sexta-feira, 6 de julho de 2018

O pragmatismo parou nos belgas


No saldo final da participação brasileira na Copa do Mundo da Rússia ficam muitos questionamentos em torno dos erros capitais da derrota fatal em Kazan contra a Bélgica. Do outro lado, algumas poucas certezas – a principal delas é a de que Neymar, maior craque do time e da sua geração, sai do Mundial menor do que entrou, tanto pelo futebol meia-boca quanto pelas polêmicas em série. No conjunto dos cinco jogos disputados (três vitórias, um empate e uma derrota; oito gols a favor e dois contra), e considerando o desempenho em alto nível que a equipe apresentou num passado recente, a participação do Brasil na Copa de 2018 soa discreta e limitada.

Tecnicamente o time foi correto – embora jamais brilhante – apenas nos noventa minutos contra a Sérvia e no segundo tempo frente ao México. Por outro lado, se viu um Brasil que capengou contra a Suíça, que conquistou uma vitória na base do abafa – já nos acréscimos – contra a fraquíssima Costa Rica, que tomou sufoco em metade do jogo contra os mexicanos e que foi eliminado incontestavelmente quando pegou pela frente um oponente de qualidade. Contra a Bélgica, o primeiro e mais importante ponto a se ressaltar é a contribuição das atuações ruins de Neymar, Coutinho, Willian e Fernandinho para a derrota. Figuras que, num bom dia, poderiam fazer a diferença a favor.

Além de componentes do jogo para a derrota, há também um aspecto decisivo para o fracasso da seleção brasileira: Tite sentiu o peso da Copa do Mundo. Talvez pela inexperiência, possivelmente pelo excesso de pragmatismo, o treinador levou ao fim e ao cabo uma filosofia de pontos corridos para um torneio de tiro curto, onde as necessidades de adaptação aos fatos são prementes e não podem se submeter a caprichos ou teimosias. O técnico e sua equipe se trancaram num ideário pouco afeito a mudança de planos de acordo com as circunstâncias. Numa competição com no máximo um mês de duração, esse cabresto ideológico se mostrou fatal.

O exemplo mais evidente dessa visão limítrofe passa pela injustificável manutenção de Gabriel Jesus como titular até o quinto jogo, algo incompreensível sob qualquer aspecto – inclusive o da tal “função tática” usada como explicação para mantê-lo entre os onze eleitos. “Roberto Firmino está pedindo passagem” foi frase corrente na boca de analistas e torcedores durante toda a Copa, dada a ótima fase vivida pelo atacante do Liverpool. Por que não dar uma chance a uma alteração óbvia, clara, levando-se em conta a inoperância de um centroavante titular que não faz gols? A pergunta vai ficar por muito tempo, talvez sem nenhuma resposta convincente.

Por outro lado, se viu nessa jornada russa pouca ou quase nenhuma variação do esquema de jogo em função do adversário a se enfrentar. Era previsível que o contra-ataque belga, puxado por jogadores do calibre de Hazard, De Bruyne e Lukaku, traria muitas dificuldades para o sistema defensivo, ainda mais com a ausência de Casemiro como cão de guarda à frente da zaga. Não seria o caso de fechar mais o meio com dois volantes de contenção (Fernandinho e Fred) ao invés de manter a mesma configuração super-ofensiva com Willian, Coutinho, Neymar e Jesus, além de um Paulinho sem poder de marcação, flutuando perdido no meio?

A eliminação brasileira nas quartas de final é decepcionante muito em função da expectativa criada com o trabalho desenvolvido pelo treinador desde que assumiu uma seleção em frangalhos, sem apoio da torcida, sem moral depois do 7x1 e sem traço algum de bom futebol. Os méritos inegáveis apresentados por Tite durante as Eliminatórias, montando um time competitivo e eficiente, eram aguardados com alta expectativa justamente no filé mignon desse ciclo. O que se viu na Rússia, entretanto, foi um Brasil de atuações bem abaixo do esperado, sem alternativas táticas, com desempenhos técnicos (coletivo e individuais) aquém do previsto e um modelo de jogo estanque, preso a uma ideia única, fixa.

Para o professor Adenor Bachi, que se auto-designa um “gestor de pessoas dentro do universo do futebol”, fica a lição amarga da perda de um Mundial de grandes surpresas para as camisas gigantes. Isso, claro, no caso de ele ter uma nova oportunidade no Catar em 2022. Para a seleção brasileira, que irá para longos vinte anos de jejum em Copas do Mundo, a necessidade de renovação de nomes no grupo de jogadores talvez seja o item primordial no ciclo de quatro anos que em breve irá se iniciar, seja quem for o técnico responsável por liderar uma nova jornada em busca do hexacampeonato mundial. Veremos o que vem pela frente.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Superman II: The Richard Donner Cut (2006)


A morte da atriz que eternizou a super-mocinha Lois Lane na sétima arte, Margot Kidder, no último dia 13 de maio aos 69 anos, joga luz indiretamente para um capítulo ainda obscuro da filmografia narrativa da saga do filho de Jor-El em terras humanas. Trata-se do corte de “Superman II” assinado e lançado por Richard Donner 26 anos após a película original vir ao mundo, em 1980.

Realizador do antológico “Superman: The Movie” (1978) – volta e meia apontado como o melhor filme de herói de todos os tempos –, Donner também era o diretor da sequência, mas acabou ceifado do comando do projeto pelos produtores durante as filmagens. Para o seu lugar foi escolhido Richard Lester, diretor do primeiro beatle movie, “A Hard Day’s Night” (1964).

Na prática, o substituto se aproveitou de quase todo o material que já fora rodado pelo antecessor para subverter o espírito do roteiro original, criando um clima de comédia pastelão onde, em princípio, haveria a profundidade e a tensão vista na trama que abre o projeto Superman.

Apesar de bem sucedido nas bilheterias, o resultado final de “Superman II - A Aventura Continua” foi um conjunto de críticas impiedosas por parte da imprensa e um clima de alguma coisa feita às pressas, muito longe do apuro cinematográfico visto no primeiro filme.

Recuperando cenas suas não aproveitadas e retirando outras de Lester que destoavam da visão única que tinha para os dois primeiros filmes da série – não por acaso feitos ao mesmo tempo –, Donner corrige em forma e principalmente conteúdo o percurso “alternativo” da segunda aventura do Homem de Aço nas telas.

Questão acima de tudo de justiça histórica, “Superman II: The Richard Donner Cut” garante a continuidade adequada e coerente com o enredo bem amarrado que Donner imaginou e realizou para eternizar nas telas o mais popular de todos os super-heróis dos quadrinhos.

Imperdível.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

A gestão off-futebol

Todos nós flamenguistas, de uma forma ou de outra, em algum momento ao longo dos cinco anos e pouco dessa gestão, nos iludimos com as perspetivas encantadoras trazidas por frases de efeito como “o ano mágico que vai chegar”, “a potência que está surgindo”, “os outros vão comer poeira atrás da gente”, “endinheirado e estruturado, ninguém vai segurar o Mengão” e por aí vai.

Muito desse discurso, registre-se, insuflado por membros da diretoria ao longo desses cinco anos e pouco.

Acontece que a realidade trouxe um cenário diferente de tudo isso, refletindo-se em derrotas inesperadas, fracassos que não combinavam com o quadro pintado a ouro e decepções sucessivas, fora do esquadro que fez muitos torcedores ignorarem que futebol se ganha dentro de campo, com qualidades que muitas vezes nem todo dinheiro do mundo pode comprar.

Dos mais crentes aos mais céticos, muitos de nós acabamos nos deixando levar por um ar de arrogância que jamais combinou com a história de suor de povo do manto rubro-negro.

Trabalhar com mais uma possibilidade real de novo baque – a humilhação monstra de uma quarta eliminação seguida na suposta prioridade do calendário – só vai expor ao famigerado arco-íris (das torcidas adversárias à imprensa anti) mais um dos inúmeros erros na condução do carro-chefe do Flamengo, justamente em um momento importantíssimo de reconstrução em diversas outras áreas do clube.

Uma ironia cruel para o torcedor que se permitiu sonhar acordado antevendo um domínio que nunca, jamais chegou perto de existir na realidade. Desilusão é o nome disso.

A gestão Bandeira de Mello, com todos os seus inegáveis méritos administrativos, também será cobrada no curso da história pelos seus deméritos quando o assunto for campo e bola – afinal, como diz o apolinho Washington Rodrigues, o Flamengo nada mais é do que um gigante que se alimenta de vitórias.

Que elas possam voltar, no campo e na bola, com pouco ou muito dinheiro, mas sempre com a mítica alma rubro-negra, a partir do ano que vem.

SRN


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Um erro perigoso


Da parte visitante, a impressão que ficou é que praticamente ninguém parecia estar se importando muito com o Botafogo x Flamengo do Engenhão, valendo pelo returno do Brasileirão. Da direção do Clube aos jogadores, passando pela Comissão Técnica e pelos formadores de opinião / influenciadores, pouco se ouviu e se falou até pouco antes da partida.

Uma pena e um erro, que só expõe a forma torta como se enxerga e se trabalha o principal produto do futebol nacional. Fazer do Campeonato Brasileiro um apêndice de outras "prioridades" (Libertadores, Copa do Brasil, Sul-americana) é jogar fora, às vezes muito cedo, o ganha-pão dos clubes durante a maior parte do calendário. Repito: uma pena e um erro.

O reflexo disso, meio óbvio até, é que a própria torcida passa também a não se importar com a competição. Aí não é só um erro: é um perigo. Ontem, em um clássico local disputado no Rio de Janeiro e valendo posição importante na tabela, tivemos a vergonhosa marca de 238 flamenguistas apoiando o time no estádio. DUZENTAS E TRINTA E OITO PESSOAS.

Jogo oficial. Clássico. Campeonato Brasileiro. Rio. Tempo bom. Time no G6.

Qual a desculpa? Preço do ingresso? Crise? Violência?

Para mim, nada justifica um público desse.

Talvez tenhamos tido ontem, neste triste Botafogo 2 x 0 Flamengo, um histórico recorde negativo de público rubro-negro em estádio em se tratando de um clássico local, disputado dentro da cidade e valendo pontos.

Uma vergonha completa.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Há 20 anos, um acachapante Flamengo 3 x 0 Real Madrid

Há exatos 20 anos, em 15 de agosto de 1997, o Flamengo MORALIZAVA o poderoso Real Madrid – então campeão espanhol – pelo Torneiro Palma de Mallorca, na Espanha. Sapecou nada menos que um 3 x 0 sem dó, com gols de Maurinho (é seleção!), Lúcio Bala e Sávio – este, aliás, acabaria se transferindo para a equipe merengue logo após a bela atuação pelo rubro-negro.

Hoje, além de raros, os confrontos entre brasileiros e europeus infelizmente expõem, quando ocorrem, o abismo colossal entre os dois mercados, algo que duas décadas atrás não existia nessa proporção gigantesca.

Em tempo: esta foi a última vez em que as duas equipes se enfrentaram, com mais dois jogos tendo sido realizados em 1978. O Flamengo tem duas vitórias e o Real Madrid, uma.



Partida: Flamengo 3 x 0 Real Madrid

Data: 15/08/1997

Local: Estádio Carlos Belmonte, Mallorca (ESP)

Competição: Torneio Palma de Mallorca (torneio amistoso internacional)

Flamengo: Clemer; Fábio Baiano (Leandro Neto), Júnior Baiano (Juan), Luís Alberto e Gilberto; Jamir (Bruno Quadros), Jorginho, Maurinho e Sávio (Iranildo); Renato Gaúcho (Rodrigo Mendes) e Lúcio. Téc.: Paulo Autuori.

Real Madrid: Cañizares; Secretário, Sanches (Vitor), Panucci (Chendo) e Karanka; Jaime, Seedorf (Gutti), Amavisca (Zé Roberto) e Mijatovic; Raul e Suker. Téc.: Jupp Heynckes.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Reflexões sobre um Flamengo à procura de rumo


Quinta-feira, 3 de agosto de 2017. Dia com o sabor amargo da ressaca moral. Com a dureza do choque de realidade. Com a frieza da ducha de água gelada de um mundo como ele é, e não como deveria ser. Vale para o Brasil, vale para o Flamengo. Falarei rapidamente sobre este segundo, cujo futuro pelo menos ainda me traz algum tipo de esperança, embora o presente exija reflexões.

O Flamengo reestruturado institucionalmente, recuperado financeiramente e incensado administrativamente passa, sim, por uma crise de identidade. Dentro e fora dos campos. Talvez uma crise menos grave que a de tempos atrás, quando as perspectivas eram desanimadoras em quase todos os níveis e áreas, mas não menos importante de ser discutida, avaliada e devidamente tratada.


Fora das quatro linhas, o problema principal passa pela transição da Era Maracanã para a Era do Estádio Próprio – neste primeiro momento representada pela casa provisória na Ilha do Governador. Como ajustar a demanda cada vez maior de um público diverso e gigantesco, como é a massa rubro-negra, às necessidades de caixa do clube? Como garantir as maiores receitas financeiras possíveis com a realização de jogos sem alijar parte do povo flamengo do seu time de coração? Essas e outras questões
 estão em aberto, e se colocam a cada partida jogada numa Ilha do Urubu de parcos 20 mil assentos, quase sempre não preenchidos na sua totalidade em virtude de preços praticados acima da média.

Mas a questão que mais aflige o torcedor, hoje, está situada dentro de campo, curiosamente a área na qual menos se depositava preocupação à medida em que o belo elenco que temos atualmente vinha sendo construído – ok, construído no meio da temporada, mas mesmo assim a tempo suficiente de entregar resultados. Eliminado precocemente da Libertadores e claudicando no Brasileirão, o Flamengo vive uma realidade distante das suas pretensões iniciais. Futebol débil, time em constante mutação e sem padrão tático algum, desempenho técnico sofrível dos principais nomes, insistência na escalação de nomes menos cotados, atuações regularmente fracas do conjunto, técnico demonstrando cada vez menos repertório. O lugar no G6 tem cara e jeito de meio de tabela. O viés, inegavelmente, é de baixa.


Além de discutir as pessoas – que podem e devem ser cobradas no dia a dia, especialmente quando têm todas as condições estruturais de trabalho à disposição –, talvez seja o caso de também se discutir as filosofias, no plural.


Discutir a filosofia do comando do futebol, que parece se apegar a uma profecia irrefutável a ser confirmada a qualquer custo, mesmo quando os fatos esfregam na cara de todos um quadro totalmente oposto. Arrogância típica de quem se vê como um doutrinador de teses no cargo de gestor, justamente quando a gestão mais carece de ideias arejadas. Discutir a filosofia da torcida, que viu no poderio financeiro uma porta de acesso direto às conquistas de tudo – os tais "entreguem as taças" e "Brasileiro é obrigação". Arrogância típica de novo rico premiado na Mega-Sena, que na euforia tem a certeza de que o dinheiro tudo pode comprar, sem enxergar que valores imateriais são inegociáveis em papel moeda.


Os conflitos que circundam o Flamengo nos dias de hoje tem um quê de existenciais, de foro íntimo-institucional, e refletem, ao meu ver, um clube em mutação, saído de (muitos) anos amadorísticos e vislumbrando uma fase duradoura de liderança. A ansiedade pelos resultados crescerá à proporção em que as finanças polpudas resultarem em cifras de investimentos cada vez maiores, em um aparato infraestrutural cada vez melhor e em contratações cada vez mais midiáticas.


Lidar com a pressão é natural para quem vive diariamente o Flamengo, da arquibancada aos gabinetes, mas lidar com a obrigação do protagonismo é algo ainda a ser melhor ajustado na cabeça de dirigentes, dos membros da comissão técnica, dos jogadores e da torcida – seja o mais abastardo que pode ir a todos os jogos, seja o menos favorecido que vê e sofre de longe.


Se o virtual campeão brasileiro de 2017 se autointitula realisticamente como "o time que sabe sofrer", o Flamengo rico, teimoso, trôpego e perdido de 2017 poderia se assumir, num ato de sincericídio, como "o time que (ainda) não sabe ganhar".


SRN

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Axé da Bahia, do Brasil para o mundo

São muitos os méritos de "Axé - Canto do Povo de um Lugar", documentário que estreou ontem nos cinemas narrando a história de linhas tortas, mas de estrondoso sucesso, da música carnavalesca feita em Salvador para o Brasil e o mundo. O filme abrange todas as pontas do movimento musical que nasceu mambembe e cresceu estruturado como indústria, fomentando músicos e compositores, gerando milhões em receita e consagrando dezenas de artistas como astros e estrelas do showbiz nacional.

Como documento histórico, o longa-metragem de Chico Kertész tenta decifrar a origem do som dançante que dominou as paradas de sucesso de rádios e TVs brasileiras por mais de duas décadas, e acaba mostrando que tudo cabia naquele liquidificador sonoro: o frevo dos trios elétricos dos anos 1970, a guitarra baiana de Armandinho, as influências latinas de Gerônimo, a batida do samba-reggae criada por Neguinho do Samba para o Olodum. Tudo podia ser "axé music" naquele cenário de efervescência e inventividade que dominava a cena cultural soteropolitana, alimentada pelos investimentos em novas bandas feitos pelos blocos de carnaval e pelo estúdio WR.

Luiz Caldas, como o primeiro astro nacional do movimento, trouxe consigo uma primeira leva de artistas para um Brasil que aprendia a dançar com trejeitos e sotaques. Vieram Reflexus, Banda Mel, Chiclete com Banana, Sarajane, Cheiro de Amor, Banda Beijo... Em Daniela Mercury, a primeira estrela internacional. Um furacão que pôs a Bahia, a partir do início daqueles anos 1990, como o principal polo produtor das maiores e mais impressionantes vendagens da indústria fonográfica brasileira por anos seguidos – Banda Eva, Netinho, É o Tchan! e Terra Samba tiveram um punhado de discos de diamante (mais de 1 milhão de cópias por álbum) para chamar de seus.

Fechando com o fenômeno Ivete Sangalo – há mais de uma década a artista mais popular do Brasil – e apontando para Saulo Fernandes o que pode ser a continuidade num momento de declínio comercial e de prestígio em baixa, muito em função da perda de conexão com a nova geração consumidora, "Axé..." retrata com fidelidade e precisão o movimento musical de maior sucesso do país surgido e estruturado 100% fora do eixo Rio-SP. Uma monstruosa indústria de ritmos, hits, modismos, lucros, egos e sonhos que só podia ter acontecido, do jeito totalmente porreta que aconteceu, na Bahia.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Dez discos de 2016 para se escutar em 2017 (e em 2018, 2019...)

24K Magic (Bruno Mars): O melhor do new jack swing noventista rejuvenescido em grande estilo pelo cara que manda e desmanda hoje em dia.

- ANTI (Rihanna): Contando com uma excepcional releitura de "Same Ol' Mistakes", do Tame Impala, a mulé lacrou geral nazinimiga – de novo.

- Blackstar (David Bowie): Uma aula de dignidade e de boa música no epílogo de um grande mestre. Cara que faz uma falta da porra...

- Blue & Lonesome (The Rolling Stones): As raízes expostas no blues que ajudaram a forjar a maior banda de rock em atividade. Imperdível.

- Duas Cidades (BaianaSystem): O pós-Axé que pulsa na periferia de Salvador fala pro mundo inteiro. Coisa de gente grande e antenada.

- Gatos e Ratos (Odair José): O cronista popular reencontrou a boa forma no bom e velho rock'n'roll. Não sobra pra ninguém neste ótimo disco.

- Mahmundi (Mahmundi): Principal revelação da música brasileira em 2016. Álbum que renova as esperanças em muita coisa. Apenas excelente.

- O Problema É A Velocidade (Emanuelle Araújo): A baiana tirou onda com um disco lírico, cheio de nuances, mas sem dispensar o suingue nagô.

- Sky High (Fish Magic): O segundo trabalho solo do brother Mário Quinderé é denso e bebe de muitas fontes, resultando num rock atemporal.

- Starboy (The Weeknd): Apesar de excessivamente longo, o petardo pop tem belíssimos momentos, como as duas parcerias com Daft Punk.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Uma Medellín de amor e lágrimas para o mundo ver



O que aconteceu nesta quarta-feira dentro e fora do lotado estádio Atanásio Girardot, em Medellín, foi algo para fazer recobrar a fé na humanidade até no mais cético e duro ser humano. Demonstração de respeito e amor em níveis caudalosos, extremos.

Jamais vi ou tive conhecimento de algo próximo: uma celebração gratuita de solidariedade em dimensões colossais montada em poucas horas. Nada ali foi trivial. Pensar em algo assim em meio ao caos da tragédia impressiona.

O povo colombiano, devastado por anos a fio no centro da guerra sangrenta do narcotráfico, ensinou ao mundo como agir diante da mais aguda tristeza.

O Clube Atlético Nacional se apresentou como um gigante do futebol mundial num âmbito bem além do esportivo. Uma nobreza de caráter admirável.

A Chapecoense não poderia ter pela frente um outro parceiro – rival nunca! – mais poderoso para essa final, que infelizmente jamais será disputada.

Que lição de vida, de dignidade e de irmandade.

Emocionante.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Dez shows da minha vida

  • Paul McCartney, Rio (Maracanã), 1990
  • Michael Jackson, SP (Morumbi), 1993
  • Legião Urbana, Rio (Metropolitan), 1994
  • Stevie Wonder e Gilberto Gil, Rio (Metropolitan), 1995
  • The Police, Rio (Maracanã), 2007
  • Roberto Carlos, Rio (Maracanã), 2009
  • U2, SP (Morumbi), 2011
  • Sade, Brasília (Nilson Nelson), 2011
  • Bob Dylan e Mark Knopfler, Chicago (United Center), 2012
  • Rolling Stones, Rio (Maracanã), 2016

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Só o começo




Diego, Donatti, Damião. Três contratações de impacto somente nos últimos 15 dias.

Guerrero, Mancuello, Juan, Ederson, Rever, Cuéllar, Arão, Sheik, Muralha. Várias contratações igualmente impactantes nos últimos 12 meses.

Todos eles jogadores que seriam titulares em praticamente todos os clubes do Brasil.

Na prática, um conjunto de contratações que dá ao Flamengo, depois de muitos anos, um elenco de candidato real ao título de campeão brasileiro.

Não se trata apenas de um time, de contratações pontuais de um ou de outro craque. Vimos isso de tempos em tempos, e quase sempre o objetivo de voltar a dominar o Brasil se frustrava. Agora há um elenco, e mais que isso.

Lá atrás tivemos Sávio, Romário e Edmundo, três ícones que, juntos, se eternizaram na piada do "pior ataque no mundo". Tivemos Alex, Denílson, Edilson, Gamarra, Vampeta e Petkovic, em um grandioso projeto que ficou apenas nos Estaduais (inesquecíveis, lindos, mas estaduais) e na finada Copa dos Campeões. Tivemos Ronaldinho Gaúcho e Thiago Silva, ambos pilotando um bonde que também nos deu apenas o domínio regional, além de um jogo eterno na Vila.

Por outro lado, graças das Deus, tivemos Adriano, Bruno, o velho Pet e a cabeçada do Angelim, naquele campeonato milagrosamente maluco de 2009.

Todos craques, cracaços, mas que vieram em rascunhos de projetos políticos isolados, que deram ao clube retorno esportivo aquém do que pretendiam e resultados administrativos terríveis. Sabemos todos que o Clube sangra no bolso até hoje.

Agora temos a oportunidade de ver outros craques especiais, novatos em se tratando de Flamengo e que ainda causa certa estranheza em parte da torcida, mas fundamentais: planejamento, estrutura e responsabilidade. Craques que não vestem a camisa, mas que valorizam o Manto Sagrado da melhor maneira possível.

O patamar do Clube mudou. A realidade hoje é outra. As cobranças aumentarão, de todos os lados. A obrigação, porém, segue a mesma: o clube mais popular do país, como diz o Apolinho, é um gigante que se alimenta de títulos. A formação do atual elenco como fruto desse processo de profissionalização da gestão só aumenta a fome desse monstro.

Apesar do cheirinho que paira no ar, o título deste ano ainda é um sonho. A diferença é que, ao contrário de outros tempos, não se trata apenas de um sonho de uma noite de verão – ou de uma temporada. É um sonho real, com perspectiva de ser duradouro.

Que seja o início de uma nova e longa era de grandeza para o Flamengo, com grandes títulos.

Comecemos pelo hepta.

SRN

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Paulo Batista Machado (1949-2016)



Filósofo, teólogo, padre, escritor, poeta, professor, mestre, doutor, PhD, político, educador... O lado profissional e a dedicação à vida pública de Paulo Batista Machado levariam muito tempo de pesquisa para ser devidamente exaltados com justiça e abrangência, dada a extensão de um currículo impecável, admirável, sem uma mancha qualquer que pudesse levantar questionamentos em relação a sua capacidade e retidão de caráter.

O reconhecimento de seus pares e de seus conterrâneos saberá louvar, com o devido tempo e com as justas honrarias, esse rico capítulo da enorme biografia de Paulo.

Quero aqui, em meio a este momento de dor, me ater à outra face do meu querido tio e padrinho Paulo Machado. Faço questão de registrar a importância, para mim, de tê-lo como referencial maior no campo do saber intelectual e da dedicação ao conhecimento. Sempre, desde muito pequeno, vi na figura de meu tio Paulo uma fonte de inteligência e de bom senso, características que o colocavam de forma natural como uma espécie de mediador da família.

Paulo, mais do que tudo isso e do que tantas outras coisas, viveu uma vida nobre sendo um homem bom, andando no caminho do bem e praticando generosidade e altruísmo. Não consigo imaginar maior legado que alguém possa deixar para os seus e para sua comunidade. Um privilégio para todos aqueles que puderam conviver e aprender com ele.

Natural de Itabuna (BA), meu querido tio Paulo partiu de Salvador nesta sexta-feira, aos 67 anos, rumo a um plano superior. O sepultamento ocorrerá na sua amada Senhor do Bonfim, da qual tinha orgulho de ter sido morador e prefeito.

Seus vastos e valorosos ensinamentos seguirão para sempre comigo, meu tio. Muito obrigado.

terça-feira, 19 de abril de 2016

As 10 mais do Rei que não são da dupla Roberto & Erasmo


No aniversário do Rei, 10 músicas espetaculares do seu repertório, gravadas originalmente por ele, mas que não são de autoria da dupla "Roberto & Erasmo":

  • Não Vou Ficar (Tim Maia) | 1969
  • Como Dois e Dois (Caetano Veloso) | 1971
  • Como Vai Você (Antônio Marcos) | 1972
  • Outra Vez (Isolda) | 1977
  • Pra Ser Só Minha Mulher (Ronnie Von / Tony Osanah) | 1977
  • Vivendo Por Viver (Márcio Greyk) | 1978
  • Força Estranha (Caetano Veloso) | 1978
  • A Ilha (Djavan) | 1980
  • Eu e Ela (Mauro Motta / Lincoln Olivetti / Robson Jorge) | 1984
  • Amor Perfeito (Michael Sullivan / Paulo Massadas / Lincoln Olivetti / Robson Jorge) | 1986

#RobertoCarlos75

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O discurso histórico de Darcy: por que Glauber chorava?

Contra a exaltação insana e covarde da memória de um matador oficial do Estado por parte de um deputado que prefiro omitir o nome imundo, em pleno plenário de Congresso Nacional (o que configura um crime tipificado em lei), relembro aqui o discurso histórico de mestre Darcy Ribeiro durante o enterro do cineasta Glauber Rocha, em agosto de 1981.

As palavras do antropólogo, uma das mentes mais brilhantes e generosas em favor da melhoria do povo brasileiro, valem para um Brasil que desgraçadamente ainda está aí e que se apresentou ontem de cara lavada, em horário nobre.

Triste.

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"Uma vez, e eu não vou esquecer nunca, Glauber passou uma manhã abraçado comigo e chorando.

Chorando, chorando convulsivamente.

Eu custei a entender – ninguém entedia – que Glauber chorava a dor que nós devíamos chorar. A dor de todos os brasileiros.

O Glauber chorava as crianças com fome.

O Glauber chorava esse país que não deu certo.

O Glauber chorava a brutalidade.

O Glauber chorava a estupidez.

A mediocridade.

A tortura.

Ele não suportava. Chorava, chorava, chorava.

Os filmes do Glauber são isso. É um lamento, é um grito, é um berro.

Essa é a herança que fica de Glauber.

Fica de Glauber pra nós a herança de sua indignação.

Ele foi o mais indignado de nós. Indignado com o mundo tal qual é.

Assim"

(Darcy Ribeiro)

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Veja o discurso histórico de Darcy Ribeiro clicando aqui.

domingo, 17 de abril de 2016

Dia D, de derrota

Na decisão do "Fla-Flu da Insanidade", sigo de fora desse jogo.

Não assisti a nada disso que estão comentando e lamentando desde cedo. Não preciso ver as imagens para saber dos risos canalhas e dos discursos hipócritas de um bando de larápios com imunidade parlamentar, tudo em horário nobre para um Brasil de audiência. O circo já estava armado há muito tempo, esperando apenas pelo grande picadeiro midiático. Recusei humildemente o papel de palhaço da vez e preferi não dar moral para esse tipo de espetáculo deprimente, que só expõe a indigência de ideias e de caráter da qual é feita a política brasileira.

Tenho certeza que não há inocentes nessa brochura triste da nossa história, mas sei também que não há vencedores numa situação de fragilidade institucional como a que vivemos atualmente - e amigo(a), se você se vê como um vitorioso hoje, eu lamento muito pela sua inocência juvenil. O simples fato de saber que a condução desse processo coube a um corrupto histórico, comprovado, réu em quase uma dezena de processos na mais alta corte do país, mas que ainda assim permanece sentado na cadeira onde está, só isso, ao meu ver, já põe uma pá de cal na credibilidade desse rito.

Estou profundamente entristecido por tudo o que está acontecendo e ainda vai acontecer - e falta muita água pra rolar -, mas se eu tiver que lidar com toda essa situação, que não seja batendo palma para malucos e safados dançarem dentro da minha sala.

O lance é seguir em frente com a dignidade em alta, mesmo mergulhados num lamaçal podre com pilantras de todas as cores e credos te dando ordens e te dizendo o que é certo ou errado (melhor isso que ser surdo).

Continuar lutando e fazendo a nossa parte contra tudo o que há de ruim por aí: é o que nos resta.

segunda-feira, 14 de março de 2016

O Brasil da "roupa branca" nas ruas


Em meio às grandes manifestações realizavas por quase todo o país no último dia 13 de março, surgiu nas redes sociais um debate satélite - porém pertinente - sobre o simbolismo da velha e patriarcal "casa grande e senzala" aplicada aos dias de hoje, na qual a figura central era a triste figura da "babá uniformizada de branco".

Rapidamente derivou-se daí uma série de teses completamente fora de contexto, na qual a cor da pele do patrão e/ou do empregado pode determinar se essa ou aquela situação configura-se em "preconceito de classes". Tudo a base de imagens descontextualizadas, de parte a parte.

Quando a uma determinada simbologia - remetendo a sociedades escravocratas, como nesse exemplo - é manipulada e utilizada fora de esquadro, discursos enviesados e parciais, de quaisquer naturezas, são permitidos a todos aqueles carentes de bom senso e discernimento.

Não se trata de pagar, de garantir direitos ou de dar acesso (na prática até um certo limite). Isso é o mínimo do que se pode esperar numa relação trabalhista. O lance está no simbolismo real do que representa a figura de serviçais de famílias em pleno Brasil de século XXI. Esse é (seria) o ponto.

Mas quantos realmente se importam com isso nesse louco mundo binário e maniqueísta de redes virtuais antissociais?

Enfim, segue o jogo em mais um dia de Fla-Flu da Insanidade por essas bandas.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O "querer" Flamengo


Em quase todas as oportunidades, seja numa disputa de título, numa decisão de classificação ou mesmo numa partida de meio de tabela, o clássico Flamengo x Vasco se define pela demonstração do QUERER. Conquista, avança e vence aquele que QUER mais – e sob esse aspecto cabem inúmeras qualificações: gana, disposição, luta, intensidade, vibração, (às vezes) técnica... O "querer mais do que o outro" se traduz no combustível que move um rival a superar o outro mesmo sem ter, na prática, o melhor time ou os melhores jogadores. No livro escrito por esses dois gigantes desde 1922, ganha quase sempre quem QUER mais, não simplesmente quem "pode" mais.

E o que isso tem a ver com o atual momento? Obviamente tudo. O que assistimos quarta-feira passada na primeira partida foi um Vasco caçando cada jogador do Flamengo como um grande dever ancestral, uma espécie de "imposição de honra". O jogo foi tecnicamente um ruim, pobre? Muito, mas a missão cruzmaltina foi cumprida. Não houve um pingo de dúvidas para qualquer um que esteve no Maracanã ou que viu pela televisão: o Vasco quis muito, muito mais aquela vitória do que o Flamengo. Já havia sido assim na fase decisiva do Campeonato Estadual. Nas duas ocasiões, quis e conseguiu.

O que ficou para o Flamengo após mais uma derrota no ano frente a seu arquirrival, como um fato incontornável, foi a total ausência da mítica ALMA RUBRO-NEGRA no primeiro confronto. Um time sem pulsação, frio (no pior dos sentidos), desconectado com a intensidade do adversário e com a importância da competição para o clube. Parecia que o Maracanã havia sido transportado do Rio de Janeiro para a Sibéria, onde descansam os restos mortais daquele famoso ex-deputado.

São inúmeras as vitórias épicas do Flamengo no Maracanã, tanto em decisões memoráveis quanto em jogos menores e já esquecidos pela maioria. Em todas elas o Flamengo foi, durante a maior parte do tempo, detentor absoluto desse "querer mais". A imagem daquele Mengão avassalador, que entope o Maracanã de gente e pressiona o adversário, surgiu antes de tudo da tão propalada RAÇA RUBRO-NEGRA – me refiro não à torcida organizada, mas àquilo que marca os esquadrões vermelho e preto. "QUEREMOS RAÇA! QUEREMOS RAÇA!", gritamos todos em algum momento das nossas vidas nas arquibancadas, cadeiras ou na geral. Não era um pedido, era uma exigência.

É nesse contexto que quarta-feira agora, mais do que qualquer outra coisa, o Flamengo terá que se vestir de raça da chuteira à camisa se quiser bater o seu oponente histórico e passar às quartas-de-final da Copa do Brasil. A raça do correr mais que eles, de dar o carrinho certeiro e salvador, de pressionar em cima, dos chutes de dentro e fora da área, dos gols necessários. Se os 11 rubro-negros que entrarem em campo incorporarem o ESPÍRITO DE FLAMENGO, aquele que nenhuma outra agremiação tem igual e que tanta inveja causa Brasil à fora, nós vamos avançar. Mas o time e a torcida têm que querer, e querer muito mais do que o lado de lá.

Fica o desafio.

SRN

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Carlinhos, o Violino (1937-2015)



Luís Carlos Nunes da Silva, o Carlinhos, por 516 vezes vestiu o Manto Sagrado. Destacou-se como um volante técnico e refinado, a ponto de ganhar o apelido de Violino. Como se fosse pouco, como se precisasse mais, tornou-se anos depois "somente" o maior técnico de futebol da história do Flamengo.

Em 313 jogos dirigindo o futebol rubro-negro, Carlinhos ganhou uma Copa Mercosul (1999), dois Campeonatos Brasileiros (1987/1992) e três Campeonatos Estaduais (1991/1999/2000). Um multicampeão, ainda que estivesse sempre sob o crédito de "solução caseira" – o que era uma verdade inconteste.

Ele era de casa, era da Gávea, fosse como funcionário ou torcedor. Vivia o Flamengo no seu dia a dia, como um hábito, no amor e com prazer, sem maiores pretensões de fundo. Assim, com esse verniz da humildade sincera, se fez uma verdadeira lenda na longa história de conquistas do clube. Um mito.

Monstro de voz mansa, muita classe e aparência sempre tranquila, o Violino partiu nesta segunda-feira, aos 77 anos. Sem nenhum exagero: poucas pessoas no mundo foram mais rubro-negras do que ele. Fica o nosso muito obrigado, mestre. O Flamengo e os flamenguistas seremos eternamente gratos a você.

terça-feira, 26 de maio de 2015

O ocaso de Luxemburgo

"Pofexô" Vanderlei Luxemburgo mostrou-se em muitos momentos da lamentável entrevista coletiva concedida há pouco um poço de amargura, covardia e pequenez.

Se oferecendo miseravelmente ao São Paulo, tal qual uma messalina ávida por qualquer trocado, foi incapaz de reconhecer os problemas técnicos gritantes do time devidos exclusivamente ao seu fraco trabalho.

Tentou a todo o momento arrastar Rodrigo Caetano junto na sua queda, que segundo ele foi motivada - ora veja - pela sua "forte personalidade".

Preferiu se apoiar apenas na falta de reforços e em desfalques pontuais de ordem médica para justificar o péssimo futebol apresentado pela equipe desde o final do ano passado.

Mais à frente, tirou da cartola uma louca roleta russa e pôs a culpa de todos os seus fracassos nas quatro passagens pelo clube em Kléber Leite, Romário, Márcio Braga, Ronaldinho, Patrícia Amorim, Bandeira de Mello...

"Eu não tenho culpa, nunca tive".

Fez questão de se apresentar como "eleitor e homem de Patrícia Amorim" dentro da atual gestão, a qual ele se opõe em diversos pontos.

Cereja do bolo, qualificou a angustiante fuga do rebaixamento de 2014 como um dos grandes momentos da sua carreira, talvez o seu grande título.

Ao final, ficou claro que, como profissional de futebol, Vanderlei Luxemburgo morreu e não sabe.