assumir, num ato de sincericídio, como "o time que (ainda) não sabe ganhar".
SRN
O Flamengo reestruturado institucionalmente, recuperado financeiramente e incensado administrativamente passa, sim, por uma crise de identidade. Dentro e fora dos campos. Talvez uma crise menos grave que a de tempos atrás, quando as perspectivas eram desanimadoras em quase todos os níveis e áreas, mas não menos importante de ser discutida, avaliada e devidamente tratada.
Fora das quatro linhas, o problema principal passa pela transição da Era Maracanã para a Era do Estádio Próprio – neste primeiro momento representada pela casa provisória na Ilha do Governador. Como ajustar a demanda cada vez maior de um público diverso e gigantesco, como é a massa rubro-negra, às necessidades de caixa do clube? Como garantir as maiores receitas financeiras possíveis com a realização de jogos sem alijar parte do povo flamengo do seu time de coração? Essas e outras questões estão em aberto, e se colocam a cada partida jogada numa Ilha do Urubu de parcos 20 mil assentos, quase sempre não preenchidos na sua totalidade em virtude de preços praticados acima da média.
Mas a questão que mais aflige o torcedor, hoje, está situada dentro de campo, curiosamente a área na qual menos se depositava preocupação à medida em que o belo elenco que temos atualmente vinha sendo construído – ok, construído no meio da temporada, mas mesmo assim a tempo suficiente de entregar resultados. Eliminado precocemente da Libertadores e claudicando no Brasileirão, o Flamengo vive uma realidade distante das suas pretensões iniciais. Futebol débil, time em constante mutação e sem padrão tático algum, desempenho técnico sofrível dos principais nomes, insistência na escalação de nomes menos cotados, atuações regularmente fracas do conjunto, técnico demonstrando cada vez menos repertório. O lugar no G6 tem cara e jeito de meio de tabela. O viés, inegavelmente, é de baixa.
Além de discutir as pessoas – que podem e devem ser cobradas no dia a dia, especialmente quando têm todas as condições estruturais de trabalho à disposição –, talvez seja o caso de também se discutir as filosofias, no plural.
Discutir a filosofia do comando do futebol, que parece se apegar a uma profecia irrefutável a ser confirmada a qualquer custo, mesmo quando os fatos esfregam na cara de todos um quadro totalmente oposto. Arrogância típica de quem se vê como um doutrinador de teses no cargo de gestor, justamente quando a gestão mais carece de ideias arejadas. Discutir a filosofia da torcida, que viu no poderio financeiro uma porta de acesso direto às conquistas de tudo – os tais "entreguem as taças" e "Brasileiro é obrigação". Arrogância típica de novo rico premiado na Mega-Sena, que na euforia tem a certeza de que o dinheiro tudo pode comprar, sem enxergar que valores imateriais são inegociáveis em papel moeda.
Os conflitos que circundam o Flamengo nos dias de hoje tem um quê de existenciais, de foro íntimo-institucional, e refletem, ao meu ver, um clube em mutação, saído de (muitos) anos amadorísticos e vislumbrando uma fase duradoura de liderança. A ansiedade pelos resultados crescerá à proporção em que as finanças polpudas resultarem em cifras de investimentos cada vez maiores, em um aparato infraestrutural cada vez melhor e em contratações cada vez mais midiáticas.
Lidar com a pressão é natural para quem vive diariamente o Flamengo, da arquibancada aos gabinetes, mas lidar com a obrigação do protagonismo é algo ainda a ser melhor ajustado na cabeça de dirigentes, dos membros da comissão técnica, dos jogadores e da torcida – seja o mais abastardo que pode ir a todos os jogos, seja o menos favorecido que vê e sofre de longe.
Se o virtual campeão brasileiro de 2017 se autointitula realisticamente como "o time que sabe sofrer", o Flamengo rico, teimoso, trôpego e perdido de 2017 poderia se assumir, num ato de sincericídio, como "o time que (ainda) não sabe ganhar".
SRN
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Só o começo
Diego, Donatti, Damião. Três contratações de impacto somente nos últimos 15 dias.
Guerrero, Mancuello, Juan, Ederson, Rever, Cuéllar, Arão, Sheik, Muralha. Várias contratações igualmente impactantes nos últimos 12 meses.
Todos eles jogadores que seriam titulares em praticamente todos os clubes do Brasil.
Na prática, um conjunto de contratações que dá ao Flamengo, depois de muitos anos, um elenco de candidato real ao título de campeão brasileiro.
Não se trata apenas de um time, de contratações pontuais de um ou de outro craque. Vimos isso de tempos em tempos, e quase sempre o objetivo de voltar a dominar o Brasil se frustrava. Agora há um elenco, e mais que isso.
Lá atrás tivemos Sávio, Romário e Edmundo, três ícones que, juntos, se eternizaram na piada do "pior ataque no mundo". Tivemos Alex, Denílson, Edilson, Gamarra, Vampeta e Petkovic, em um grandioso projeto que ficou apenas nos Estaduais (inesquecíveis, lindos, mas estaduais) e na finada Copa dos Campeões. Tivemos Ronaldinho Gaúcho e Thiago Silva, ambos pilotando um bonde que também nos deu apenas o domínio regional, além de um jogo eterno na Vila.
Por outro lado, graças das Deus, tivemos Adriano, Bruno, o velho Pet e a cabeçada do Angelim, naquele campeonato milagrosamente maluco de 2009.
Todos craques, cracaços, mas que vieram em rascunhos de projetos políticos isolados, que deram ao clube retorno esportivo aquém do que pretendiam e resultados administrativos terríveis. Sabemos todos que o Clube sangra no bolso até hoje.
Agora temos a oportunidade de ver outros craques especiais, novatos em se tratando de Flamengo e que ainda causa certa estranheza em parte da torcida, mas fundamentais: planejamento, estrutura e responsabilidade. Craques que não vestem a camisa, mas que valorizam o Manto Sagrado da melhor maneira possível.
O patamar do Clube mudou. A realidade hoje é outra. As cobranças aumentarão, de todos os lados. A obrigação, porém, segue a mesma: o clube mais popular do país, como diz o Apolinho, é um gigante que se alimenta de títulos. A formação do atual elenco como fruto desse processo de profissionalização da gestão só aumenta a fome desse monstro.
Apesar do cheirinho que paira no ar, o título deste ano ainda é um sonho. A diferença é que, ao contrário de outros tempos, não se trata apenas de um sonho de uma noite de verão – ou de uma temporada. É um sonho real, com perspectiva de ser duradouro.
Que seja o início de uma nova e longa era de grandeza para o Flamengo, com grandes títulos.
Comecemos pelo hepta.
SRN
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
O "querer" Flamengo
Em quase todas as oportunidades, seja numa disputa de título, numa decisão de classificação ou mesmo numa partida de meio de tabela, o clássico Flamengo x Vasco se define pela demonstração do QUERER. Conquista, avança e vence aquele que QUER mais – e sob esse aspecto cabem inúmeras qualificações: gana, disposição, luta, intensidade, vibração, (às vezes) técnica... O "querer mais do que o outro" se traduz no combustível que move um rival a superar o outro mesmo sem ter, na prática, o melhor time ou os melhores jogadores. No livro escrito por esses dois gigantes desde 1922, ganha quase sempre quem QUER mais, não simplesmente quem "pode" mais.
E o que isso tem a ver com o atual momento? Obviamente tudo. O que assistimos quarta-feira passada na primeira partida foi um Vasco caçando cada jogador do Flamengo como um grande dever ancestral, uma espécie de "imposição de honra". O jogo foi tecnicamente um ruim, pobre? Muito, mas a missão cruzmaltina foi cumprida. Não houve um pingo de dúvidas para qualquer um que esteve no Maracanã ou que viu pela televisão: o Vasco quis muito, muito mais aquela vitória do que o Flamengo. Já havia sido assim na fase decisiva do Campeonato Estadual. Nas duas ocasiões, quis e conseguiu.
O que ficou para o Flamengo após mais uma derrota no ano frente a seu arquirrival, como um fato incontornável, foi a total ausência da mítica ALMA RUBRO-NEGRA no primeiro confronto. Um time sem pulsação, frio (no pior dos sentidos), desconectado com a intensidade do adversário e com a importância da competição para o clube. Parecia que o Maracanã havia sido transportado do Rio de Janeiro para a Sibéria, onde descansam os restos mortais daquele famoso ex-deputado.
São inúmeras as vitórias épicas do Flamengo no Maracanã, tanto em decisões memoráveis quanto em jogos menores e já esquecidos pela maioria. Em todas elas o Flamengo foi, durante a maior parte do tempo, detentor absoluto desse "querer mais". A imagem daquele Mengão avassalador, que entope o Maracanã de gente e pressiona o adversário, surgiu antes de tudo da tão propalada RAÇA RUBRO-NEGRA – me refiro não à torcida organizada, mas àquilo que marca os esquadrões vermelho e preto. "QUEREMOS RAÇA! QUEREMOS RAÇA!", gritamos todos em algum momento das nossas vidas nas arquibancadas, cadeiras ou na geral. Não era um pedido, era uma exigência.
É nesse contexto que quarta-feira agora, mais do que qualquer outra coisa, o Flamengo terá que se vestir de raça da chuteira à camisa se quiser bater o seu oponente histórico e passar às quartas-de-final da Copa do Brasil. A raça do correr mais que eles, de dar o carrinho certeiro e salvador, de pressionar em cima, dos chutes de dentro e fora da área, dos gols necessários. Se os 11 rubro-negros que entrarem em campo incorporarem o ESPÍRITO DE FLAMENGO, aquele que nenhuma outra agremiação tem igual e que tanta inveja causa Brasil à fora, nós vamos avançar. Mas o time e a torcida têm que querer, e querer muito mais do que o lado de lá.
Fica o desafio.
SRN
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Carlinhos, o Violino (1937-2015)
Luís Carlos Nunes da Silva, o Carlinhos, por 516 vezes vestiu o Manto Sagrado. Destacou-se como um volante técnico e refinado, a ponto de ganhar o apelido de Violino. Como se fosse pouco, como se precisasse mais, tornou-se anos depois "somente" o maior técnico de futebol da história do Flamengo.
Em 313 jogos dirigindo o futebol rubro-negro, Carlinhos ganhou uma Copa Mercosul (1999), dois Campeonatos Brasileiros (1987/1992) e três Campeonatos Estaduais (1991/1999/2000). Um multicampeão, ainda que estivesse sempre sob o crédito de "solução caseira" – o que era uma verdade inconteste.
Ele era de casa, era da Gávea, fosse como
funcionário ou torcedor. Vivia o Flamengo no seu dia a dia, como um hábito, no amor
e com prazer, sem maiores pretensões de fundo. Assim, com esse verniz da
humildade sincera, se fez uma verdadeira lenda na longa história de conquistas do clube. Um mito.
Monstro de voz mansa, muita classe e aparência sempre
tranquila, o Violino partiu nesta segunda-feira, aos 77 anos. Sem nenhum exagero: poucas pessoas no mundo foram mais rubro-negras do que ele. Fica o nosso muito obrigado,
mestre. O Flamengo e os flamenguistas seremos eternamente gratos a você.
terça-feira, 26 de maio de 2015
O ocaso de Luxemburgo
"Pofexô" Vanderlei Luxemburgo mostrou-se em muitos momentos da lamentável entrevista coletiva concedida há pouco um poço de amargura, covardia e pequenez.
Se oferecendo miseravelmente ao São Paulo, tal qual uma messalina ávida por qualquer trocado, foi incapaz de reconhecer os problemas técnicos gritantes do time devidos exclusivamente ao seu fraco trabalho.
Tentou a todo o momento arrastar Rodrigo Caetano junto na sua queda, que segundo ele foi motivada - ora veja - pela sua "forte personalidade".
Preferiu se apoiar apenas na falta de reforços e em desfalques pontuais de ordem médica para justificar o péssimo futebol apresentado pela equipe desde o final do ano passado.
Mais à frente, tirou da cartola uma louca roleta russa e pôs a culpa de todos os seus fracassos nas quatro passagens pelo clube em Kléber Leite, Romário, Márcio Braga, Ronaldinho, Patrícia Amorim, Bandeira de Mello...
"Eu não tenho culpa, nunca tive".
Fez questão de se apresentar como "eleitor e homem de Patrícia Amorim" dentro da atual gestão, a qual ele se opõe em diversos pontos.
Cereja do bolo, qualificou a angustiante fuga do rebaixamento de 2014 como um dos grandes momentos da sua carreira, talvez o seu grande título.
Ao final, ficou claro que, como profissional de futebol, Vanderlei Luxemburgo morreu e não sabe.
Se oferecendo miseravelmente ao São Paulo, tal qual uma messalina ávida por qualquer trocado, foi incapaz de reconhecer os problemas técnicos gritantes do time devidos exclusivamente ao seu fraco trabalho.
Tentou a todo o momento arrastar Rodrigo Caetano junto na sua queda, que segundo ele foi motivada - ora veja - pela sua "forte personalidade".
Preferiu se apoiar apenas na falta de reforços e em desfalques pontuais de ordem médica para justificar o péssimo futebol apresentado pela equipe desde o final do ano passado.
Mais à frente, tirou da cartola uma louca roleta russa e pôs a culpa de todos os seus fracassos nas quatro passagens pelo clube em Kléber Leite, Romário, Márcio Braga, Ronaldinho, Patrícia Amorim, Bandeira de Mello...
"Eu não tenho culpa, nunca tive".
Fez questão de se apresentar como "eleitor e homem de Patrícia Amorim" dentro da atual gestão, a qual ele se opõe em diversos pontos.
Cereja do bolo, qualificou a angustiante fuga do rebaixamento de 2014 como um dos grandes momentos da sua carreira, talvez o seu grande título.
Ao final, ficou claro que, como profissional de futebol, Vanderlei Luxemburgo morreu e não sabe.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Caso Copa União 1987: depois de 27 anos, o "Dia D". Será mesmo?
Semana decisiva para o "Mais Querido do Brasil" dentro e fora de campo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai retomar na tarde da próxima quinta-feira (20), em Brasília, o julgamento sobre o polêmico título da Copa União 1987 envolvendo o Clube de Regatas do Flamengo e o Sport Clube do Recife. A 3ª Turma do STJ iniciou a análise do caso em 3 de dezembro do ano passado, mesmo dia em que houve a suspensão do julgamento após um pedido de vistas do ministro Sidnei Beneti.
A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, afirmou no seu voto que o clube pernambucano extrapola a sentença judicial de 1994 - que confere ao Sport o título de campeão brasileiro de 1987 - ao pedir a revogação da resolução de 2011 da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na qual a entidade considera o Flamengo também o campeão brasileiro de 1987. A ministra votou preliminarmente pela extinção do processo, reconhecendo a inadequação da medida tomada pelo Sport.
A POLÊMICA
A CBF desistiu de organizar o Campeonato Brasileiro de 1987, alegando na ocasião falta de recursos financeiros. Surgiu então o Clube dos 13, que manteve a competição em vigência rebatizando-a de Copa União. O torneio foi vencido pelo Flamengo em decisão contra o Internacional. A CBF, durante a disputa da Copa União, voltou da decisão inicial e então criou o Módulo Amarelo, com 16 outros clubes e que teve o Sport como seu campeão e o Guarani como vice. O torneio principal passou a ser tratado como Módulo Verde.
A entidade máxima do futebol brasileiro determinou então que teria de haver um cruzamento quadrangular entre os campeões e os vices dos dois módulos para que fosse definido o real campeão brasileiro daquele ano. O Flamengo e o Internacional se negaram a jogar o tal quadrangular decisivo, o que fez a CBF anunciar Sport como o campeão brasileiro de 1987 - decisão confirmada em 1994 na Justiça. Desde então Flamengo e Sport travam uma guerra judicial em torno do caso, que pode ter um fim, após 27 anos, nesta semana.
A polêmica - possivelmente a maior em toda a história do esporte brasileiro - também tem o São Paulo Futebol Clube como um dos envolvidos por conta da famosa Taça das Bolinhas, criada pela CBF para premiar o primeiro clube que vencesse o Campeonato Brasileiro três vezes consecutivas ou cinco vezes intercaladas. Com a oficialização do título de 1987, o Flamengo seria o real detentor da Taça, por ter sido o primeiro clube a ganhar cinco vezes o Campeonato Brasileiro de Futebol desde 1971, quando começou o torneio.
Leia mais em O que faz de alguém um campeão?
A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, afirmou no seu voto que o clube pernambucano extrapola a sentença judicial de 1994 - que confere ao Sport o título de campeão brasileiro de 1987 - ao pedir a revogação da resolução de 2011 da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na qual a entidade considera o Flamengo também o campeão brasileiro de 1987. A ministra votou preliminarmente pela extinção do processo, reconhecendo a inadequação da medida tomada pelo Sport.
A POLÊMICA
A CBF desistiu de organizar o Campeonato Brasileiro de 1987, alegando na ocasião falta de recursos financeiros. Surgiu então o Clube dos 13, que manteve a competição em vigência rebatizando-a de Copa União. O torneio foi vencido pelo Flamengo em decisão contra o Internacional. A CBF, durante a disputa da Copa União, voltou da decisão inicial e então criou o Módulo Amarelo, com 16 outros clubes e que teve o Sport como seu campeão e o Guarani como vice. O torneio principal passou a ser tratado como Módulo Verde.
A entidade máxima do futebol brasileiro determinou então que teria de haver um cruzamento quadrangular entre os campeões e os vices dos dois módulos para que fosse definido o real campeão brasileiro daquele ano. O Flamengo e o Internacional se negaram a jogar o tal quadrangular decisivo, o que fez a CBF anunciar Sport como o campeão brasileiro de 1987 - decisão confirmada em 1994 na Justiça. Desde então Flamengo e Sport travam uma guerra judicial em torno do caso, que pode ter um fim, após 27 anos, nesta semana.
A polêmica - possivelmente a maior em toda a história do esporte brasileiro - também tem o São Paulo Futebol Clube como um dos envolvidos por conta da famosa Taça das Bolinhas, criada pela CBF para premiar o primeiro clube que vencesse o Campeonato Brasileiro três vezes consecutivas ou cinco vezes intercaladas. Com a oficialização do título de 1987, o Flamengo seria o real detentor da Taça, por ter sido o primeiro clube a ganhar cinco vezes o Campeonato Brasileiro de Futebol desde 1971, quando começou o torneio.
Leia mais em O que faz de alguém um campeão?
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Jayme de Almeida
O título da Copa do Brasil 2013 conquistado brilhantemente pelo Flamengo fez justiça a um personagem necessário ao futebol brasileiro. Jayme de Almeida, ex-jogador e funcionário do clube há alguns anos, transparece a imagem de um monge budista, um pároco interiorano, um sábio acadêmico. Fala mansa, ideias claras, pensamento linear, modo simples e objetivo de ver as coisas. Características raras hoje em dia, em se tratando de um "mercado" onde coabitam professores de linguajar pseudo-empolado e posudos metidos a PhDs, todos detentores de cifras indecentes.
Jayme esperou pacientemente alguns (muitos) anos pela oportunidade de se firmar como técnico do seu clube de coração. Curiosamente, a chance veio como um desafio equivalente à dimensão gigante do Flamengo: em meio a um campeonato claudicante para o rubro-negro da Gávea, no qual a alternância de vitórias magras e derrotas amargas fez Mano Menezes – contratado como estrela da companhia – pedir o boné. Jayme foi efetivado às pressas, com a missão de livrar o clube de um inédito rebaixamento e de tocar a Copa do Brasil na base do "até onde der".
E deu!
Não há dúvida de que os méritos do terceiro título flamenguista na segunda competição mais importante do futebol brasileiro residem, em grande medida, na capacidade admirável que Jayme teve em transformar um grupo perdido do ponto de vista técnico numa equipe coesa, com peças fixas e ciente das suas limitações, mas principalmente revigorada em termos de dedicação. Jogadores como Paulinho, Hernane Brocador, Amaral Pitbull, Wallace, Chicão, Elias e Luiz Antônio, entre outros, transfiguraram-se de coadjuvantes a destaques num time em ascensão. E as vitórias vieram, vieram, vieram...
Jayme é mais um personagem na já longa lista de técnicos campeões que o Flamengo forma em casa. Se junta, portanto, a Zagallo, Claudio Coutinho, Paulo César Carpegiani, Carlinhos, Andrade... Todos conhecedores das coisas do Flamengo, de como funciona o efervescente caldeirão político da Gávea, todos talhados na intensidade de conviver junto à maior torcida do Brasil. Jayme, nesse 2013 que se encerra, pareceu tirar o peso de letra. Não só eliminou o risco de descenso com vitórias convincentes como amealhou um título improvável de início, mas merecidíssimo no seu apogeu.
A Jayme de Almeida, rubro-negro de corpo, alma e coração, os meus sinceros agradecimentos. E que o caminho das vitórias continue sendo trilhado no mesmo ritmo de serenidade que o levou à conquista da Copa do Brasil. É o que todos os flamenguistas esperamos.
Saudações Rubro-Negras
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
O Flamengo e os primeiros turnos na Era dos Pontos Corridos
Um breve levantamento nas estatísticas históricas do Campeonato Brasileiro de 2003 até hoje é capaz de mostrar com clareza a dificuldade do Clube de Regatas do Flamengo em se adaptar, de maneira competitiva, ao modelo de pontos corridos na competição. Ao menos se forem levados em conta os primeiros turnos de cada ano.
Já são 11 anos em que o Brasileirão adotou o formato no qual todos jogam contra todos, em partidas de ida e volta, e onde se sagra vencedor quem somar mais pontos. Nesse período, o Flamengo só conseguiu alcançar mais de 50% de aproveitamento ao fim da primeira metade de disputa em cinco oportunidades – incluindo 2009, quando acabou campeão. E em apenas um ano – 2011, quando tinha Ronaldinho Gaúcho em seu plantel – encerrou o turno no G4 dos classificados à Libertadores da América.
Abaixo, o levantamento com a posição na tabela, os número de participantes, a pontuação e o aproveitamento:
2003 - 13º de 24, 29 pontos (42%)
2004 - 22º de 24, 20 pontos (29%)
2005 - 18º de 22, 23 pontos (36,5%)
2006 - 13º de 20, 23 pontos (40,4%)
2007 - 7º de 20, 29 pontos (50,9%)
2008 - 7º de 20, 31 pontos (54,4%)
2009 - 7º de 20, 29 pontos (50,9%)
2010 - 14º de 20, 22 pontos (38,6%)
2011 - 2° de 20, 36 pontos (63,2%)
2012 - 7º de 20, 29 pontos (50,9%)
2013 - 15º de 20, 22 pontos (38,6%)
Mais até que mostrar os resultados obtidos pelos elencos que defenderam o Flamengo ao longo dos anos, a relação acima deixa claro que, salvo uma recuperação fora da curva da normalidade, o torcedor rubro-negro deverá ter bons motivos para rezar pela intervenção de São Judas Tadeu este ano.
Com 38,6% de aproveitamento e apenas 5 vitórias nos primeiros 19 jogos, a campanha do Flamengo em 2013 é praticamente idêntica à de 2010, quando o time de Vanderlei Luxemburgo manteve no returno o desempenho ridículo do turno. Vale lembrar que, na ocasião, o Flamengo só se salvou do rebaixamento devido a uma improvável combinação de resultados e de tabela (nas duas últimas rodadas) entre Vitória e Atlético-GO, que acabou livrando o time da Gávea e mandando o coirmão baiano para a Segundona.
O fraco percentual de aproveitamento no primeiro turno deste ano fica acima apenas das pífias campanhas de 2005 e 2004. Em ambos os anos o sofrimento para a Nação Rubro-Negra foi até as rodadas finais: em 2005, o time acabou salvo por um gol espírita de Obina contra o Paraná em Curitiba, coroando uma campanha de recuperação impressionante conduzida por Joel Santana; em 2004, salvou-se do risco de cair graças, entre outros parcos êxitos, a uma vitória contra o Palmeiras em pleno Parque Antártica.
Como esperança para a "maior torcida do mundo" há o fato de que as histórias – para o bem ou para o mal – nunca se repetem. Tempo e pontos a disputar existem para o time se recuperar no campeonato. Fica a dúvida se o campeonato, com suas surpresas e infindáveis possibilidades, pode dar uma mãozinha ao Flamengo este ano. A torcida agradeceria.
SRN
Já são 11 anos em que o Brasileirão adotou o formato no qual todos jogam contra todos, em partidas de ida e volta, e onde se sagra vencedor quem somar mais pontos. Nesse período, o Flamengo só conseguiu alcançar mais de 50% de aproveitamento ao fim da primeira metade de disputa em cinco oportunidades – incluindo 2009, quando acabou campeão. E em apenas um ano – 2011, quando tinha Ronaldinho Gaúcho em seu plantel – encerrou o turno no G4 dos classificados à Libertadores da América.
Abaixo, o levantamento com a posição na tabela, os número de participantes, a pontuação e o aproveitamento:
2003 - 13º de 24, 29 pontos (42%)
2004 - 22º de 24, 20 pontos (29%)
2005 - 18º de 22, 23 pontos (36,5%)
2006 - 13º de 20, 23 pontos (40,4%)
2007 - 7º de 20, 29 pontos (50,9%)
2008 - 7º de 20, 31 pontos (54,4%)
2009 - 7º de 20, 29 pontos (50,9%)
2010 - 14º de 20, 22 pontos (38,6%)
2011 - 2° de 20, 36 pontos (63,2%)
2012 - 7º de 20, 29 pontos (50,9%)
2013 - 15º de 20, 22 pontos (38,6%)
Mais até que mostrar os resultados obtidos pelos elencos que defenderam o Flamengo ao longo dos anos, a relação acima deixa claro que, salvo uma recuperação fora da curva da normalidade, o torcedor rubro-negro deverá ter bons motivos para rezar pela intervenção de São Judas Tadeu este ano.
Com 38,6% de aproveitamento e apenas 5 vitórias nos primeiros 19 jogos, a campanha do Flamengo em 2013 é praticamente idêntica à de 2010, quando o time de Vanderlei Luxemburgo manteve no returno o desempenho ridículo do turno. Vale lembrar que, na ocasião, o Flamengo só se salvou do rebaixamento devido a uma improvável combinação de resultados e de tabela (nas duas últimas rodadas) entre Vitória e Atlético-GO, que acabou livrando o time da Gávea e mandando o coirmão baiano para a Segundona.
O fraco percentual de aproveitamento no primeiro turno deste ano fica acima apenas das pífias campanhas de 2005 e 2004. Em ambos os anos o sofrimento para a Nação Rubro-Negra foi até as rodadas finais: em 2005, o time acabou salvo por um gol espírita de Obina contra o Paraná em Curitiba, coroando uma campanha de recuperação impressionante conduzida por Joel Santana; em 2004, salvou-se do risco de cair graças, entre outros parcos êxitos, a uma vitória contra o Palmeiras em pleno Parque Antártica.
Como esperança para a "maior torcida do mundo" há o fato de que as histórias – para o bem ou para o mal – nunca se repetem. Tempo e pontos a disputar existem para o time se recuperar no campeonato. Fica a dúvida se o campeonato, com suas surpresas e infindáveis possibilidades, pode dar uma mãozinha ao Flamengo este ano. A torcida agradeceria.
SRN
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
A primeira vez de Zico nas páginas d'O Globo
Ainda viajando nos arquivos digitalizados dos 88 anos de história d'O Globo, resolvi procurar a primeira menção que o jornal fez ao maior craque da história do Flamengo.
Encontrei!
No dia 4 de maio de 1970, ao final de um pequeno texto na página 8-B sobre um jogo do time juvenil da época, o jornal publicou:
"Na preliminar, pelo Campeonato Carioca de Escolinhas, o Flamengo goleou o Campo Grande por 8x0. Zico, irmão de Edu, do América, marcou 5 'goals' e é o artilheiro absoluto do certame com 15 tentos".
Pois é, essa foi a primeira citação que O Globo fez ao nome Zico. Daí pra frente, a história pode contar o resto...
SRN
Encontrei!
No dia 4 de maio de 1970, ao final de um pequeno texto na página 8-B sobre um jogo do time juvenil da época, o jornal publicou:
"Na preliminar, pelo Campeonato Carioca de Escolinhas, o Flamengo goleou o Campo Grande por 8x0. Zico, irmão de Edu, do América, marcou 5 'goals' e é o artilheiro absoluto do certame com 15 tentos".
Pois é, essa foi a primeira citação que O Globo fez ao nome Zico. Daí pra frente, a história pode contar o resto...
SRN
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Gigante pela própria natureza rubro-negra?
Sou flamenguista e amo meu time. Já chorei e ainda choro por ele, nas alegrias e nas tristezas. Vou chorar ainda, tenho certeza.
Isto posto, nunca me vi impedido, pela paixão, de ver as coisas como elas realmente são, ao menos sob o meu juízo de valor.
Se determinada avaliação sobre o time, o clube, a comissão técnica ou a diretoria não é aquela que eu gostaria que fosse, faço o máximo esforço para não me enganar tentando ver cor-de-rosa onde só há marrom.
Em se tratando do objeto que envolve um sentimento por vezes irracional, irascível na sua essência, é algo mais difícil do que parece à primeira vista.
A ocorrência de mais um vexame protagonizado pelo Flamengo numa Taça Libertadores da América, após derrotas para fraquíssimos times como Olímpia e Emelec (para não lembrar da Copa Sul-Americana em 2011), provocou em mim um turbilhão de pensamentos, a maioria deles imbuído de uma profunda raiva, típica do torcedor apaixonado/decepcionado. Mas, além disso, me fez voltar a pensar sobre algo que já me veio em outras ocasiões aleatórias.
Seria o gigantismo do Flamengo, na sua essência, uma interrogação? A enormidade absoluta que cultuamos como intocável, sempre existiu?
Explico-me, antes das pedradas que possam vir: o Flamengo sempre foi grande, muito grande. Sob influência das emissoras de rádios e posteriormente de televisão, todas de alcance nacional sediadas no Rio, o Flamengo amealhou com o tempo adeptos dos mais variados rincões do Brasil, o que ajudou a formar a maior torcida de futebol do país.
Sempre fomos o time do povo, e a imensa massa adotou o Maracanã como casa, talvez por ser a única que pudesse abrigar a legião incontável.
Os questionamentos acima, portanto, não se referem à grandeza do Flamengo como clube, como marca ou símbolo do esporte nacional.
Falo do futebol rubro-negro.
Do que éramos antes do surgimento da Era Zico, do que passamos a ser com ela e do que somos hoje, anos após o seu fim.
No ano que marca o centenário do futebol rubro-negro, e levando-se em conta toda a grandeza histórica, é possível afirmar, sem ferir o bom senso, que o Flamengo nunca foi um gigante absoluto antes de Zico e companhia.
Ao longo de 67 anos de várias conquistas estaduais e muitos craques desfilando com o manto sagrado nos campos do Brasil e do mundo, nosso maior título conquistado havia sido o Torneio Rio-S. Paulo de 1961.
Ok, os campeonatos estaduais tinham mais relevância naquela época, alguns contavam como grandes conquistas (como os três tricampeonatos), mas já eram, desde o final dos anos 1950 e início dos 60, vistos como torneios locais, menores. Assim é até hoje.
Além do nosso quintal, a rigor, a glória única rubro-negra era mesmo o Rio-S. Paulo de 1961.
Por outro lado, nossos rivais já tinham ido muito além de nós.
O Santos com a avalanche da Era Pelé e seus Mundiais, Libertadores e Taças Brasil (várias); Palmeiras e Fluminense com as Copas Rio (com status de Mundiais), Robertões e Brasileiros; Vasco e seu Sul-americano e Brasileiro; Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Atlético e Bahia abocanhando os Nacionais...
A lista é grande e dimensiona com clareza a carência vivida pelos que já formavam a Nação Rubro-Negra.
Faltava ao futebol do Flamengo um currículo à altura da sua grandeza, o que só viria a ser corrigido pela geração encabeçada por Arthur Antunes Coimbra. Repito: 67 anos depois de o Flamengo começar no futebol.
Algo de sobrenatural e inexplicável tratou de redimir essa injustiça histórica de décadas, forjando num mesmo momento, num mesmo local, um dos maiores times de todos os tempos que o mundo já viu.
E o que se viu, a partir dos anos 1980, foi o Flamengo provocar em si mesmo uma mudança radical de patamar no contexto do futebol brasileiro e internacional.
Ao ganhar uma sequência de Mundial, Libertadores e quatro Brasileiros, aquela geração reposicionava o grande clube, que mesmo sem uma grande performance histórica sempre deteve a maior torcida do país, para o nível dos gigantes do mundo do futebol – agora com currículo, taças e tudo mais.
A Era Zico nos deu o maior Flamengo possível, cujo mais sofredor e fanático torcedor talvez nem sonhasse em ver um dia.
Vou mais além: credito ainda as conquistas da Copa do Brasil de 1990 e dos Brasileiros de 1992 e 2009 àquela geração de ouro, dado que as participações de Júnior (como jogador nos dois primeiros) e de Andrade (como técnico no último) foram absolutamente cruciais para os títulos tomarem o caminho da Gávea.
O que se vê no pós-Zico é outro clube, muito maior e mais representativo – agora não só dentro daquele conceito de grandeza subjetiva, mas em conquistas efetivas – comparado ao que era poucos anos antes.
E o que seremos daqui para frente?
Pois bem, a cada novo baque, a cada decepção internacional ou vexame local, essa questão bate a minha cabeça. Passaremos décadas tentando nos desvincular de um passado majestoso, imponente, mas que parece sombrear cada nova geração como um fantasma a ser batido?
Vale lembrar que o Santos passou por isso anos a fio, desde o fim de Pelé, até formar a turma de Robinho e Diego e, logo depois, de Neymar e Ganso. Voltou a ser um monstro do futebol.
É bem verdade, e isso deve ser registrado, que pelo menos três títulos relevantes foram levantados após a dissolução da Era Zico, sem a participação de nunhum membro daquela saga: a Copa Mercosul de 1999, a Copa dos Campeões de 2001 e a Copa do Brasil de 2006. Todos torneios oficiais, de destaque. Mas o Flamengo que emergiu após do advento do Messias de Quintinho e seus Apóstolos pede mais que isso.
Creio que seja justamente nessa ânsia de se provar enorme como sempre fomos (sempre?) que o Flamengo talvez encontre o seu maior dilema hoje: virar a página de uma fase espetacular e ganhar musculatura em meio ao gigantismo do futebol atual, dominado não só por bons times e craques da moda, mas também por muito dinheiro, estrutura, planejamento, marketing, patrocínios, sócios...
Com as bênçãos de Júnior, Adílio, Raul, Nunes, Leandro, Tita, Andrade, Mozer e do Galinho Zico: o gigante Flamengo deixado por vocês precisa renascer!
Isso vai acontecer, tenho certeza. Não há como voltar atrás e ver o bonde do futebol moderno passar sem que estejamos dentro dele.
A dúvida que fica para mim é se levaremos muito ou pouco tempo para seguirmos em frente.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
1981: a viagem rubro-negra em 140 caracteres
"Oh, meu Mengão, eu gosto de você...". Não paro de cantar essa música. A cidade não para de cantar essa música.
É assim sempre que o Flamengo é campeão, ainda mais em cima do arquirrival Vasco e especialmente às vésperas de uma inédita decisão Mundial. Estamos acreditando, mas sabemos da dificuldade que será enfrentar o Liverpool, campeão europeu com banca de melhor do mundo. Eu cá confio que o nosso esquadrão rubro-negro, com Zicão e companhia (Leandro, Tita, Adílio, Júnior, Mozer, Nunes, Andrade...), vá calar os ingleses em Tóquio. É muita emoção, amigo. É muita alegria!
Não, eu não surtei. Pelo menos ainda não.
Explico: há coisa de duas ou três semanas, eu descobri no Twitter, meio por acaso, uma daquelas sacações que faz você pensar "como ninguém fez isso antes!". A partir de uma ideia simples, mas muito bem executada e extremamente sedutora, o perfil @RealTimeFla81 leva o seu seguidor, em tempo real, ao dia a dia das últimas semanas daquele mítico ano de 1981, do qual todos os flamenguistas, nascidos há época ou não, conhecem de cor e salteado.
Não se trata apenas de alguém, com olhos de hoje, contando tudo aquilo que aconteceu exatamente trinta anos atrás. É mais e melhor que isso.
Com incrível riqueza de detalhes e uma precisão histórica capaz de impressionar qualquer pesquisador, pormenorizando fatos e acontecimentos que talvez até na época tenham passado desapercebidos, a pessoa (ou equipe) responsável pelo espaço no microblog permite ao torcedor rubro-negro se transportar de alma e sentimento para aqueles dias. Dias em que o mundo confirmaria o que todos aqui já sabíamos de Maracanã cheio: o melhor time de futebol do planeta Terra era brasileiro, carioca e residia na Gávea.
Pela leitura sensorial dos posts, me dei conta que tivemos um lindo domingo neste 6 de dezembro de 1981 no Rio de Janeiro. Ensolarado, praias lotadas, tipicamente carioca. Dia de final no Maracanã com mais de 170 mil pessoas. Dia de Flamengo x Vasco decidindo um Campeonato Estadual que, às véspera de uma final de Mundial de Clubes, poderia valer pouco para os flamenguistas. Mas onde que um Flamengo x Vasco decisivo vale pouco?
Com gols de Adílio e Nunes (golaço, por cobertura!), ganhamos de 2 a 1 a terceira e derradeira partida das finais. Levantamos pela 21ª vez a taça de melhor do Rio – o terceiro título seguindo sobre os cruzmaltinos.
Agora é pensar na longa viagem, em evitar maiores desgastes e na preparação curta que teremos pela frente até o grande dia 13 de dezembro de 1981. O dia em que o Flamengo, empurrado pelo apoio milhares de japoneses e de milhões de brasileiros que estarão insones na próxima madrugada de sábado para domingo, há de ser consagrar, na bola, o melhor time do mundo.
Quem viu, viu. Quem não viu, que siga o @RealTimeFla81 para saber como termina essa história.
Saudações Rubro-Negras
Assinar:
Postagens (Atom)
























