segunda-feira, 13 de maio de 2013

O novo do Daft Punk impressiona



Impressionante o novo disco do Daft Punk, Random Access Memories, disponibilizado na íntegra para audição via streaming nesta segunda-feira pelo iTunes e outros sites de compartilhamento. Coisa fina, rara, em se tratando de música eletrônica: nada das pré-definições sintéticas e dos bate-estacas acelerados que costumam povoar esse universo, quase sempre sem alma e personalidade. Trata-se dequele tipo de eletropop setentista com o tripé baixo / guitarra / bateria ditando os rumos, ainda que com a aura robótica que acompanha o duo francês desde sempre.

Diferentemente dos outros três álbuns, há agora uma intenção clara por parte do Daft Punk de se desvencilhar do vazio musical que domina da cena summer-eletrohits e partir para um som orgânico, tocado e não apenas programado. As participações de Nile Rodgers, Julian Casablancas e Pharrell Williams, entre outros, não deixam dúvidas disso. O clima vai na onda do vintage moderno, elegante todo o tempo, mesmo quando a pressão é maior – caso de “Get Lucky”, primeira música de trabalho. "The Game of Love", segundo míssil do álbum, talvez seja o melhor exemplo.

A partir deste dia 13 de maio, e até quando surgir (se surgir) algo fora da curva nos estertores de 2013, me arrisco a dizer que os franceses lançaram nas 13 faixas de Random Access Memories o melhor disco do ano em matéria pop music. Que os(as) militantes da área corram atrás.

Daft Punk - Random Access Memories

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Valerie Carter


A sigla é AOR: "Album Oriented Rock" ou ainda "Adult Oriented Rock". Acho a segunda definição melhor, por expressar com mais fidelidade este subgênero do rock e o que ele se propõe a ser: uma roupagem soft do ritmo, destinada ao consumo de um público pretensamente "maduro" que já não se deixa levar por qualquer tipo de barulho juvenil. Embora transite muitas vezes entre o sofisticado e o meloso, o que se convencionou chamar por AOR encontra raiz nas tradicionais arena rock bands, calcadas no tripé baixo-guitarra-bateria.

O termo apareceu para mim como a designação do som que eu sempre ouvi apenas nesta semana, por meio da reportagem de O Globo sobre o novo trabalho de Ed Motta, intitulado... AOR. O músico e multi-instrumentista carioca conta que se baseou neste tipo de som, característico do período entre a segunda metade dos anos 70 até a primeira metade dos 80, durante a fase de composição das suas novas canções. E cita nomes colados ao AOR Sound que estarão, implicitamente, em seu disco "AOR": Alessi Brothers, Michael McDonald, Toto, Doobie Brothers e especialmente Christopher Cross – segundo ele, fonte de inspiração desde garoto.

A matéria me instigou a voltar a ouvir uma série de nomes que sempre me foram familiares (ainda que, para mim, não eles estivessem reunidos sob o guarda-chuva da tal sigla). Eis que nesta volta às origens me deparei na internet com a figura lindamente intrigante de Valerie Carter. Seu nome, apesar de desconhecido em um primeiro momento, não me era estranho. Um rápido google acendeu a luz: ela é a voz feminina do dueto com Cross em "Spinning", faixa do espetacular disco que marcou a estreia do autor de "Sailing" no mercado fonográfico em 1980. "Ah, então é ela!", pensei. E mais nada. Resolvi correr atrás e acabei me deparando, via YouTube, com um disco simplesmente espetacular.

"Wild Child", de 1978, tem dez músicas é o segundo álbum da norte-americana. Ele revela, do início ao fim, uma cantora de intensidade peculiar, rara hoje em dia. Não propriamente hiperafinada, tecnicamente irretocável, mas com alma. Definição subjetiva e um tanto gasta para separar os acordes ultrafinos e os cantos de extensão exagerada, mas sem um pingo de emoção, das interpretações seguras de si, dotadas de recursos que vão muito além do exibicionismo vocal. Numa comparação rápida e direta: Valerie Carter está para Mariah Carey da mesma forma que Clara Nunes está para Marisa Monte.

O som de "Wild Child" é AOR puro, na veia e no coração. Belíssimos arranjos melódicos, uma ótima banda por trás, linhas de baixos fora do lugar comum, pequenas intervenções-solo de guitarras e saxofones e um tecido harmônico com teclados que definem o estilo. Tudo isso modulado por uma voz sem floreios ou berros insuportáveis. Valerie, de beleza desconcertante, está longe do perfil artístico das atuais divas, cujos clones mal fabricados lamentavelmente se alastram cada vez mais na música pop.

Apesar de estar falando no presente, a Valerie que acabei de descobrir e que tem me encantado dia e noite não existe mais, por óbvio. Trata-se da menina de 20 e poucos anos da segunda metade da década de 70, que gravou dois discos em sequência e que, a partir daí, passou a ter presença diminuta no showbiz, muito mais como backing vocal de diversos artistas consagrados do que com trabalhos próprios. "Wild Child" está fora de catálogo – o iTunes vende apenas o primeiro, "Just a Stone's Throw Away", de 1977 – mas encontra-se disponibilizado na íntegra no YouTube, em áudios de ótima qualidade.

Vale descobrir Valerie Carter, eleita por mim, desde já, a musa definitiva da história do AOR.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Melodia para quem precisa

Com dois anos de atraso, escutei neste último final de semana o álbum mais recente de Christopher Cross, "Doctor Faith". Acho que a debilidade da produção musical dos dias atuais é, em boa parte, explicada pela simples ausência de músicos que consigam trabalhar minimamente bem com melodias. Esta habilidade, de difícil manuseio para a maioria, aparece naturalmente ao longo da obra deste californiano de San Antonio, como convém aos grandes compositores populares.

Este "novo" disco remete a uma época em que qualidade melódica, por assim dizer, era artigo comum e mandatório não só nas rádios FM e nas produções do mercado fonográfico em geral, mas também no competitivo e estreito cenário do showbiz. Hoje, como se sabe, os requisitos para o sucesso passam muitas vezes bem longe deste item.

Como cantor, o tempo fez bem a Cross: melhorou sua técnica, sempre limitada a uma voz anasalada, e intensificou o seu lado de intérprete delicado, correto e sem exageros. Na parte musical, seara na qual ele se coloca com mais presença, as canções deste trabalho trazem, com maior acentuação folk, as linhas melódicas bem construídas que sempre caracterizaram seus grandes hits.

Entres os bons exemplos estão "November" – cuja suavidade remete à "Think of Laura", do seu segundo disco – e "When You Come Home". Outro momento de destaque é "Still I Resist", juntamente com a faixa-título. Em "Doctor Faith", aliás, Cross retoma a parceria com o amigo Michael McDonald, seu fiador no início de carreira e parceiro nos vocais de "I Really Don't Know Anymore", segundo petardo do arrebatador e multipremiado álbum de 1980.

O som de Christopher Cross – refinado como conceito, leve na sua essência – deve ser saudado sob diversos motivos para os fãs mais chegados. Mesmo para os mais distantes, o trabalho deixa uma sensação de alívio para os ouvidos, em meio a tanto barulho propalado por aí nos dias atuais.

terça-feira, 19 de março de 2013

O grande (e certeiro) salto de Timberlake

Justin Timberlake apresenta em "The 20/20 Experience" um dos melhores álbuns de R&B lançados nos últimos anos. Mais que isso, o projeto que põe fim ao hiato de sete anos do agora cantor/ator no cenário da música representa um salto consideravelmente arriscado e grandioso na sua carreira. Justin abre mão dos hits curtos, pegajosos e radiofônicos que dominam o cenário pop desde a explosão de cantoras plastificadas, como Christina Aguilera, Jennifer Lopez e Beyoncé, e parte de peito aberto para uma obra coesa, conceitual e sofisticada, cujo segundo volume deverá sair ainda em 2013.

 
Amparado nos estúdios de gravação pelo parceiro-guru Timberland e nos palcos pela super banda The Tennessee Kids – ambos lhe dando o suporte necessário para a execução da sua verve apurada de showman – Timberlake performa, tanto no disco quanto nas apresentações ao vivo, a maturidade que o tempo longe da música parece lhe ter conferido. Algo necessário, já que nesses sete anos fenômenos teens como o xará Bieber surgiram fazendo (sem a mesma competência) muito do que Timberlake já fizera em trabalhos anteriores no N'Sync e na fase solo. Se era hora de voltar dando um passo adiante, ele demonstra estar dando vários, e largos.

O repertório de "20/20" traduz com fidelidade o lado pouco óbvio da volta desse Timberlake maduro à música, a começar pela duração das canções, entre seis e oito minutos em média. As faixas quase sempre condensam sutis intervenções pré-programadas aos arranjos elaborados dos Tennessee Kids, e isso fica claro no eletro-samba Let the Groove Get In. As baladas Pusher Love Girl e Spaceship Coupe moderam no açúcar e apostam na sensualidade fina dos falsetes bem aplicados por Timberlake.

A tônica do álbum, no entanto, está na corrente calcada no synthpop travestido de R&B vintage, tanto em viagens mais intensas como na ótima Tunnel Vision quanto na leve Strawberry Bubblegum – cujo frescor transita entre o Michael Jackson de "Off the Wall" e o Stevie Wonder de "Rocket Love". Os singles de entrada, Suit & Tie (com participação de Jay Z) e Mirrors, talvez sejam o lado mais palatável para o público pouco afeito a compreender a unidade de um disco-conceito, mas podem suscitar a curiosidade para o restante do trabalho.

Como afirmou precisamente o crítico Lucio Ribeiro, a coisa mais fácil e cômoda para Justin Timberlake, neste momento, seria retornar ao mundo da pop music fazendo algo na mesma linha do que ele já fez antes, com a certeza do sucesso confortável e garantido. Através de "20/20", entretanto, ele opta por depositar um capital artístico alto e corajoso no intuito de mudar o rumo da prosa e, por que não?, se jogar em um novo patamar, no qual paira uma constelação de estrelas do porte de Michael Jackson, Madonna e Prince.

"The 20/20 Experience", excelente do início ao fim, não deixa dúvidas de que Timberlake está na trajetória certeira para chegar lá. A música agradece.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Brincando de PVC: as diferenças ao final dos turnos na Era dos Pontos Corridos


Para quem gosta de futebol, acompanhar o Campeonato Brasileiro pelo termômetro das redes sociais pode ser tão ou mais divertido que muitos dos jogos da própria competição. A dança das cadeiras envolvendo candidatos ao título e postulantes às vagas na Libertadores faz mudar os personagens a cada gol, a cada vitória suada ou a cada ponto conquistado. Um golzinho nos acréscimos do árbitro pode mudar tudo, e haja 140 caracteres para desabafar!

Ontem mesmo, no Facebook, um amigo tricolor jogou a toalha após Ronaldinho Gaúcho marcar seu golaço no clássico contra o Cruzeiro, que colocava o Atlético-MG à frente do placar (2x1) e líder absoluto do Brasileirão 2012.

- Infelizmente, tenho que admitir: o brasileiro deste ano já tem dono. Vou ter que dar uma de vascaíno e torcer pelo vice-campeonato – lamentava ele.

Quando li o post, já no final da partida, resolvi ponderar, dizendo que estávamos apenas na metade do torneio e que muita água ainda iria rolar. Antes mesmo de escrever a mensagem, gol de empate do Cruzeiro!, e vários outros tricolores não demoraram a comemorar, em letras garrafais:

- FLUZÃO RUMO AO TETRA!

O que um golzinho maroto do adversário de amanhã – mas aliado de hoje – não faz...

Minutos depois, numa mesa redonda de fim de domingo, um comentarista, após analisar a tabela de classificação da 19º rodada, não titubeou ao declarar que a disputa do título estará restrita a Atlético-MG e Fluminense (líder e vice-líder). Como no lamento do meu sofrido amigo tricolor, vi naquela afirmação uma boa dose de precipitação, baseado no fato de que teremos ainda 57 pontos a serem disputados na segunda parte do Campeonato. Mas fiquei pensando se, talvez, ele não estivesse com a razão. Não pela capacidade de prever o futuro, mas pela análise do que aconteceu no passado.

Como não sou adivinho, muito menos comentarista esportivo, resolvi tirar a limpo a questão do passado e conferir as mudanças que ocorreram nas primeiras posições na classificação ao final de cada um dos turnos dos Campeonatos Brasileiros da chamada Era dos Pontos Corridos – ou seja, entre 2003 e 2011.

Em suma: graças à ajuda da insônia, revolvi brincar de PVC.

Devo dizer que, por não ter o talento daquele ciborgue disfarçado de cronista esportivo, não consegui chegar a lugar algum tentando decifrar tantos e tantos números. Pude, entretanto, notar algumas coisas:

Dos nove Campeonatos Brasileiros de pontos corridos realizados até hoje, apenas em dois deles (2008 e 2009) o campeão do primeiro turno não foi o campeão do segundo turno – e da própria competição.

Apenas em 2009 o time que viria a se sagrar o campeão Brasileiro – Flamengo – não estava entre os primeiros colocados ao final do primeiro turno.

Em sete dos Campeonatos Brasileiros de pontos corridos, de um total de nove (o que dá cerca de 77%), mais da metade dos times que terminaram o primeiro turno na ponta de cima da tabela fecharam o returno no mesmo grupo dos primeiros.

Apenas nos Campeonatos de 2007 e de 2010 mais da metade das cinco primeiras posições ao final do Campeonato eram ocupadas por times que não estavam entre os cinco primeiros ao final do primeiro turno.
 
São até numerosos os exemplos de times que fecharam o primeiro turno na metade de baixo da tabela e conseguiram, no returno, se recuperar com força e chegar entre os primeiros colocados: São Caetano, em 2003; Atlético-PR, em 2005; Flamengo e Fluminense, em 2007; Cruzeiro, em 2009; Grêmio, em 2010; e Fluminense, em 2011.

Apenas o Criciúma, em 2003, e a Ponte Preta, em 2005, saíram das primeiras posições ao final do primeiro turno do torneio para a metade de baixo da tabela ao final do segundo turno.

Embora não apareça na compilação abaixo, a maior recuperação que um time já obteve em um segundo turno aconteceu em 2003, quando o Goiás ganhou 44 pontos (64% dos pontos possíveis) e terminou a competição em 9º lugar – ao fim do primeiro turno, o Goiás tinha 21 pontos e ocupava a última posição na tabela.

É possível que haja outras coisas interessantes nessa numeralha toda, mas a insônia já passou e eu vou dormir.

Abaixo, a comparação dos primeiros colocados nos dois turnos em todos os Campeonatos Brasileiros de pontos corridos, com uma pequena análise de quem saiu e de quem entrou no grupo de cima, em cada um dos turnos. Como os Brasileiros entre 2003 a 2005 tinham mais de 20 clubes, fechei em seis clubes, e não em cinco, o chamado "grupo de cima" nesses anos.

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BRASILEIRO 2003

23ª rodada:
1º) Cruzeiro - 47
2º) Santos - 44
3º) São Paulo - 42
4º) Coritiba - 39
5º) Atlético-MG - 38
6º) Criciúma - 37

46ª rodada:
1º) Cruzeiro - 100
2º) Santos - 87
3º) São Paulo - 78
4º) São Caetano - 71
5º) Coritiba - 73
6º) Internacional - 72

ANÁLISE: Quatro dos seis primeiros se mantiveram na ponta entre o término do primeiro e do segundo turno. O Atlético-MG terminou o campeonato em 7º (72) e o Criciúma em 14º (60). Ao final do primeiro turno, o Internacional era 7º (36) e o São Caetano era 11º (32).

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BRASILEIRO 2004

23ª rodada:
1º) Santos - 41
2º) Ponte Preta - 41
3º) São Paulo - 41
4º) Palmeiras - 40
5º) Atlético-PR - 38
6º) Juventude - 38

46ª rodada:
1º) Santos - 89
2º) Atlético-PR - 86
3º) São Paulo - 82
4º) Palmeiras - 79
5º) Corinthians - 74
6º) Goiás - 72

ANÁLISE: Quatro dos seis primeiros se mantiveram na ponta entre o término do primeiro e do segundo turno. O Juventude terminou o campeonato em 7º (70) e a Ponte Preta em 10º (64). Ao final do primeiro turno, o Goiás era 7º (36) e o Corinthians era 9º (34).

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BRASILEIRO 2005

21ª rodada:
1º) Corinthians - 42
2º) Fluminense - 38
3º) Goiás - 37
4º) Paraná - 37
5º) Internacional - 34
6º) Ponte Preta - 33

42ª rodada:
1º) Corinthians - 81
2º) Internacional - 78
3º) Goiás - 74
4º) Palmeiras - 70
5º) Fluminense - 68
6º) Atlético-PR - 61

ANÁLISE: Quatro dos seis primeiros se mantiveram na ponta entre o término do primeiro e do segundo turno. O Paraná terminou o campeonato em 7º (61) e a Ponte Preta em 18º (51). Ao final do primeiro turno, o Palmeiras era 8º (32) e o Atlético-PR era 16º (25).

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BRASILEIRO 2006

19ª rodada:
1º) São Paulo - 38
2º) Internacional - 34
3º) Santos - 32
4º) Paraná - 31
5º) Grêmio - 29

38ª rodada:
1º) São Paulo - 78
2º) Internacional - 69
3º) Grêmio - 67
4º) Santos - 64
5º) Paraná - 60

ANÁLISE: Todos os cinco primeiros se mantiveram na ponta entre o término do primeiro e do segundo turno.

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BRASILEIRO 2007

19ª rodada:
1º) São Paulo - 40
2º) Botafogo - 33
3º) Cruzeiro - 32
4º) Vasco - 31
5º) Palmeiras - 30

38ª rodada:
1º) São Paulo - 77
2º) Santos - 62
3º) Flamengo - 61
4º) Fluminense - 61
5º) Cruzeiro - 60

ANÁLISE: Apenas dois dos cinco primeiros se mantiveram na ponta entre o término do primeiro e do segundo turno. O Palmeiras terminou o campeonato em 7º (58), o Botafogo em 9º (55) e o Vasco em 10º (54). Ao final do primeiro turno, o Santos era 8º (27), o Flamengo era 11º (27) e o Fluminense era o 12º (26).

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BRASILEIRO 2008

19ª rodada:
1º) Grêmio - 41
2º) Cruzeiro - 36
3º) Palmeiras - 34
4º) São Paulo - 33
5º) Vitória - 32

38ª rodada:
1º) São Paulo - 75
2º) Grêmio - 72
3º) Cruzeiro - 67
4º) Palmeiras - 65
5º) Flamengo - 64

ANÁLISE: Quatro dos cinco primeiros se mantiveram na ponta entre o término do primeiro e do segundo turno. O Vitória terminou o campeonato em 10º (52). Ao final do primeiro turno, o Flamengo era 7º (31).

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BRASILEIRO 2009

19ª rodada:
1º) Internacional - 37
2º) Palmeiras - 37
3º) Goiás - 35
4º) São Paulo - 33
5º) Atlético-MG - 32

38ª rodada:
1º) Flamengo - 67
2º) Internacional - 65
3º) São Paulo - 65
4º) Cruzeiro - 62
5º) Palmeiras - 62

ANÁLISE: Três dos cinco primeiros se mantiveram na ponta entre o término do primeiro e do segundo turno. O Atlético-MG terminou o campeonato em 7º (56) e o Goiás em 9º (55). Ao final do primeiro turno, o Flamengo era 7º (29) e o Cruzeiro era 14º (22).

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BRASILEIRO 2010

19ª rodada:
1º) Fluminense - 38
2º) Corinthians - 37
3º) Santos - 31
4º) Internacional - 31
5º) Botafogo - 31

38ª rodada:
1º) Fluminense - 71
2º) Cruzeiro - 69
3º) Corinthians - 68
4º) Grêmio - 63
5º) Atlético-PR - 60

ANÁLISE: Apenas dois dos cinco primeiros se mantiveram na ponta entre o término do primeiro e do segundo turno. O Botafogo terminou o campeonato em 6º (59), o Internacional em 7º (58) e o Santos em 8º (56). Ao final do primeiro turno, o Cruzeiro era 6º (31), o Atlético-PR era 7º (27) e o Grêmio era 16º (20).

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BRASILEIRO 2011

19ª rodada:
1º) Corinthians - 37
2º) Flamengo - 36
3º) São Paulo - 35
4º) Vasco - 35
5º) Botafogo - 34

38ª rodada:
1º) Corinthians - 71
2º) Vasco - 69
3º) Fluminense - 63
4º) Flamengo - 61
5º) Internacional - 60

ANÁLISE: Três dos cinco primeiros se mantiveram na ponta entre o término do primeiro e do segundo turno. O São Paulo terminou o campeonato em 6º (59) e o Botafogo em 9º (56). Ao final do primeiro turno, o Internacional era 8º (27) e o Fluminense era 11º (25).

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Dois anos para 27. E o mundo espera


Neste último domingo, Lionel Messi completou 25 anos de vida. O que significa dizer que daqui a dois anos, quando estiver em meio à disputa da Copa do Mundo do Brasil, o argentino estará chegando aos 27.

É bem possível que, nesse meio tempo, La Pulga aumente ainda mais a sua já considerável coleção de feitos pessoais, logrando uma Liga dos Campeões aqui, um Campeonato Espanhol ali, umas Copas do Rei acolá. E é bem possível também que Messi, como de costume, dê um show particular em todas essas possíveis conquistas, assombrando o mundo como vem fazendo com certa assiduidade há coisa de quatro anos.

Mas se, do contrário, Leo Messi não conquistar nem mais um título sequer e passar em branco de qualquer uma das artilharias dos campeonatos que disputar, ainda assim, ele entrará em campo nos estádios brasileiros pronto para fazer da Copa do Brasil a sua Copa. Tanto quanto a de 1974 foi de Cruyff, a de 1986 de Maradona, a de 1994 de Romário e a de 2006 de Zidane.

Voltando ao presente: Messi chega hoje aos 25 anos tendo obtido um cartel de conquistas pessoais e coletivas que pouquíssimas vezes se viu na história do futebol. Um currículo que expõe em letras garrafais a capacidade de decidir e de se posicionar como estrela em um time que orbita além da curva da normalidade.

Messi é o caso raro no qual a objetividade individual está sempre unida, visceralente, ao jogo coletivo. Por mais que uma vitória tenha a sua marca através de um gol antológico, ele parece sempre servir mais aos companheiros do que a si próprio. No mundo do futebol de hoje, é caso para estudos.

Os que colocam em dúvida o lugar de Messi no panteão seleto dos imortais da bola usam, geralmente, dois argumentos para confrontá-lo: a falta de atuações convincentes em número expressivo pela seleção argentina e, em consequência, a ausência de uma Copa do Mundo na sua prateleira de feitos.

Quanto às atuações pela Argentina, não é necessário nem muito para defendê-lo – e não me refiro à natural falta de entrosamento em um time que poucas vezes joga junto. Basta dizer que pouco (ou nada) importa comer a bola contra a Bolívia ou a Venezuela pelas Eliminatórias se você tem o hábito de degustar o excepcional time do Real Madrid com requintes de crueldade pelo menos duas vezes por temporada. E isso, ninguém pode negar, Messi sabe fazer como ninguém.

De fato, a grande questão que se coloca para o argentino a essa altura da vida – e por isso a lembrança dos 27 anos que ele completará durante a próxima Copa – está na capacidade de conduzir, como protagonista, a Argentina para uma terceira conquista mundial.

Lionel Messi, creio, tem absoluta ciência desse desafio que se impõe. Ele sabe que a sua grande Copa dificilmente será a da Rússia em 2018 (aos 31 anos), tampouco a do Qatar (com pesados 35 anos) em 2022.

Tal como Romário, que chegou aos Estados Unidos com a "maturidade" dos seus 28 anos aliando uma fase espetacular à experiência de Copas anteriores malsucedidas, o argentino terá no Brasil um conjunto de fatores perfeito para brilhar, individual e coletivamente.

Messi não terá a preocupação de obrigatoriamente fazer da Copa do Brasil um trampolim para o sucesso próprio na carreira. Ele desembarcará por aqui tendo conquistado tudo; todos os torneios, todas as premiações, toda a fortuna que poderia. Mas se por um lado ele poderá jogar livre de ambições pessoais, por outro ele terá consigo a marcação cerrada da opinião pública, dos compatriotas e dos colegas de seleção.

No Brasil, Messi terá que chamar para si a responsabilidade de se fazer eterno, incontestável e gigante na história do futebol mundial. E ninguém há de duvidar que a conquista de uma Copa do Mundo, em território brasileiro, o colocará acima de qualquer outro em seu país. Mario Kempes e Diego Maradona certamente sabem disso.

Quando o árbitro apitar o início da partida no estádio do Itaquerão no dia 12 de junho de 2014, estará começando, com o Brasil em campo, a Copa do Mundo de 2014. Faltando menos de dois anos, ainda se discute em quais condições as principais seleções chegarão, os nomes dos potenciais candidatos a artilharia e a lista dos possíveis azarões. Uma das poucas certezas está no nome e no sobrenome da estrela maior da competição: Lionel Messi.

O que resta saber é se o gênio argentino multicampeão e três vezes (por enquanto) melhor jogador do planeta conseguirá responder a todos os questionamentos que ainda o cercam no momento em que o juiz encerrar, no Maracanã, o jogo do dia 13 de julho de 2014. O maior deles: estará Messi em campo, pronto para erguer a taça?

Esse enredo só ele poderá escrever. E justamente aqui, no Brasil.

Rezemos.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Gigante pela própria natureza rubro-negra?


Sou flamenguista e amo meu time. Já chorei e ainda choro por ele, nas alegrias e nas tristezas. Vou chorar ainda, tenho certeza.

Isto posto, nunca me vi impedido, pela paixão, de ver as coisas como elas realmente são, ao menos sob o meu juízo de valor.

Se determinada avaliação sobre o time, o clube, a comissão técnica ou a diretoria não é aquela que eu gostaria que fosse, faço o máximo esforço para não me enganar tentando ver cor-de-rosa onde só há marrom.

Em se tratando do objeto que envolve um sentimento por vezes irracional, irascível na sua essência, é algo mais difícil do que parece à primeira vista.

A ocorrência de mais um vexame protagonizado pelo Flamengo numa Taça Libertadores da América, após derrotas para fraquíssimos times como Olímpia e Emelec (para não lembrar da Copa Sul-Americana em 2011), provocou em mim um turbilhão de pensamentos, a maioria deles imbuído de uma profunda raiva, típica do torcedor apaixonado/decepcionado. Mas, além disso, me fez voltar a pensar sobre algo que já me veio em outras ocasiões aleatórias.

Seria o gigantismo do Flamengo, na sua essência, uma interrogação? A enormidade absoluta que cultuamos como intocável, sempre existiu?

Explico-me, antes das pedradas que possam vir: o Flamengo sempre foi grande, muito grande. Sob influência das emissoras de rádios e posteriormente de televisão, todas de alcance nacional sediadas no Rio, o Flamengo amealhou com o tempo adeptos dos mais variados rincões do Brasil, o que ajudou a formar a maior torcida de futebol do país.

Sempre fomos o time do povo, e a imensa massa adotou o Maracanã como casa, talvez por ser a única que pudesse abrigar a legião incontável.

Os questionamentos acima, portanto, não se referem à grandeza do Flamengo como clube, como marca ou símbolo do esporte nacional.

Falo do futebol rubro-negro.

Do que éramos antes do surgimento da Era Zico, do que passamos a ser com ela e do que somos hoje, anos após o seu fim.

No ano que marca o centenário do futebol rubro-negro, e levando-se em conta toda a grandeza histórica, é possível afirmar, sem ferir o bom senso, que o Flamengo nunca foi um gigante absoluto antes de Zico e companhia.

Ao longo de 67 anos de várias conquistas estaduais e muitos craques desfilando com o manto sagrado nos campos do Brasil e do mundo, nosso maior título conquistado havia sido o Torneio Rio-S. Paulo de 1961.

Ok, os campeonatos estaduais tinham mais relevância naquela época, alguns contavam como grandes conquistas (como os três tricampeonatos), mas já eram, desde o final dos anos 1950 e início dos 60, vistos como torneios locais, menores. Assim é até hoje.

Além do nosso quintal, a rigor, a glória única rubro-negra era mesmo o Rio-S. Paulo de 1961.

Por outro lado, nossos rivais já tinham ido muito além de nós.

O Santos com a avalanche da Era Pelé e seus Mundiais, Libertadores e Taças Brasil (várias); Palmeiras e Fluminense com as Copas Rio (com status de Mundiais), Robertões e Brasileiros; Vasco e seu Sul-americano e Brasileiro; Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Atlético e Bahia abocanhando os Nacionais...

A lista é grande e dimensiona com clareza a carência vivida pelos que já formavam a Nação Rubro-Negra.

Faltava ao futebol do Flamengo um currículo à altura da sua grandeza, o que só viria a ser corrigido pela geração encabeçada por Arthur Antunes Coimbra. Repito: 67 anos depois de o Flamengo começar no futebol.

Algo de sobrenatural e inexplicável tratou de redimir essa injustiça histórica de décadas, forjando num mesmo momento, num mesmo local, um dos maiores times de todos os tempos que o mundo já viu.

E o que se viu, a partir dos anos 1980, foi o Flamengo provocar em si mesmo uma mudança radical de patamar no contexto do futebol brasileiro e internacional.

Ao ganhar uma sequência de Mundial, Libertadores e quatro Brasileiros, aquela geração reposicionava o grande clube, que mesmo sem uma grande performance histórica sempre deteve a maior torcida do país, para o nível dos gigantes do mundo do futebol – agora com currículo, taças e tudo mais.

A Era Zico nos deu o maior Flamengo possível, cujo mais sofredor e fanático torcedor talvez nem sonhasse em ver um dia.

Vou mais além: credito ainda as conquistas da Copa do Brasil de 1990 e dos Brasileiros de 1992 e 2009 àquela geração de ouro, dado que as participações de Júnior (como jogador nos dois primeiros) e de Andrade (como técnico no último) foram absolutamente cruciais para os títulos tomarem o caminho da Gávea.

O que se vê no pós-Zico é outro clube, muito maior e mais representativo – agora não só dentro daquele conceito de grandeza subjetiva, mas em conquistas efetivas – comparado ao que era poucos anos antes.

E o que seremos daqui para frente?

Pois bem, a cada novo baque, a cada decepção internacional ou vexame local, essa questão bate a minha cabeça. Passaremos décadas tentando nos desvincular de um passado majestoso, imponente, mas que parece sombrear cada nova geração como um fantasma a ser batido?

Vale lembrar que o Santos passou por isso anos a fio, desde o fim de Pelé, até formar a turma de Robinho e Diego e, logo depois, de Neymar e Ganso. Voltou a ser um monstro do futebol.

É bem verdade, e isso deve ser registrado, que pelo menos três títulos relevantes foram levantados após a dissolução da Era Zico, sem a participação de nunhum membro daquela saga: a Copa Mercosul de 1999, a Copa dos Campeões de 2001 e a Copa do Brasil de 2006. Todos torneios oficiais, de destaque. Mas o Flamengo que emergiu após do advento do Messias de Quintinho e seus Apóstolos pede mais que isso.

Creio que seja justamente nessa ânsia de se provar enorme como sempre fomos (sempre?) que o Flamengo talvez encontre o seu maior dilema hoje: virar a página de uma fase espetacular e ganhar musculatura em meio ao gigantismo do futebol atual, dominado não só por bons times e craques da moda, mas também por muito dinheiro, estrutura, planejamento, marketing, patrocínios, sócios...

Com as bênçãos de Júnior, Adílio, Raul, Nunes, Leandro, Tita, Andrade, Mozer e do Galinho Zico: o gigante Flamengo deixado por vocês precisa renascer!

Isso vai acontecer, tenho certeza. Não há como voltar atrás e ver o bonde do futebol moderno passar sem que estejamos dentro dele.

A dúvida que fica para mim é se levaremos muito ou pouco tempo para seguirmos em frente.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

"Hoje a festa é sua..."

R$ 350 mil é quanto a prefeitura do Rio vai pagar por 1h20 de show do Latino no reveillon de Copacabana.

Vire o ano com essa informação e curta bastante 2012.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

1981: a viagem rubro-negra em 140 caracteres


"Oh, meu Mengão, eu gosto de você...". Não paro de cantar essa música. A cidade não para de cantar essa música.

É assim sempre que o Flamengo é campeão, ainda mais em cima do arquirrival Vasco e especialmente às vésperas de uma inédita decisão Mundial. Estamos acreditando, mas sabemos da dificuldade que será enfrentar o Liverpool, campeão europeu com banca de melhor do mundo. Eu cá confio que o nosso esquadrão rubro-negro, com Zicão e companhia (Leandro, Tita, Adílio, Júnior, Mozer, Nunes, Andrade...), vá calar os ingleses em Tóquio. É muita emoção, amigo. É muita alegria!

Não, eu não surtei. Pelo menos ainda não.

Explico: há coisa de duas ou três semanas, eu descobri no Twitter, meio por acaso, uma daquelas sacações que faz você pensar "como ninguém fez isso antes!". A partir de uma ideia simples, mas muito bem executada e extremamente sedutora, o perfil @RealTimeFla81 leva o seu seguidor, em tempo real, ao dia a dia das últimas semanas daquele mítico ano de 1981, do qual todos os flamenguistas, nascidos há época ou não, conhecem de cor e salteado.

Não se trata apenas de alguém, com olhos de hoje, contando tudo aquilo que aconteceu exatamente trinta anos atrás. É mais e melhor que isso.

Com incrível riqueza de detalhes e uma precisão histórica capaz de impressionar qualquer pesquisador, pormenorizando fatos e acontecimentos que talvez até na época tenham passado desapercebidos, a pessoa (ou equipe) responsável pelo espaço no microblog permite ao torcedor rubro-negro se transportar de alma e sentimento para aqueles dias. Dias em que o mundo confirmaria o que todos aqui já sabíamos de Maracanã cheio: o melhor time de futebol do planeta Terra era brasileiro, carioca e residia na Gávea.

Pela leitura sensorial dos posts, me dei conta que tivemos um lindo domingo neste 6 de dezembro de 1981 no Rio de Janeiro. Ensolarado, praias lotadas, tipicamente carioca. Dia de final no Maracanã com mais de 170 mil pessoas. Dia de Flamengo x Vasco decidindo um Campeonato Estadual que, às véspera de uma final de Mundial de Clubes, poderia valer pouco para os flamenguistas. Mas onde que um Flamengo x Vasco decisivo vale pouco?

Com gols de Adílio e Nunes (golaço, por cobertura!), ganhamos de 2 a 1 a terceira e derradeira partida das finais. Levantamos pela 21ª vez a taça de melhor do Rio – o terceiro título seguindo sobre os cruzmaltinos.

Agora é pensar na longa viagem, em evitar maiores desgastes e na preparação curta que teremos pela frente até o grande dia 13 de dezembro de 1981. O dia em que o Flamengo, empurrado pelo apoio milhares de japoneses e de milhões de brasileiros que estarão insones na próxima madrugada de sábado para domingo, há de ser consagrar, na bola, o melhor time do mundo.

Quem viu, viu. Quem não viu, que siga o @RealTimeFla81 para saber como termina essa história.

Saudações Rubro-Negras

sábado, 19 de novembro de 2011

Porque inserir a discussão sobre Belo Monte no contexto energético brasileiro


O texto anterior, feito a reboque da divulgação do vídeo em que estrelas globais se pautaram em argumentos falsos e ardilosos para detonar a usina hidrelétrica de Belo Monte, me deixou surpreso e feliz. Surpreso por ter proporcionado uma boa discussão em torno do assunto nas redes sociais. Feliz por conseguir chamar a atenção de pessoas até então alheias a um tema de tamanha importância. Trabalho como jornalista especializado no setor de energia há 11 anos, tempo suficiente que me permite dar um breve pitaco sobre alguns fatos que cercam esse assunto.

1 - O Brasil é dono da matriz energética mais limpa DE TODO O PLANETA, 46% dela composta por fontes energéticas de origem renovável. A participação média das renováveis nos países-membros da OCDE (a grande maioria desenvolvidos) é de 13%, caindo para apenas 6% em nível mundial. Embora pouco lembrada, essa é uma vantagem competitiva da qual temos muito que nos orgulhar;

2 - Talvez a grande contribuição para que tenhamos essa larga margem de fontes renováveis na nossa matriz venha da fonte hidráulica – em outras palavras, da geração hidrelétrica. O vídeo global, entre tantos absurdos, traz a desinformação para uma população leiga no assunto de que a hidreletricidade não é uma fonte limpa. Como? NADA MAIS MENTIROSO! A energia hidrelétrica é sim limpa (apresenta baixíssima quantidade de emissões de gases causadores do efeito estufa), barata (na verdade, é a forma mais barata de gerar eletricidade que existe no país) e conta largo domínio tecnológico por parte da indústria nacional;

3 - Além de todas essas vantagens, a hidreletricidade apresenta um amplo espaço a ser explorado no país. O potencial hidrelétrico total do Brasil é de cerca de 260.000 MW, sendo que apenas 1/3 desse montante foi efetivamente utilizado. Grande parte (quase a totalidade) dos 2/3 restantes se encontra na Região Norte do país. E aqui vale dizer: ISTO NÃO SIGNIFICA QUE O BRASIL VÁ EXPLORAR TODO O SEU PORTENCIAL HIDRELÉTRICO! Em virtude de premissas pautadas no respeito à preservação ao meio ambiente, apenas uma fatia desses 2/3 restantes será utilizada pelo Brasil, mesmo que isso represente, na prática, o abandono de uma fonte energética tão competitiva;

4 - O BRASIL É UMA POTÊNCIA ENERGÉTICA MUNDIAL. Além da hidreletricidade, nosso país conta com um vasto campo para exploração de fontes limpas e/ou renováveis. Eólica, etanol, biomassa da cana-de-açúcar, solar, biodiesel... A grande vedete do momento, na área elétrica, é a energia eólica. Estima-se atualmente que o potencial nacional de geração de eletricidade através dos ventos ultrapasse os 300.000 MW, tomando como base torres de 100 metros de altura. Para se ter uma ideia, hoje a totalidade do parque instalado no setor elétrico brasileiro (considerando TODAS as fontes) é de 115.000 MW;

5 - E o que o Brasil está fazendo na área eólica? Até 2005, tínhamos apenas 25 MW instalados em usinas deste tipo. A partir da criação de um programa de contratação baseado em leilões públicos, organizados pelo governo, o país tem apresentado uma forte expansão da geração dos ventos, acima de todas as expectativas e projeções. Deveremos chegar em 2014 com cerca de 7.500 MW eólicos instalados no país. No próximo dia 20 de dezembro será realizado um novo leilão (o terceiro em 2011) para contratar energia, incluindo eólica. Outro leilão já está marcado para março de 2012;

6 - Acontece que apesar de limpa, ambientalmente amigável e com um vasto potencial a ser explorado, há uma característica técnica que faz da geração eólica apenas uma complementação para o sistema elétrico brasileiro: a ocorrência plena de ventos nos parques eólicos é de aproximadamente 30% ao longo ao ano, impedindo que ela seja considerada uma energia de base. Você toparia ter energia durante apenas 30% do ano na sua casa? É por isso que a existe a necessidade de o país adotar um "mix energético" composto por fontes complementares (caso da eólica e da solar, que será explorado em pouco tempo) e de base (como é o caso das hidrelétricas e da nuclear, esta também uma fonte sem emissão de gases poluentes);

7 - A questão do preço é outro fator que não pode ser deixado de lado. Para se ter noção, a energia eólica foi negociada no leilão público deste ano a um custo médio pouco abaixo de R$ 100 o MWh – valor muito inferior ao que ela custava pouco tempo antes. A usina hidrelétrica de Teles Pires, no Mato Grosso, leiloada pelo governo no final do ano passado, foi vendida a um custo de R$ 58 o MWh. Ou seja, quase metade do preço médio da eólica. Isso talvez dê a dimensão do grau de COMPETITIVIDADE ECONÔMICA QUE A ENERGIA HIDRELÉTRICA POSSUI se comparada a outros tipos;

8 - E Belo Monte, onde entra nisso tudo? Bem, a hidrelétrica de Belo Monte se insere diretamente no conjunto de vantagens que o nosso país possui no setor energético. Agregar 4.500 MW médios a partir de uma geração limpa, a custo barato e socioambientalmente sustentável é algo que poucos países do mundo podem dispor. A usina de Belo Monte, além de não alagar quaisquer terras indígenas no seu entorno, terá um reservatório com área muito inferior ao que era previsto no projeto original: 516 km², contra os 1.225 km² previstos inicialmente. BELO MONTE SERÁ AINDA A ÚNICA USINA A SER VIABILIZADA NA BACIA DO RIO XINGU;

9 - Um conjunto completo de informações sobre o projeto de Belo Monte, em dois textos de fácil compreensão e com linguagem acessível a todos, pode ser encontrado no site da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, através do link http://bit.ly/v5iEPh;

10 - A discussão em torno de Belo Monte deveria, a meu ver, englobar não apenas o projeto em si, mas os rumos que o país precisa trilhar para garantir às futuras gerações o amplo acesso ao desenvolvimento econômico, social e ambiental que se vislumbra. O setor energético e a geração de energia elétrica são pilares básicos para essas conquistas, desde que utilizando de forma responsável todos os RECURSOS NATURAIS dos quais dispomos. O manancial energético do Brasil tem na hidreletricidade um ativo de inegável valor, e em Belo Monte, particularmente, um projeto emblemático, sustentável e estratégico.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Belo Monte: quando o conteúdo vale menos que a panfletagem


O vídeo lançado no último 16 de novembro contra a usina de Belo Monte, estrelado por atores e atrizes de TV, teatro e cinema, levantou em mim duas grandes inquietações, uma de impacto direto e outra num campo mais subjetivo. O desconforto óbvio passa, evidentemente, pela enorme quantidade de informações mentirosas defendidas a base de interpretações apelativas e melodramáticas. Desempenho típico dos folhetins que muitos daqueles artistas estão acostumados a interpretar nas novelas ou nas peças – financiadas, em grande escala, a dinheiro público oriundo de impostos. Dinheiro meu e seu.

Não há ali preocupação alguma em apresentar alternativas sustentáveis do ponto de vista técnico, social, ambiental e econômico ao projeto. Vale apenas distorcer dados, conceitos e fatos históricos, tudo com o olhar da mocinha indefesa acuada pelo vilão. O resultado seria risível, não tivesse um efeito arrebatador aos olhos leigos da massa encantada com as estrelas. "Vamos lá, assina vai...", suplica a linda atriz. Quem não atenderia a um pedido desses? Noutro frame, o galã humorista, provavelmente sem saber diferenciar um megawatt de um megahertz, lhe intima a "fazer a sua parte". Lendo mais? Pesquisando? Conversando com especialistas? Não, somente replicando o palavrório pela internet. Simples, como convém.

É daí que vem o outro fato curioso que me chamou atenção tão logo o vídeo ganhou o mundo após ser publicado: a falta, por parte do público, de um pensamento formado sobre o que se está falando. A enorme repercussão que o trabalho – muito bem produzido, registre-se – obteve nas plataformas virtuais, tanto em sites de notícias e blogs quanto nas redes sociais, evidenciou a completa ausência de conteúdo crítico nas manifestações "conscientizadas" dos internautas. Jovens, até bem intencionados em sua grande maioria, escondiam por trás da indignação frente ao "monstro da floresta" ignorância pura, travestida muitas vezes da auto-suficiência típica da geração twitter.

Para um tema de tamanha complexidade como é o da energia, cuja compreensão sobre determinada questão exige a busca por informações técnicas geradas por fontes minimamente ligadas ao assunto, a reação imediata da maioria dos e-spectadores do vídeo foi a de absorver a expressão enfática do ator ou a convocação doce da atriz sem qualquer contestação. Revelou-se ali que importa muito pouco (ou nada) se a base do conteúdo e quem o sustenta são confiáveis ou não. Importante, nesse caso, foi apenas replicar e se vender como "mais um nessa corrente". Fazer-se notar como um agente repassador voraz e obstinado, uma espécie de panfleteiro virtual que só de ouvir falar já se vê capaz de levantar um protesto "contra tudo que está aí". Mas e o conteúdo?

Apenas para registrar um pouco da história: a discussão em torno da usina hidrelétrica de Belo Monte remonta o ano de 1980, quando foram finalizados os primeiros estudos de inventário da bacia do rio Xingu. À época, o plano de aproveitamento hidrelétrico da região era composto por duas usinas: a de Kararaô, com 11 mil MW de capacidade; e a de Babaquara, com 6,6 mil MW. Juntos, os empreendimentos trariam um impacto socioambiental que resultava em 18 mil km² de área alagada atingindo sete mil índios e 12 terras indígenas. São mais de 30 anos, período que o país estabeleceu sua redemocratização. Após várias alterações exigidas por órgãos ambientais e representantes da sociedade civil, o projeto atual de Belo Monte prevê uma área alagada de 516 km², sem que nenhuma das atuais 10 terras indígenas localizadas na região seja afetada.

A controvérsia quanto à existência da usina motivou, durante todos esses anos, defesas apaixonadas de lados contrários e favoráveis à sua construção, levando até mesmo a atos inaceitáveis de violência física, como os que fizeram sangrar um engenheiro da Eletrobras há poucos anos durante debate público com a presença de índios armados. Apesar disso, ambos os lados sempre se pautaram pela argumentação técnica e embasada para defender seus pontos de vista, ainda que essas argumentações partissem de premissas diferentes. Algo que essa nova geração, alimentada nas relações virtuais de até 140 caracteres, parece desconhecer. Ir além do copia-e-cola torna-se necessário quando o que está no centro de um debate é algo mais relevante do que a cor da calça da banda de rock do momento.

Eu torço para que ao menos um mérito o vídeo dos "artistas engajados" possa ter: o de fazer as pessoas saírem do conforto da discussão online rápida e rasteira e partirem para as pesquisas aprofundadas sobre o que de fato se passa no cenário energético do Brasil e do mundo. É daí que se espera que saiam as propostas cabíveis para expandir o setor elétrico brasileiro, material esse que os artistas não apresentaram e nem vão apresentar. Essa atitude, de se voltar para a busca do conhecimento, revelaria não só um ganho para a democracia, mas também um movimento inverso ao que se vê nos dias de hoje, quando não se sabe – tampouco faz diferença saber – pelo que ou por quem se está brigando. Basta apenas mostrar para quantos estamos fomentando essa briga.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Listinha dos 25 mais (ou menos) da década de 00 do século XXI

O único critério para a seleção foi o descompromisso, lema deste humilde blog.

• Terça-feira da década – 11 de setembro de 2001

• Frase da década – "Yes, We Can"

• Herói da década – Capitão Nascimento

• Documentário da década – "A Fuga do Alemão"

• Leitura da década – Os arquivos do WikiLeaks

• Mico da década – O Fenômeno e seus três travestis

• Troféu "Óleo de Peroba" da década – José Roberto Arruda, pelo conjunto da obra: http://bit.ly/wANzH

• Troféu "Suzana Vieira" da década – Cicarelli em Ibiza

• Troféu "Rubinho Barrichello" da década – Clube de Regatas Vasco da Gama

• Rebaixamento da década – Corinthians (2007), com menção honrosa para o Palmeiras (2002)

• Gol rubro-negro da década – Pet, no tri (2001): http://bit.ly/16AiY8

• Ex-BBB da década – Sabina Sato, com menção honrosa para Grazi Massafera

• Morte da década – Michael Jackson, com menção honrosa para o disquete e o vídeo cassete

• Site da década – You Tube

• Twitter da década – Angela Bismarchi: twitter.com/angbismarchi

• Show [entre os que eu fui] da década – Paul McCartney (Porto Alegre, 2010): http://bit.ly/gKgmsu

• Música da década – "Deixa A Vida Me Levar", Zeca Pagodinho: http://bit.ly/i98Ids

• Revival desnecessário da década – Guns N' Roses

• Escroto da década – George W. Bush, com menção honrosa para o padre irlandês maluco das Olimpíadas de Atenas

• Intelectual da década – John Maynard Keynes, in memoriam

• Ator, cantor, compositor & humorista da década – Marcelo Adnet

• Homem da década – Steve Jobs

• Mulher da década – Angelina Jolie

• Fodão da década – Eike Batista

• "O Cara" da década – Adivinha?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Preguiça social

Desde a última vez em que postei algumas palavras aqui, e lá se vão quase quatro meses, muitas coisas interessantes aconteceram por aí: bolinhas de papel foram capas de jornais (e alvos de perícia técnica, veja só...), uma mulher foi eleita presidente (ou presidenta?), Paul McCartney voltou ao Brasil (e eu vi!), o Rio entrou em guerra urbana (com as forças de paz virando o jogo, eu acho), o Flamengo escapou da Segunda Divisão (não me perguntem como), o Natal chegou sem avisar na Leader Magazine...

Todos os assuntos cabiam na pauta desse espaço. Mas não entraram por pura e absoluta preguiça do síndico que vos escreve. Preguiça de me alongar em textos possivelmente pretensiosos, sob os quais talvez não tivesse a segurança e o embasamento suficientes para emitir opiniões e assertivas. Mas, sobretudo, preguiça de não abrir mão da facilidade que as redes sociais de tiro curto oferecem a quem não tem obrigação de escrever por ofício.

Já se disse por aí – acredito que foi o Millor Fernandes – que o Google é a cultura prêt-à-porter, cabível a todas as necessidades possíveis e imagináveis. Se isso tem de fato algum fundo de verdade, o Twitter seria o equivalente à caixinha de costura da mamãe nesse universo da moda digital. Acessível a qualquer um dentro dos seus 140 caracteres, o microblog faz de você, sem querer, um pensador em potencial. Ou um escritor em potencial. Ou ainda um jornalista em potencial. Talvez até um fofoqueiro em potencial, dependendo do torpedo.

Tudo isso é permitido naquele cabresto reducionista de letras e expressões, onde todos falam, opinam, acham e sabem. Mas poucos ouvem.

A verdade é que sou um pecador.

Não, não me enquadro no grupo daqueles que matam, roubam ou invejam o próximo (muito menos a mulher o próximo), segundo reza a lista dos pecados mortais sob a guarda da Igreja Católica.

Meus pecados são capitais, encarados hoje em dia como "pequenos desvios moralmente aceitáveis", por assim dizer. A preguiça certamente é um deles. Esse sentimento tão difundido entre gerações – principalmente nos domingos chuvosos – e que nos acomete com maior grau de intensidade às segundas-feiras pela manhã, chovendo ou não.

É ela que explica o hiato neste humilde repositório de ideias rasas.

Fiquei preso às vicissitudes das poucas palavras, e isso gerou em mim uma perigosa sensação de suficiência. Como se bastassem apenas aqueles tijolinhos enfileirados um em cima do outro para que as minhas ideias fossem devidamente trabalhadas e expostas. "Para que escrever mais? Lança uns três ou quatro twitts aí e pronto!", pensei algumas vezes, abortando maiores achismos através do blog.

Ao me deixar induzir pela preguiça das short opinions, acho que acabei caindo nos encantos do fast food intelectual – que tem o seu valor, pois a graça do miojo não está no gosto de isopor, mas na rapidez do bate-entope.

**********

Em tempo: não que eu esteja me comprometendo a fazer disso aqui um relatório diário sobre acontecimentos diversos. Mas acho que, regularmente, vale a pena fugir da fugacidade dos 140 caracteres do Twitter ou dos 420 do Facebook (um luxo, perto do outro) para me aprofundar no olhar crítico sobre generalidades do cotidiano. Como jornalista, é um exercício necessário para a profissão. Como observador, talvez seja a forma de colocar em pratos limpos muitas das nossas (minhas) incongruências.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Di Melo, sabe quem é? Pois procure saber!

Foi assim: na última sexta-feira, após tradicional encontro com amigos jornalistas no Centro, me dirigia a Jacarepaguá, onde pegaria minha esposa para degustarmos um hambúrguer na Barra da Tijuca. Tudo tranquilo até que, a certa altura, a rádio MPB FM insere na programação do seu "Aquecimento MPB" um som que, sem brincadeira e sem exagero, eu nunca tinha ouvido parecido em toda a minha vida. O efeito imediato foi diminuir a velocidade do carro, como num desejo inconsciente que a música, sabe lá porque cargas d'água, também durasse o máximo possível.

Descobertas musicais geralmente provocam em mim a preocupação imediata em memorizar um trecho da letra para que, a partir daí, eu consiga correr atrás depois – o que, com o advento de ferramentas virtuais, ficou muito mais fácil. No dia seguinte, com a ajuda de São Google, cheguei à ficha técnica do sujeito, ao nome da música que ouvira e a outras tantas coisas que igualmente desconhecera.

Vamos aos fatos: a figura se chama Di Melo, e a música-chave é "Kilariô". Tudo bem, eu também jamais tinha ouvido ambos os nomes até então. O cara é pernambucano e gravou, até onde consegui descobrir, um único disco na vida, em 1975 pela antiga Odeon – atual EMI. Os arranjos, para se ter uma ideia, são do bruxo Hermeto Pascoal. O que me chocou foi constatar o meu total desconhecimento diante de tão valiosa obra. O passo seguinte foi ir ao You Tube para descobrir outras cinco ou seis músicas igualmente espetaculares deste disco, fazendo com que a curiosidade se tornasse uma pequena obsessão numa gélida noite de sábado.

"Kilariô" é uma infusão de elementos do funk americano de James Brown com a soul music brasileira de Cassiano, mas diferente de tudo isso. O resultado é uma acentuada batida de samba-rock típica da metade dos anos 70 – Jorge Ben, Bebeto e Black Rio – com leve toque latino e um sotaque nordestino que faz toda a diferença. A letra é tão autêntica quanto à música, com referências a um modo de vida interiorano (fala em vaquinha, mandioca e roça). Uma obra-prima dançante que aguça o interesse de quem a ouve pela primeira vez. As canções que fazem o restante do disco enveredam pelo mesmo caminho, mas vão além. Dono de uma poética muito pessoal, Di Melo cria baladas, canções de protesto e até um tango com a mesma desenvoltura da faixa de abertura.

Se eu consegui, nessas poucas palavras, despertar algum interesse em você que está me lendo agora, maravilha. Di Melo, com algumas décadas de atraso, ainda pode e deve ser muito escutado e dançado Brasil a fora. Nesta minha muy humilde tentativa de acertar as contas com a minha ignorância musical ("só sei que nada sei", já disse o filósofo), deixo abaixo o caminho das pedras para quem quiser saber mais do grande Di Melo. São poucos os vídeos dele no You Tube, mas suficientes para se ter a exata noção da dimensão artística do cantor e compositor. Coloquei o endereço de um blog que dispõe de um link para baixar o disco na íntegra. Não preciso dizer que foi a primeira coisa que fiz, não é?

Agora e sempre, VIVA A MÚSICA BRASILEIRA! Divirta-se.




Baixe o antológico disco de Di Melo em http://escaparfedendo.blogspot.com/2010/01/di-melo-vivo.html

domingo, 18 de julho de 2010

Reminiscências

Os seios fartos de Paul
ainda polvoam minha mente
insana
Como se mundana fosse a curva da bola
que rola
macia
pelos tentáculos de Larissa
Ele, oráculo
Ela, atiça
Golaço!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Coincidências e teorias de Copa: será que funcionam?

Uma das coisas mais legais em época de Copa do Mundo é a profusão de teorias conspiratórias e/ou coincidências numerológicas e matemáticas sobre os possíveis resultados do torneio.

Nunca parei para certificar se as previsões dão realmente certo ou se os cálculos dão com os burros n'água, mas é instigante imaginar que a história, de tempos em tempos, pode se repetir.

Essa aqui abaixo eu recebi hoje por e-mail, e mexe com algumas seleções classificadas para as quartas de final. Se vai dar certo? Sei lá... Mas se der, pode ficar certo que daqui a quatro anos ela vai voltar, com outra previsão irrefutável.

Quem viver verá!

******

O Brasil ganhou a Copa do Mundo em 1994. Antes disso, sua última conquista foi em 1970. Se você somar 1970 + 1994 = 3964.

A Argentina ganhou sua última Copa do Mundo em 1986. Antes disso, só em 1978. Somando 1978 + 1986 = 3964.

Já a Alemanha ganhou a sua última Copa em 1990. Antes disso foi em 1974. Somando 1990 + 1974 = 3964.

Seguindo esta lógica, poderia se ter adivinhado o ganhador da Copa do Mundo de 2002, pois este teria que ter sido o vencedor da copa de 1962!

Conferindo: 3964 - 2002 = 1962.

E o ganhador da Copa em 1962 foi o Brasil!

Realmente, a numerologia parece funcionar...

E quem venceria a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul?

Resposta: 3964 - 2010 = 1954

E quem ganhou em 1954?...

ALEMANHA!!!

Será?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Primeiras impressões (sem compromisso, claro) sobre a Copa 2010:

- Nunca na história deste país uma Seleção Brasileira (ainda em maiúscula) foi tão duramente criticada por seus supostos torcedores. Acho que nem em 1990 a coisa foi tão pesada. Sem entrar no mérito de convocação, escalação, esquema tático ou posicionamento ideológico, esse grupo comandado por Dunga é o atual campeão da Copa das Confederações e da Copa América, além de primeiro colocado nas eliminatórias sulamericanas. Com currículo tão favorável, acho que talvez o escrete canarinho merecesse um voto de confiança maior dos brasileiros.

- Feita a defesa, vale dizer que a postura ríspida, arrogante, sarcástica e auto-suficiente do comandante Dunga e de seu fiel escudeiro Jorginho em nada contribui para arregimentar a torcida para o seu lado - vale dizer, o lado da Seleção. Tenho absoluta convicção que muitos dos que torcem abertamente contra o Brasil o fazem por pura birra com o jeito Dunga de ser, que hoje impera naquele que é o símbolo maior do futebol brasileiro, quiçá mundial. Todos adorariam estar vestindo a camisa amarela, chorando na hora do hino, soltando fogos nos gols, essas coisas de Copa do Mundo. Tudo bem, fica para 2014, aqui em casa...

- O jogo contra a Coreia do Norte mostrou fragilidades no time (meu Deus, nunca achei que fosse escrever isso...). Confiar em Felipe Melo e Gilberto Silva armando jogadas é esperar pela visita do Papai Noel no Natal. Um dos ativos de grandes Seleções Brasileiras, como as de 1970 e 1982, era contar com volantes que sabiam sair para o jogo, que tinham a capacidade de ir muito além do toque lateral burocrático - coisa que mais se viu contra os norte-coreanos. Não, não estou querendo comparar Clodoaldo e Falcão com os citados acima, mas mesmo o Dunga de 1994 tinha algum talento quando procurava sair para o jogo. Rezemos, pois.

- Nunca na história deste esporte uma Copa do Mundo começou tão sofrível, com tantos jogos de nível de Série C de Campeonato Brasileiro. Acho que nem em 1990 a coisa deu a impressão de ser tão ruim como agora. Espero que a maior competição esportiva do planeta recupere os seus melhores momentos a partir da segunda rodada - o primeiro jogo, Uruguai 3x0 África do Sul, pelo menos teve gols...

- Sofrido vai ser, acho que disso ninguém tem dúvida. Mas dá, pode apostar. Eu acredito!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

OLTN


Depois que o Bussunda morreu, e lá se vão quatro anos, nunca mais vi o "Casseta e Planeta" como antes. Parece meio bobo, mas fato é que eu não consigo me acostumar quando um(a) cara jovem morre das chamadas "causas naturais", que nada têm a ver com acidentes, desastres naturais ou violência.

O mais carismático dos cassetas estava apenas batendo uma bola, jogando uma inocente pelada de fim de tarde, nos arredores do hotel onde estava hospedado na Alemanha, durante a cobertura da Copa do Mundo. Não resistiu. Parou de jogar, voltou pro hotel, entrou no quarto e pimba!, caiu duro. Uma coisa escrota, como convém a uma morte absolutamente inesperada e sem sentido. Morte não tem que ter sentido, eu sei, mas algumas não dá nem pra tentar entender.

Nesses dias de TPC (Tensão Pré-Copa) e do recente lançamento da sua biografia, escrita com muita competência pelo Guilherme Fiuza, tenho lembrado constantemente do Bussunda. Da sua cara de gente do bem, das suas impagáveis imitações femininas, da sua paixão avassaladora pelo Flamengo, de como seria a sua presença na África do Sul (quem ele imitaria na seleção, o Kaká?)... Aliás, se tem alguém que faz falta na legião twitteira, esse alguém é o Bussunda. Faz falta o seu humor com categoria, sem baixar o nível pra fazer polêmica. O lance dele era fazer rir, apenas.

Tenho uma história muito boa com o Bussunda. Numa edição de décadas atrás da Bienal do Livro do Rio, estava acompanhando um debate no Café Literário sobre "o humor nos dias de hoje", ou algo do tipo, no qual estavam presentes ele, Hélio de La Peña, Marcelo Madureira, Luiz Fernando Novaes e uma escritora de cujo nome não me recordo. Eu estava sentado próximo ao palco. Em determinado momento do debate, aproveitei um instante de distração dele e dei um livro de piadas do Casseta, que tinha acabado de comprar, para os três integrantes do grupo autografarem ali mesmo. O problema surgiu quando eles sinalizaram com a cabeça perguntando o meu nome...

Como eu não podia responder em voz alta, pois o debate ainda estava transcorrendo, comecei a fazer o movimento labial devagar, mas sem o som da voz, numa tentativa de dizer Oldon – um nome, convenhamos, pra lá de exótico. O-L-D-O-N, fiz com a boca, recheando cada letra. Nada dele decifrar. O Hélio entrou no jogo de adivinhação e, do palco, listava alguns nomes pra mim, movimentando a boca mas sem emitir som:

- "O que, como é o teu nome? Ofon? Olom? Omar? Paulo?" – perguntava de La Peña.

Depois de alguns minutos em que eu tentava inutilmente algum sucesso numa mímica labial amadora em meio a centenas de pessoas (que a essa altura já tinham notado o inusitado da situação), Bussunda chutou o balde. Abriu o livro que estava em sua posse, sacou uma caneta e mandou a seguinte dedicatória a este sujeito de nome incompreensível que ora vos escreve:

"Valeu, OLTN (Obrigações e Letras do Tesouro Nacional). Seu nome é melhor que qualquer piada deste livro. Abraços do Bussunda".

Nunca ri tanto ao ser sacaneado por alguém. Até porque ter sido sacaneado pelo Bussunda, pra mim, foi uma honra.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

"Senhoras e senhores, no palco do Canecão..."

Fechou o Canecão, "a casa onde se escreve boa parte da história da música popular brasileira", como mostra(va) uma frase cunhada pelo produtor e bon vivant Ronaldo Bôscoli na portaria principal da famosa e mítica cervejaria carioca. E era isso sim. Mesmo sendo ultrapassado ao longo do tempo em quesitos tipo espaço interno, conforto e aparato tecnológico por rivais como Metropolitan e Imperator, o Canecão nunca perdeu a pose, muito pelo fato de jamais ter deixado de ser aquilo que sempre foi: sinônimo imediato de principal casa de espetáculos da cidade, e do país também.

Numa época pré-show business, ali era o lugar onde as grandes estrelas faziam temporadas de nove, dez meses, ou até mais de um ano. O sonho de todo artista, fosse de qualquer parte do Brasil, popular ou nem tanto, era ver seu nome estampado no enorme letreiro na entrada da casa de shows de Botafogo, com direito a luzes piscando, neon e tudo mais. Poucas coisas eram mais glamorosas (era uma época em que artista de verdade tinha que ter glamour) no meio artístico do que pertencer ao time de artistas de temporada do Canecão. Bons tempos...

No falecido Canecão, que hoje foi lacrado pela Polícia Federal após uma decisão judicial transferir a posse do local definitivamente para a UFRJ (não perca: em breve, mais uma ruína pública perto de você!), eu já vi:

Fábio Jr. aplaudindo de pé o encerramento de um show do Roberto; Tim Maia agradecendo à Brahma pelo patrocínio e pedindo um copo de Antárctica; Elymar Santos, já famoso (na época), simular um coito com uma dançarina; Daniela Mercury fazendo muito bacana da Zona Sul bater tambor com uns meninos do Pelô; o então futuro governador Cabral chorar ao som de "Quem Te Viu, Quem Te Vê" na voz do Chico; Chitãozinho & Xororó levando as mágoas do sertão para o deleite do high society carioca; um dueto histórico do Charlie Brown Jr. com os Fevers; Air Supply derramar sobre a platéia toneladas de açúcar com as suas belas baladas; Gilberto Gil contar "a história da prisão em Florianópolis pelo porte de um cigarro de maconha", enquanto apresentava seu Unplugged; Baby Consuelo sentar-se comigo à mesa achando que eu era outra pessoa só para poder ver a Marisa Monte mais de perto no palco; Double You fazer um dos melhores shows de playback da minha vida; Ivete Sangalo dizer, sebenta de suor, que "nada pode ser melhor que a encoxada de um negão baiano"; o Skank entrar numa vibe estranha de ser achar os novos Beatles e fazer um showzinho modorrento até o público começar a vaiar e eles desfilarem o repertório juvenil velho de guerra; Netinho descer a baiana para fazer um ótimo show vazio de público; Caetano Veloso gastar o castelhano para fazer um péssimo show cheio de público; Maria Bethânia flutuar no palco (quem já viu sabe que ela consegue); o pagode suburbano do Bom Gosto; o canto lamentado de Raimundo Fagner; o pop que todo mundo adora odiar do Guilherme Arantes; as mulheres se esgoelando pelo Fábio Jr.; muita gente cantando, pulando, admirando, chorando, se divertindo...

Vai deixar saudades a velha cervejaria.

PS: Antes que alguém desconfie da minha extrema amplitude em se tratando de preferências musicais, ou da própria veracidade das informações acima, vale uma explicação: durante uns oito anos, a empresa da qual meu pai era gerente, pertencente a um irmão dele, era uma das patrocinadoras do Canecão. Com isso, ingressos para todas as atrações possíveis e imagináveis jorravam lá em casa durante esse período. Daí a grande quantidade de memórias trazidas da casa de shows de Botafogo. Aliás, realmente bons tempos aqueles...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O que faz de alguém um campeão?


Prometo que volto ao assunto pela última vez.

Mas antes de encerrar esse papo definitivamente, lanço uma indagação: “clubismos” e paixões à parte, o que faz de alguém um campeão de fato?

A concessão de uma taça, diferente daquela que foi entregue ao vencedor no fim de uma disputa?

A emissão de um parecer, anos e anos mais tarde??

A validação de um julgamento de tapetão – repito: de tapetão???

Uma estrela bordada na camisa, uma menção neste ou naquele jornal, revista ou TV????

Bom, não sou esportista (já fui tempos atrás), mas conservo carga suficiente de sensatez para afirmar que nada disso faz de alguém um campeão de fato.

O que faz verdadeiramente de alguém um campeão é a conquista efetiva de um objetivo, seja ele qual for.

No caso do futebol, é ganhar dos seus adversários na bola até o término do confronto final.

Jogando bola de verdade, sem chororôs ou apelações fora do campo de jogo.

Basta somente ganhar no campo. Simples e difícil assim.

Dito isso, vale lembrar o seguinte:

O Flamengo disputou em 1987 um campeonato nacional contra os 15 maiores times do país – e SÓ entre eles, como previa o regulamento inicial e que depois veio a ser deturpado.

Parêntese: por ironia do destino, o Flamengo foi o único voto vencido na discussão sobre a formulação do modelo de disputa, mas respeitou a decisão da ampla maioria e entrou na competição cumprindo o regulamento previamente acordado.

Quatro meses depois, a consumação da ironia: após passar pelo Atlético-MG na semifinal e pelo Internacional na final, o Flamengo ganhava o campeonato.

Terminado o último jogo, naquele 13 de dezembro no Maracanã, o capitão do time vencedor (Zico) recebe de Octávio Pinto Guimarães, então presidente da CBF, a taça de campeão.

Estava encerrada a Copa União de 1987 na sua divisão de elite – refiro-me aqui não ao lero-lero de bolinhas e pareceres carimbados, mas ao jogo de campo, disputado com times, estádios e torcidas.

É por isso que não há taça ou papel timbrado no mundo que anule o gol marcado por Bebeto aos 16 minutos do 1° tempo, após jogada coletiva de Renato, Jorginho, Ailton, Zinho e Andrade.

Decisões de Justiça jamais terão o poder de retirar conquistas logradas dentro de campo, por mais que se queiram forjar campeões dentro de gabinetes.

Desculpem a encheção, mas falo de algo que me é caro não apenas por ser flamenguista, mas especialmente por ter sido um dos 90.000 presentes ao Maracanã na grande final e ter visto, pela primeira vez ao vivo, a conquista de um título pelo meu clube de coração.

Essa emoção – que, como vocês percebem, permanece viva e forte em mim – a CBF jamais entregará em forma de taça ao São Paulo, ao Sport (que sequer disputou a competição) ou a quem quer que seja.

Porque aquele campeonato nacional de 1987, disputado com 16 times, dois grupos, jogos duplos de semifinais e de finais, aquele campeonato foi ganho, sim, pelo Clube de Regatas do Flamengo.

Vida que segue.

Saudações Rubro-Negras